sábado, 5 de setembro de 2009

Sonho

Olá a todos,

Certa vez Martin Luther King disse "eu tenho um sonho...", pois eu sempre fiquei indagando se ele realmente sonhou ou se o "sonho" dele era algo em que ele mentalizava. Vocês podem ficar imaginando que essa é uma indagação besta, mas sigam a minha linha de pensamento. Um sonho é algo que ocorre quando você está dormindo (em alguns casos ele aparece quando alguém está acordado...), normalmente ele retrata situções confusas onde coisas estranhas acontecem, as vezes essas situações são reflexos de desejos profundos e outras vezes esses sonhos nos colocam em provações que temos de superar. Mas em todos os casos os sonhos são algo baseado no ficticio, no inimaginavel e no absurdo. Para mim um sonho séria algo que está completamente fora da realidade e/ou senso comum. Então quando Martin Luther King falou sobre o seu sonho ele deveria achar que os seus objetivos eram parte de algo inimaginavel, algo não palpavel que beira o absurdo. Eu normalmente não fico falando por aí que eu possuo sonhos porque eles fazem parte de algo que não existe, eu digo que eu tenho objetivos pelos quais eu luto.

É interessante como eu consigo naturalmente mudar de assunto de uma maneira inconsciente, porque eu não queria falar sobre objetivos, direitos humanos, lutas e outras coisas... tudo o que eu queria falar era sobre um sonho...

Pode parecer confuso eu ter dito que não tenho sonhos e sim objetivos e logo em seguida dizer que eu queria falar sobre um sonho... o caso é: eu tenho sonhos, mas somente quando estou dormindo. Se eu sonhar com algo que eu quero que se torne realidade e esse "algo" pode ser conseguido com luta, então eu tirei desse sonho um "objetivo". Por isso eu posso perfeitamente ter sonhos e objetivos.

Voltando pro sonho, na verdade vamos sair do sonho um pouco. Antes eu queria falar um pouco sobre o porquê de eu querer falar de um sonho ao invés de falar de algo mais divertido como uma dor agonizante qualquer. O fato é que mesmo os meus sonhos são esquizitos... bem, a maioria dos sonhos são esquisitos, mas os meus são anormalmente esquisitos. Para se ter uma ideia basta juntar a minha imaginão com o inexplicavel e você terá ideia do quanto um sonho pode ser mais anormal que os outros.

Agora sim, voltando pro sonho. Nesse sonho eu estava em casa me preparando para fazer alguma coisa a qual eu não sabia ao certo o que era, na verdade eu não estava me preparando eu estava apenas me arrumando. Eu tinha um sentimento que me dizia que eu devia me "preparar", mas esse sentimento era tão fraco que eu nem ligava para ele, isso porque ele me parecia irracional... por isso eu estava apenas me arrumando. Acho que eu estou sendo um pouco confuso, deixem-me explicar melhor a diferença entre se preparar e se arrumar. Se arrumar é o que você faz quando quer ir para algum lugar que você vai com freqüência como a escola ou o trabalho por exemplo. Quando você se arruma você não faz nada de especial, você toma banho, passa um desodorante e um perfume, usa roupas comuns adequadas para o lugar para onde você vai e coloca os seus utensílios úteis nos bolsos e vai embora. Agora quando você vai para um lugar especial o qual necessita de algo a mais na sua arrumação comum então você precisa se "preparar". Normalmente isso acontece quando você vai para uma festa, evento importante ou até mesmo para o vestibular. Nessas ocasiões você precisa tomar um banho mais demorado e usar produtos a mais do que os que você já usa (no caso dos homens pode-se fazer a barba...). Você escolhe uma roupa especial, usa um perfume mais caro, capricha no penteado e checa tudo duas vezes antes de sair. Pega a carteira, chaves, materiais de estudo para o caso do vestibular e materiais de proteção pessoal para o caso de uma festa (estou falando de camisinhas...). Alguns inclusive param e fazem uma prece pedindo a Deus que lhe dêem calma e compreensão para fazer uma boa prova, enquanto outros pedem que encontrem alguém com muita beleza e pouco juízo na festa...

No meu caso não se tratava de uma festa ou um vestibular... era algo como um tipo de compromisso. Eu sentia uma ânsia de ir para algum lugar... uma ânsia de chegar lá o mais rápido o possível.

Eu saí de casa com calma, na verdade eu não estava em casa, eu estava saindo de um prédio e conscientemente eu pensava que ali ficava a minha casa, talvez em algum apartamento (coisa de sonhos...). E não era somente a minha casa... a cidade toda estava mudada, ela estava cheias de prédios altos que cobriam a luz do sol e o ar tinha um cheiro diferente... um cheiro de chuva apesar de o dia está ensolarado.

Como eu não estava com pressa alguma eu comecei a caminhar pela cidade e de hora em hora eu reconhecia algumas partes da fisionomia da cidade. Uma esquina que fica na minha cidade, um prédio de Nova York, um teatro de Chicago, uma avenida que me lembrava São Paulo e apesar de saber que eram todas de lugares diferentes eu não questionava nada, parecia tudo muito normal, até porque isso é algo que eu nunca entendi, como podemos não perceber que estamos em um sonho se tudo a nossa volta não condiz com a realidade?!

Decerto eu já várias vezes consegui distinguir um sonho da realidade, mas nesse sonho em particular eu não estava sequer tentando. Eu não me recordo ao certo, mas acho que devia estar com muito sono e cheio de cansaço porque eu não me sentia disposto a ir para o compromisso e nem queria pensar no assunto de estar vivendo um sonho ou uma realidade. Caso queiram saber eu sempre procuro distinguir um do outro (sonho e realidade) porque caso eu consiga descobrir que estou sonhando eu posso alterar o sonho a minha vontade e poder fazer dele uma experiência mais agradável (pode ter certeza que no andar da carruagem eu teria mudado o cenário todo e ido para um SPA em uma ilha ficar deitado em uma rede na sombra de duas palmeiras tomando uns drinks e apreciando o mar...).

Mas eu me perguntei (assim como alguns de vocês, meus caros leitores, devem já ter se perguntado) o porquê de eu ter que cumprir esse compromisso, ou melhor ainda, que compromisso era esse. Agora que eu estou pensando melhor eu acho que deveria ter me questionado sobre isso antes e talvez eu continuasse andando até o lugar onde eu deveria estar se a cidades não estivesse diferente...

Eu não sabia dizer exatamente o que era... os prédios pareciam normais, as ruas estavam calmas, as árvores balançavam quando o vento passava por elas... mas algo estava fora do lugar... até que eu percebi que não havia ninguém na rua, ou calçada, ou casas ou em lugar algum. A cidade estava deserta. Eu achei aquilo tudo muito estranho, mas quem era eu para discutir a realidade?! Se a cidade estava deserta eu não poderia fazer nada para mudar isso e para ser sincero... por que eu iria querer mudar algo que não era da minha conta e ainda por cima não me incomodava em nada?! Na verdade eu até que estava gostando daquela calmaria...

Eu sentia que já tinha ultrapassado mais da metade do meu caminho quando vi a primeira pessoa... na verdade não deu de ver direito porque ela foi muito rápida... sabe aquelas situações quando você está dirigindo um carro e passa na sua frente um gato ou um rato muito rapidamente e você fica se perguntando de onde eles tinham saído?! Eu tive essa mesma sensação... alguns metros mais tardes eu começava a sentir que havia algo errado e que toda aquela calmaria havia ficado para trás... e isso me incomodava... E MUITO!!

Eu já estava andando há um bom tempo e as pessoas começavam a aparecer com mais freqüência, mas todas as vezes elas atravessavam o meu caminho correndo e desapareciam em instantes... e as vezes eu podia jurar que elas faziam o mesmo pelas minhas costas como naqueles filmes de terror onde a criatura atravessa uma clareira enquanto os personagens estão de costas logo no inicio do filme... eu sempre me perguntei por que diabos essas criaturas não paravam uns 10 segundos para matar esse cara que está de costa ao invés de ter de esperar o filme todo para fazer isso e morrer no fim...

Eu já estava ficando próximo do meu objetivo, e estava feliz por estar quase lá porque isso significava que eu logo estaria em casa de novo. O problema ocorreu mesmo foi quando eu dobrei a esquina... eu simplesmente pude ver o que Dante quis mostrar quando tentou descrever o inferno... as ruas começaram a ficar caóticas... uma nuvem de fumaça cobria tudo e eu podia ver incêndios em toda parte. Pessoas corriam por todos os lados e a maioria delas parecia que tinham acabado de deixar o trabalho para se juntar naquele pandemônio...

Eu não entendi nada... o que havia criado tanta confusão?! E o que me assustava mais era que eu sabia a resposta dessa pergunta...

O que havia criado aquilo tudo estava ligado ao meu compromisso... eu não sabia como eu sabia, mas sabia que sabia que o sábio soube que o sabiá sabia assoviar... (não pude resistir a não fazer uma piadinha... desculpem-me...). Nesse momento eu percebi que era primordial que eu puxasse na memória o porque de eu ter que ir para esse compromisso...

Eu comecei a me lembrar que eu estava sentado assistindo a algum filme qualquer na televisão quando um comercial entrou no ar... esse comercial falava sobre alguma coisa relacionada a uma promoção maluca... eu tentei mudar de canal, mas esse comercial continuava passando em todos os canais e até mesmo no radio... o engraçado era que cada ponto do radio passava o comercial, mesmo onde não havia estação de radio (ex: existe a estação de radio 93.3 e a 94.5 e não existe mais nada entre elas, mas no meu sonho as freqüências 93.4; 93.5; 93.6... passavam o tal do comercial...). Eu me cansei disso e resolvi jogar um pouco no PC, mas eu não conseguia porque eu sequer toquei na CPU e o monitor já estava passando o comercial... Como aquilo já estava me cansando eu resolvi ver logo o que é que essa promoção falava.

Eu me surpreendi com o que eu ouvi... essa promoção dizia que quem quer que chegasse primeiro no prédio que ficava no centro da cidade (e este era o mais alto de toda ela...) iria ganhar um super prêmio... o problema era que apesar de eu não ter a mínima idéia de que prêmio era esse eu senti no mais profundo do meu âmago que eu deveria ir para aquele prédio... era quase como um tipo de forte hipnose misturado com macumba da braba...

Agora eu começava a entender melhor... todos queriam o prêmio!! Só faltavam mais alguns quarteirões para chegar no prédio quando as coisas começaram a ficar piores... Antes eram somente incêndios, poeira, escombro de prédios... mas agora as coisas estavam ficando sérias demais!! Eu podia ver uma cena pós-apocalíptica onde carros, motos e caminhões jaziam destruídos pelas ruas, resultados de inúmeros acidentes de carros onde estes haviam ceifado a vida de muitos motoristas e pedestres... eu sabia o que havia acontecido, eu conseguia ver as cenas como se meus olhos fossem donos do passado e me mostrassem o que ocorreu. Eu vi pessoas motorizadas acelerando fundo com a intenção de chegar primeiro no prédio e por conseqüência acabaram por matar todos os motoristas que tentaram chegar por esse meio de transporte assim como todos os pedestres que cruzaram o seu caminho, no fim as estradas e calçadas estavam instransponíveis pelos carros e motos sendo possível apenas atravessar essas ruas a pé.

Eu realmente estava triste pelas pobres almas dos acidentados, mas eu ainda ia continuar a minha caminhada... como eu disse parecia algum tipo de hipnotismo com macumba...

Na medida em que eu andava eu encontrava mais e mais “acidentados” e outros casos de mortes. Na verdade quando eu cheguei na praça que dava de frente para o prédio eu presenciei um dos maiores campos de guerra que eu já havia visto... na verdade não era mais um campo de guerra porque todos que estavam por lá já haviam parado de guerrear faz um bom tempo... não pensem nem por um momento que eles pararam de guerrear porque alguém havia conseguido o prêmio... eles pararam de guerrear porque os mortos não se mexem e conseqüentemente não batalham entre si...

Todos que estavam ali já haviam morrido... todos tentaram da melhor maneira o possível atrasar quem estava ao seu lado... e a maioria deles conseguiu!! Quando vi aquelas cenas comecei a entender o porque de haverem mortos vitimas de atropelamento nas ruas anteriores e não havia nenhum carro por perto... eu sabia agora que aqueles que vieram de carro também tentaram atrasar os que vinham andando... fadadamente quando perceberam que haviam carros mais rápidos que os deles ele quiseram repetir a dose e isso desencadeou uma chacina nas ruas...

Na medida em que eu andava, eu ficava cada vez mais impressionado com o que a humanidade havia feito para alcançar os seus objetivos... enfim eu me deparei na recepção do prédio... mas não havia ninguém lá... na verdade haviam muitas pessoas, mas nenhuma delas estava apta a receber o prêmio, a não ser que este seja um belo caixão folheado a ouro porque estavam todos mortos...

Apesar de depois disso tudo eu dever ter voltado para casa e ter chamado a policia ou algo assim eu estava realmente curioso sobre o que seria esse grande prêmio... então eu comecei a pensar em como eu poderia achá-lo para dar uma olhada, mas ai é que eu percebi que não havia funcionários do prédio no saguão... eu sabia disso porque o único que tinha um crachá estava jogado de qualquer jeito no início das escadas...

Logo eu percebi que dificilmente uma pessoa chegaria primeiro, era mais provável que UMA MULTIDÃO delas tivesse chegado ao mesmo tempo e que houvesse uma discussão para saber quem seria o merecedor do prêmio... os funcionários deveriam ter se sentidos acuados e fugiram para o único local onde não havia pessoas ensandecidas... O TERRAÇO!!

Foi uma subida pesarosa... não por causa de toda aquela gente morta com suas partes internas expostas como um show de horror, mas sim porque aquele prédio tinha CENTENAS DE ANDARES!! Imagina subir aquilo tudo de escada?! E imagina agora a sua raiva quando lhe passa pela sua cabeça uma idéia louca de “subir pelo elevador”!!

Ao chegar lá em cima eu encontrei todos os funcionários restantes já mortos... mas minhas esperanças haviam melhorado porque eu encontrei alguém vivo... ele tinha em suas mãos uma caixinha pequena toda enfeitada... era o prêmio.

Ele olhava para essa caixa com extremo pesar e tristeza, ele já estava coberto de chagas e em cada parte do corpo dele eu podia ver o resultado de sua luta para ser o ganhador do prêmio. Mas ele não parecia nada feliz... cheguei a me perguntar o por que de ele está assim apesar de já conhecer a resposta.
Mas eu não compreendia... como alguém que matou tantos estaria arrependida logo agora em que a batalha acabou?! Já não está meio tarde para isso?! Eu comecei a pensar no caso dele e percebi que a loucura deve ter subido a cabeça dele assim como deve ter subido a cabeça de muitos porque não é normal que pessoas se digladiem desse jeito por causa de um prêmio...

Eu já estava levantando um dos pés para andar na direção dele e lhe dar umas palavras de conforto por sentir pena dele e achar que a situação poderia melhorar quando ele calmamente se levantou e olhou para baixo... nesse momento ele não demonstrou reação nenhuma e deixou o seu corpo ser levado por uma leve brisa para a frente e caiu levemente para frente rumo ao chão centenas de andares abaixo... dessa altura eu sequer poderia ouvir o baque surdo do corpo se estatelando no chão lá embaixo... me senti na obrigação de falar algumas palavras:

-FILHO DA P$¨%!! AJUDOU A MATAR TODO MUNDO E AGORA NÃO VAI NEM ENTERRAR UM DELES?! PELO MENOS REZOU UM POUQUINHO PELAS ALMAS DELES?!

E o pior é que ele se jogou lá embaixo segurando o presente... na verdade esse não foi a pior coisa... a pior coisa foi saber que eu não poderia descer de elevador porque ele estava quebrado... pudera, com toda essa guerra não é de admirar que alguém tenha cortado os cabos do elevador...

Chegando lá embaixo eu já estava exausto e realmente queria ir para casa... eu realmente queria aquela rede com uns drinks... mas eu não pude deixar de dar uma olhada naquela caixinha...

Era até uma caixinha singular... não media mais do que uma caixa de chocolates e era embrulhada em papel presente com um laço de seda em cima... laço esse que não foi aberto... o cara pulou lá de cima e sequer quis saber o que tinha dentro...

Eu cuidadosamente abri a caixa e vi que havia três coisas... uma carta, um cheque e uma chave de carro. A carta parabenizava o leitor por ser o ganhador da promoção que havia sido feita em escala mundial e que o grande prêmio era o carro esportivo mais caro do mundo e no chegue o ganhador era gratificado com a quantia de 100 milhões de euros (o dólar já decaiu muito...).

Eu li novamente a carta somente para lê-la várias e várias outras vezes... não achei outra tradução para “escala mundial” sem ser algo como “todos estão mortos menos você”...

Eu suspirei e fiquei olhando para aquele mundo sem vida... fiquei imaginando se os animais teriam entrado nessa loucura também... com sorte eu iria ser um agricultor para cultivar o meus sustento e teria alguns gatos e cachorros como companhia... achei que eles seriam melhores do que uma bola de vôlei com uma careta feita com sangue...

Como se é de esperar eu procurei olhar para trás no tempo e ver o que eu aprendi com tudo aquilo... no fim eu pensei e pensei e acabei concordando que no coração do ser humano reside os mais poderosos venenos. Venenos esses que podem levá-lo a loucura de matar os da mesma espécie em troca de ganhos pessoas, por mais mínimas que sejam as chances de obtenção desse lucro. Para o ser humano não importa se outra pessoa mereça o lucro... o que importa é se você pode conseguir esse lucro sem ser penalizado por isso... Mas no fim o ser humano acabou por não ser tão burro... no fim ele compreendeu de que mais cedo ou mais tarde os nossos atos voltam para nós e acabamos por perceber que erramos e que os nossos erros podem levar a criação de tragédias e mais tragédias. Mas ainda assim, mesmo depois de ter visto os seus erros, o ser humano ainda é covarde e sempre procura a saída mais fácil para os seus problemas, mesmo que isso signifique a sua própria morte...

Somente alguém sábio (ou com um neurônio que funcione...) compreende que não é o lucro que vale a pena... é como você o obtém, se você é merecedor dele. Somente assim esse lucro irá valer a pena. Somente sendo honesto consigo e com os outros você ficará satisfeito ao obter o prêmio. E mesmo assim, não irá adiantar ter ganho o melhor prêmio do mundo se você não tiver com quem compartilhá-lo...

Eu já estava me levantando para ir embora quando eu me acordei... eu olhei ao redor e reconheci o meu quarto e percebi que era tudo um sonho. Apesar de saber disso eu não fiquei feliz porque no fundo eu fiquei com aquele pensamento “mesmo sendo um sonho... isso muda o que está no coração das pessoas?! Somente uma mega promoção irá dizer...”

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mentiras

Olá a todos,

Novamente eu estou aqui na frente do PC para compartilhar com todos um pouco das situações inusitadas que venho a presenciar, embora hoje eu não estou interessado em falar uma desgraça, acidente e/ou humilhação pública. Hoje estou aqui para dividir uma dúvida que foi bombardeada na minha mente fértil...

Você já deve (a não ser que seja o messias encarnado...) ter contado pelo menos uma vez na vida uma mentira... mas me diga, meu caro leitor, por que você fez isso? Por que você precisou afastar a verdade de suas palavras e em troca utilizar de falso testemunho?

Foi pensando nisso que eu criei o tópico dessa semana.

Eu acredito que existam vários motivos que levem uma pessoa a mentir... eu vou começar a falar de todos eles (ou pelo menos daqueles que eu for me lembrando...). Muitos começam a mentir já pequenos, mas nessa idade nem sequer sabemos o que é uma mentira, na verdade sequer temos más intenções ao inventá-las. Quantos de vocês não conhece uma criança de dois ou três anos de idade que gosta de “aumentar” ou “melhorar” alguns detalhes de uma história?! Nessa idade a criança começa a perceber que a realidade poderia ser melhor se ele usasse um pouco de imaginação. Antes disso ele achava que conseguir usar o banheiro da maneira certa ao invés do chão da cozinha seria um feito digno de um desbravador que encontra um novo continente... mas na medida em que seus pais, irmãos mais velhos, tios e até mesmo os seus avós não dão tanta importância para isso você acaba por perceber que aquilo que lhe deu tanto trabalho para conseguir não tem tanta importância... mesmo que você tenha levado apenas uns poucos anos para conseguir, e olhe que o cachorro é bem mais velho que você e ainda usa o chão da cozinha como banheiro...

Aos poucos a criança percebe que pode melhorar uma historia se ela usar um pouco de imaginação e que todos lhe dão mais atenção quando você diz que viu um dinossauro na rua ao invés de um cachorro muito grande... eles dizem que você é fofo. No fim eles estão apenas lhe influenciando a sempre contar uma historia diferente e melhorada do que realmente ocorreu, ao invés de lhe estimularem a contar a historia exatamente como aconteceu só que de uma maneira mais poética e excitante (um bom exemplo seria descrever a aparência do cachorro e compará-lo com os outros cachorros para que percebam o quanto aquele ser era especial...) essa pode ser a diferença de um futuro malandro surrupiador de biscoitos a um nobre e eloqüente orador em miniatura...

Quando o tempo vai passando nosso pequeno bebê se torna uma criança e com o aumento de experiência ele vai gradualmente ganhando mais liberdade. Um dos pontos mais altos nessa historia é quando uma criança aprende a andar e a sua mãe começa a lhe deixar mais a vontade na casa que ele já conhece. As mães acabam por naturalmente dar mais e mais liberdade ao ponto de poder deixá-lo sozinho (com uma distância segura de uns 5 a 10 metros, é claro...). É ai que o problema começa a aumentar.

A pobre mãe está a fazer o almoço e deixa a criança brincando perto da TV até que ela escuta o som de algo se partindo em vários pedaços... Muito preocupada ela corre para perto do seu filho com o intuito de saber se ele está bem ou não... Ao chegar lá ela descobre que o vaso caríssimo que ela tinha ganhado de alguém que ela provavelmente nunca mais viu na vida havia caída da estante e se partiu com o impacto. O culpado é obvio! Um garoto com ar de preocupado que está logo ao lado estante.

É nesse momento da vida de uma criança que ela percebe que pode usar suas técnicas de alteração da verdade em benefícios próprios. “E por que não?!”. Ele começa a inventar o que lhe primeiro vem na cabeça, o que normalmente resulta em por a culpa toda no pobre do cachorro... como se já não fosse o suficiente ele se sentir mal toda vez que olham feio para ele quando encontram aquele presente que ele deixou na cozinha...

Mas existe uma pequena diferença entre essa mentira e uma mentira comum. O garoto em questão jamais foi castigado antes... por isso ele não sabe o que pode acontecer com ele se ele fizer algo de errado. Mas se esse é o caso... por que ele mentiu?! A resposta é simples... ele não queria ver a sua mãe chateada com ele... ele sabe o quanto esse vaso era importante para ela (apesar dele não saber quem o deu para ela...) e ele sabe que ela não ia gostar de vê-lo quebrado e assim que ela soubesse que foi ele que o quebrou ele se sentiria mal por dentro...

Essa é um tipo de mentira em que a pessoa utiliza para evitar que as pessoas próximas se sintam magoadas em relação a mesma, ou seja, você normalmente utiliza essa mentira para evitar que a sua namorada fique com raiva de você por você ter esquecido o aniversário dela, você também usa desse artifício para que a sua mãe não fique magoada por você não ter limpado o quarto. Você no fim foge da reprovação alheia tentando criar uma situação onde você não é o culpado. O problema é que normalmente você É o culpado e precisa aprender a assumir as responsabilidades de seus atos para que futuramente você saiba dar mais importância aos sentimentos de sua namora e as lições que sua mãe tenta lhe ensinar (como higiene no seu local de descanso, por exemplo...). Quem cria esse tipo de mentira tende a crescer e ser uma pessoa irresponsável porque acha que pode ser feliz passando uma imagem errada para outras pessoas.

Na medida em que o tempo passa o nosso garoto em questão precisa passar por outras situações semelhantes, porém ao contrário da situação anterior onde ele precisava mentir para se sentir melhor dessa vez ele precisa mentir para fazer alguém se sentir melhor.

Normalmente a mentira precede uma pergunta como “estou gorda?”, “você a acha bonita?”, “ele é mais bonito do que eu?”, “o que você acha sobre isso?”. São perguntas como essas em que a própria pessoa que pergunta não quer ouvir a verdade se esta não condizer com o que ela quer ouvir. Mas também existem situações em que a pessoa tem uma boa intenção como encobrir a morte de um coelho de estimação dizendo que ele fugiu ou outras coisas. Essa é a única mentira em que se tem a verdadeira boa intenção, já que você mente em beneficio alheio. Mas na maioria das vezes o certo é contar a verdade.

Vocês devem pensar que eu sou um insensível por querer que uma criança saiba que o coelho morreu por já estar velho e cansado, mas a morte é algo que faz parte da vida. Você só pode morrer se estiver vivo e se está vivo mais cedo ou mais tarde você irá morrer. Por isso é melhor explicar as coisas como elas são ao invés de proteger alguém de algo em que ela deverá enfrentar. E se essa garota se acidentar?! O que vocês diriam?! Que ela vai encontrar-se com anjos?! No fim você mente para a pessoa que gosta não somente para não magoá-la, mas também para não se sentir mal. Quando você vê alguém próximo a você ficar magoado você acaba ficando triste e para evitar essa situação você tende a mentir.

E por ultimo, vem a pior entre as mentiras. Essa é aquela que você usa para se safar descaradamente de uma situação onde você tende a ser punido de alguma forma por algo que você realmente fez. Você mente para escapar de uma punição que você merece receber, as vezes você também mente para arranjar tempo para concertar um erro que você fez e só assim escapar da punição. Quando o seu chefe lhe diz para fazer uma determinada tarefa e depois de um tempo ele lhe pergunta se você a fez você acaba por inventar uma historia explicando o porquê de você ainda não ter feito a tarefa e logo depois você tenta correr contra o tempo perdido.

Essas pessoas precisam aprender que não se brinca com a verdade. Na medida em que você quer alterá-la você pode ser obrigado a enfrentar conseqüências ainda maiores do que se tivesse enfrentado a verdade desde o inicio. E mesmo que você consiga escapar dessas situações sem nunca ter sido castigado... tudo o que eu tenho a lhe dizer meu amigo é que você precisa aceitar a verdade como ela é e que você está vivendo em um mundo de ilusões onde mais cedo ou mais tarde você irá precisar encarar o mundo do jeito como ele é.

Mas... convenhamos, o mundo seria um lugar muito estranho se todos falassem a verdade... e isso me dá calafrios porque só vem a provar o quanto a mentira está entranhada nas nossas vidas.

sábado, 1 de agosto de 2009

Desejos

Olá a todos,

Eu me inspirei em um comentário que fizeram e resolvi escrever essa minha perola aqui.

O comentário falava sobre uma lenda japonesa que diz que se você fizer 1000 tsurus de origamis você tem direito a um desejo. Se eu não me engano o tsuru é a garça de papel, certo?! Eu fiquei pensando agora se essa mitologia é confiável... sabe, se eu fizer os 1000 tsurus e pedir um pedido plausivel (imortalidade seria um pedido não plausível, já que em teoria ser imortal é impossível) eu conseguiria realmente esse pedido em 100% dos casos?!

A minha dúvida é a seguinte. Experimente contar de um até mil em um ritmo de relógio (um número a cada segundo). Isso daria 60 números em 1 minuto. 600 números em 10 minutos. 900 números em 15 minutos. Ou seja, você conseguiria contar até 1000 em aproximadamente 16,7 minutos... Parece um período curto de tempo para se contar até 1000, certo? Mas experimente fazer essa conta... eu acredito que lá pelos 200 você começaria a repensar sobre o porquê de você estar fazendo essa conta, já que você está simplesmente cumprindo um pedido idiota de um carinha que escreve em um blog...

O que eu quero dizer é que contar até 1000 é cansativo... imagine agora fazer 1000 tsurus! Vamos imaginar que você consiga fazer um tsuru em 0,5 minutos (não é 50s e sim 30s). Isso te daria 500 minutos para fazer todos (8,34 horas). Isso dá mais trabalho do que contar até mil. Imagina agora você fazendo tsurus como um doido (a). Lá pelos 20 (isso se você for persistente) você se cansará e o seu tempo médio decairá fazendo com que você leve mais do que 30s para fazer um tsuru. Lá pelos 100 você começará a sentir dores nos dedos e tendões e já estará levando mais de 1m para fazer o dito cujo do tsuru. Em duzentos você demorará mais do que 2m para fazer a criatura, seria algo como 1,5m fazendo o tsuru reclamando do japonês que criou essa mitologia idiota e mais 1m suspirando e pensando no que você poderia estar fazendo nessa hora do dia e olha para o próximo pedaço de papel e se lembra que ainda falta uns 700 tsurus para fazer... Você provavelmente não conseguirá fazer nem mesmo 400 tsurus em um dia, para ser franco eu acho que uma pessoa normal se cansaria no número 50 e resolveria que era hora de dar uma pausa e acabaria deixando o trabalho para um outro dia.

No fim você levará dias (se você se dedicar com todas as suas forças) para completar a missão. E você acha que tem direito de fazer um belo dum pedido. Mas que pedido você faria?!

Veja bem, eu não estou muito interessado em saber o que você mais deseja, eu sou estou empolgado em provar que você não tem a mínima idéia do que você deseja!!

O primeiro desejo que passa na cabeça da maioria das pessoas é ganhar na mega-sena. Todos, não importando o grau de escolaridade, idade, sexo ou credo, querem ganhar na mega-sena. Esse desejo acabou se tornando algo de praxe para quem tem algum tipo de desejo, ele tem o mesmo status do desejo sobre “a paz mundial” que toda a miss universo pede na hora das perguntas... Qualquer pessoa no mundo inteiro, onde exista uma loteria, iria querer um bom prêmio como esse... certo?! Bem... eu não teria tanta certeza.

Veja bem, a mega-sena possui diversos tipos de prêmios. Basicamente a mega-sena é um jogo de sorte onde você precisa escolher 6 números entre 60, e depois serão sorteados outros 6 números, se os números que você escolheu forem os mesmos sorteados então você ganhou o prêmio máximo da mega-sena, porém você também ganha se você acertar 4 e/ou 5 números, desde já percebemos um erro nesse pedido que é tão comum. As pessoas não querem APENAS ganhar na mega-sena, elas querem ganhar o maior prêmio da mega-sena.

Mesmo eu tendo provado que a maioria das pessoas pede o pedido errado quando diz “eu quero ganhar na mega-sena”, muitos irão se desculpar dizendo: “Mas isso é pouca coisa, eu só devo alterar um pouco o meu pedido e pedir para acertar os seis números da mega-sena”. Eu me impressiono o quanto uma pessoa não pára para pensar sobre o que pede, isso porque mesmo alterando o pedido a criatura ainda não ia conseguir realizar o seu desejo. Veja bem, ao mesmo tempo em que você acertaria a mega-sena outras pessoas também podem acertá-la. Não é muito comum, mas a mega-sena poderia sortear um prêmio de 1 milhão de reais e outras 4 pessoas poderia acertar esta mesma combinação. Isso parece impossível para você!? Mas não é!!

Você já imaginou se em algum acaso da vida os números sorteados forem 1, 2, 3, 4, 5 e 6?! Apesar de parecer impossível esse número tem as mesmas chances de aparecer do que qualquer outro. E mais de 0,1% dos apostadores apostam nesse número todos os meses. Mesmo se o prêmio for de 10 milhões se os números forem esses então não ia sobrar nem 100 reais para cada apostador... o que você faria com 100 reais?! Pagaria um jantar para a família?!

É por isso que eu acho uma futilidade querer ganhar na mega-sena, é mais fácil pedir logo de uma vez os 10 milhões e deixar que o gênio dos tsurus dê o jeito dele de arranjar a grana... Mas ainda assim o dinheiro ganho de maneira fácil tende a evaporar de maneira fácil. Teve uma reportagem que falava sobre o que aconteceu com alguns dos ganhadores da mega-sena, muitos não souberam gastar o dinheiro e os mesmo acabaram em uma situação pior do que quando não tinham nada, teve casos de pessoas que compraram vários carros importados e pagaram a vista, do mesmo jeito que teve outras que investiu em jatinhos e por aí vai.

Seguindo essa linha de pensamento é melhor pedir logo um emprego que te pague muito bem e que só você pode fazê-lo. Mas é bom especificar que tipo de emprego você quer porque você pode acabar enfurnado em um escritório de uma multinacional e ter que trabalhar tanto que não lhe sobrará tempo para nada, nem para os amigos, nem para a família e muito menos para gastar o seu dinheiro... eu pessoalmente preferiria ser um artista, mas eu fico meio receoso quanto ao assedio dos fãs e a invasão da sua privacidade pelos paparazzi.

O segundo desejo que as pessoas normalmente pedem é ter um relacionamento amoroso com algum ator famoso ou pelo menos com alguém bem atraente. Esse é outro erro, normalmente quando a pessoa deseja algo ela acaba por desejar o “como” ela quer e se esquece de que o importante é saber “o que” se quer.

Na mesma lógica sobre o dinheiro as pessoas acabam por desejar ganhar na mega-sena, assim sendo elas estão desejando “como” elas gostariam de ganhar dinheiro quando na verdade “o que” elas realmente querem é ter uma vida financeira estável e bem (na verdade, BASTANTE) lucrativa. E elas querem ter essa vida sem gastar o mínimo de esforço o possível, fazendo um trabalho que elas gostem (fotografo exclusivo da playboy internacional é um bom exemplo de um trabalho que deve ser moleza...).

No caso do setor amoroso as pessoas tendem a imaginar em “como” deve ser a pessoa amada ao invés de simplesmente entender que o que ela quer é apenas UMA pessoa para amar. Depois de apaixonado e tendo uma boa relação não vai importar nenhum pouco se ela tiver somente dois dentes e ser cega de um olho... embora eu devo admitir que ser banguela e caolha irão diminuir muito as chances de alguém se aproximar e ver como boa pessoa ela é por dentro...

Eu acabei enrolando a todos, inclusive a mim mesmo. Eu devo até me desculpar porque eu comecei esse texto com muita preguiça (não dormi direito e estou com tempo livre aqui no trabalho, porém não posso dormir em serviço mesmo que não esteja fazendo serviço nenhum...) e pouca inspiração, embora quando eu tenha iniciado a escrevê-lo ele tivesse me parecido uma boa idéia.

No fim o que eu queria dizer é que a humanidade não sabe muito bem o que ela quer. Muitos são as pessoas que dizem ter medo de alturas, mas a maioria viaja de avião tranquilamente, mesmo sabendo que elas estarão sobrevoando uma grande extensão de terras a uma altura exorbitante. Na verdade boa parte dessas pessoas não tem medo de altura, elas tem medo de cair de um lugar alto. Se elas estiverem em um lugar alto só que elas acreditarem perfeitamente que esse lugar é 100% seguro elas não irão ter medo. Um bom exemplo é uma sala de jantar do ultimo andar de um prédio de 100 andares, a pessoa saberá que esse lugar é alto e ainda assim não temerá nada porque ela sabe que é quase impossível o chão desse andar se abrir e ela cair lá de cima. Apesar de tudo eu acredito que realmente existam pessoas que temem lugares altos e que não subiriam ao segundo andar de prédio nenhum...

E eu fico me perguntando se realmente vale à pena fazer 1000 tsurus e no fim dessa jornada fazer um pedido que mesmo realizado ao pé da letra não poderá satisfazer o pobre coitado que adquiriu LER (Lesão por Estiramento Repetitivo) dobrando papel...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Romantismo

Olá a todos,

Esse é um dos tópicos lá do PDL. Eu achei interessante e resolvi postar aqui também.

Me perguntaram se eu era romântico e eis aí a minha resposta:

Bem... em relação ao ser romântico... deixa eu pensar... é... pensando bem... eu acho que sou um romântico sim... se não fosse eu acho que não conseguiria colocar tanta paixão naquilo que eu escrevo. Não conseguiria olhar para lua e perceber que ela está mais acolhedora do que na noite anterior (mesmo ambas parecerem iguais). Não conseguiria me sentir cansado depois de um dia de trabalho e querer me sentar em uma cadeira de balanço no meio de uma noite escura no meio do quintal e desligar as luzes da casa somente para poder relaxar e escutar o barulho que o vento faz quando acaricia as folhas das árvores e beija as flores das plantas. Não conseguiria parar para ver o quão trabalhoso é a caminhada de uma simples formiga que atravessa alguns metros de seu formigueiro até uma planta e não conseguir deixar de admirá-la quando ela novamente sai do formigueiro para repetir essa exaustante e enfadonha rotina e lembrar de pessoas que reclamam que não gostam de se levantar da cadeira para trocar de canal (é em uma situação como essa que eu vejo o quanto a humanidade tende a regredir...) e finalmente eu acho que sou um romântico porque apesar das decepções que a vida nos dá, apesar das rasteiras que você recebe, apesar das pessoas ficarem a cada dia que passa mais e mais temerosas em relação a ambição, raiva, medo e angustia que envenenam o coração humano, apesar do mundo estar morrendo com a poluição, apesar da natureza estar se revoltando contra a vida com suas tempestades, tornados, enchentes e desgraças, apesar da vida nova que nasce a cada dia em um corpinho frágil de um bebê estar condenada a viver em um mundo que está gradativamente destruindo o seu futuro e apesar das pessoas cada vez menos acreditarem que o amor existe no coração de cada um eu ainda consigo acordar todo dia de manhã e reclamar que ainda é muito cedo para se acordar e que a única coisa que me faz levantar da cama e encarar o chuveiro cuja a água é mais fria que o sangue que passa pelo coração de uma serpente no pólo norte É QUE EU VOU VIVER MAIS UM DIA!!

Hoje em dia as pessoas contam o tempo mais do que contam o dinheiro que recebem como salário. Elas normalmente iniciam a semana já contando quantos dias irá demorar até chegar o próximo fim de semana. Elas entram em seu trabalho e/ou escola pensando em quanto tempo irá demorar até elas chegarem em casa. Elas contam quanto tempo ainda tem de horário de almoço e reclamam arduamente quando este acaba e elas tem que voltar para o "inferno" que é a vida. Elas estão começando até a contar quanto tempo demora a sua diversão! Antes de ver um filme elas precisam saber quanto tempo ele demora. Antes de ler um livro elas primeiro vêem quantas páginas ele tem. E até mesmo quando colocam uma pipoca no microondas elas esperam em frente ao microondas até o tempo acabar, ou então ficam andando de um lado para outro e ficam dando olhadelas para o monitor do MC para ver quanto tempo falta.

O que as pessoas de hoje esqueceram é que o tempo que elas perdem contando o tempo poderia ser aproveitado de outra maneira. Eu pessoalmente não fico contando o tempo quando estou trabalhando, eu procuro aproveitá-lo ao invés disso. Eu não fico a toda hora olhando o relógio, eu procuro me divertir com o meu trabalho e procuro interagir com os meus colegas para que assim o meu trabalho seja tão animado que o tempo passe sem que eu perceba. Quando eu coloco uma pipoca no microondas eu nem me importo em ficar olhando quanto tempo falta para ela ficar pronta (exceto quando eu estou no cinema e o filme já está quase começando, aí eu fico feito um muleke pidão olhando para aquele timer e pensando “vai mais rápido criatura porque o inicio do filme é tão importante quanto o meio e o fim...”) eu vou ver os outro canais (eu normalmente faço pipoca em casa para assistir algum DVD) e vejo o que vai passar na TV e as vezes eu acabo assistindo um filme que está passando na TV para só depois começar a assistir o DVD (e em alguns casos eu também acabo esquecendo que tem pipoca pronta e quentinha no microondas...). Eu não me importo em saber quanto tempo um filme tem ou quantas páginas um livro possuí, na verdade enquanto eu leio um livro eu fico querendo que ele dure mais do que deveria porque como eu leio rápido eu acabo lendo ele em poucas horas e eu fico com aquela vontade de ler outro (quando eu li o “Príncipe Mestiço” eu fiquei doído para ler “As Relíquias da Morte” e mal consegui esperar o tempo passar...).

O que eu quero dizer é que as pessoas estão contando o tempo e estão se esquecendo de “aproveitar” o tempo! Enquanto elas ficam contando as horas o tempo continua a correr e se você não aproveitá-lo ele irá passar e você viverá apenas uma parte da vida e chegará a velhice com aquela sensação de que não viveu muito e que poderia ter feito muitas coisas as quais não fez!

Para aqueles que estão pensando “E o que isso tem haver com Romantismo?”. Eu só posso dizer que isso tem tudo haver com o Romantismo. O romântico é aquela pessoa que vê o amor em tudo e em todos e que não se deixa se desanimar pela tristeza daqueles que estão ao seu redor porque ele sabe que o dia que você vive hoje somente será valoroso se você lutar por ele. Se você simplesmente esperar que a alegria venha até você então você jamais irá encontrá-la porque ela está naquilo que você ama e gosta de fazer. E essas coisas não são jogadas em cima de você com quem fala “toma esse alegria de viver para você se sentir melhor!” e eu acredito que se isso acontecesse você não valorizaria essa dádiva e é por isso que se você não lutar por aquilo que deseja o seu trabalho irá continuar chato, o livro vai continuar muito grande e a pipoca vai continuar a demorar horrores para ficar pronta (exceto na situação do cinema... nessas situações ela sempre demora e sempre tem um cara que está na sua frente e vai comprar umas cinco pipocas!!).

Espero que todos comecem a aproveitar melhor o seu tempo porque eu já estou aproveitando o meu para imortalizar os meus pensamentos... (TRADUÇÃO: eu vou colocar isso aqui lá no Blog!!).

Chiclete no Shopping

Olá a todos,

É engraçado como coisas pequenas podem desencadear coisas muito grandes, as vezes é preciso um aglomerado de coisas pequenas para se criar algo muito grande, em outras ocasiões algo muito pequeno já é mais do que suficiente para desencadear uma desgraça. E vai ser sobre isso que eu vou escrever essa semana... sei lá... hoje está parecendo que eu estou sendo objetivo demais... normalmente eu gasto umas duas páginas só para dar uma introdução...

Muitos já ouviram falar do efeito “bola de neve” que ocorro quando jogamos uma bolinha de neve pequena de cima de um morro e na medida em que ela vai rolando morro abaixo ela vai coletando mais neve por onde passa (pois o chão está cheio de neve) e concomitantemente ela vai ficando maior e maior até chegar em dimensões onde poderia facilmente causar uma desgraça... matar o gato do vizinho por exemplo... ou matar o próprio vizinho...

O curioso é que eu já adicionei “fazer uma bola de neve e empurrá-la do morro mais alto das redondezas” na minha lista de “coisas para fazer pelo menos uma vez na vida”. Esse item está bem perto de “fazer um boneco de neve”, “praticar snowboard e esqui”, “comer chocolate quente em frente a uma lareira”. É estranho querer fazer a bendita bola de neve mesmo sabendo que ela pode matar um povoado inteiro (principalmente se for jogada de cima do Everest). Mas as pessoas normalmente não ligam para o perigo, desde que em troca você receba uma quantidade maior de diversão. Se todo mundo ligasse mais para o perigo (e possíveis conseqüências) ninguém morreria de doenças do coração causadas por má alimentação, ninguém brincaria de paintball com medo de levar uma bolinha de tinta disparada em alta velocidade para dentro do nariz (sem falar que existe uma conexão entre o nariz e o cérebro [era por essa conexão que os antigos egípcios enfiavam um ferro em brasas para derreter o cérebro e coloca-lo em um jarrinho {obviamente o cara já estava morto e sem as tripas, essas era colocadas em uma banheira cheia de sal, ervas aromáticas e outras coisinhas e depois de 30 dias era colocadas de volta na barriga do defunto}]), é engraçado como ainda existem pessoas que jogam paintball sem proteger o nariz... Em compensação é graças a essa regra estranha ( muito divertimento + perigo de morte = não tem problema desde que tenha “muito divertimento” ) que existe o bungee jump, a montanha russa, a roleta russa e as brigas com facas.

Enfim, eu estava falando sobre pequenas coisas que geram grandes conseqüências. E a minha historia começa quando eu fui comprar uns chicletes. Eu não imaginava o que se pode acontecer quando você inocentemente compra chicletes. E assim sendo eu saí de casa e fui comprar os chicletes (somente eu acho estranho sair de casa e andar dois quarteirões somente para comprar uns chicletinhos?!). Eu gosto muito dos bigbig (marca de chiclete em forma de cubo), principalmente do de hortelã. Eu comprei um real de bigbig (uns 10) e estava mascando um quando voltei para casa para ir assistir um filme com a minha irmã. Quando esse bigbig tinha perdido o gosto eu joguei ele fora e ofereci um para a minha irmã. Quando eu coloquei o meu na boca eu vi na embalagem do chiclete um cara que tinha um recorde da maior bola de chiclete do mundo. Eu pensei que seria legal eu tentar também, então coloquei o resto dos bigbig na boca e comecei a mascar.

Já dentro do Shopping (pois o cinema fica dentro do Shopping) eu percebi que não poderia tentar criar a maior bola de chiclete do mundo se eu estava em um lugar publico, então eu decidi jogar fora o chiclete, até porque eu não poderia mascar chiclete e comer pipoca ao mesmo tempo. O problema começou aí.

Lá estava eu me preparando para jogar o chiclete fora no lixeiro quando eu me lembrei que o lixeiro que eu escolhi para jogar o chiclete fora ficava na frente do BOB’s do Shopping. E todos os clientes poderiam ver o momento quando eu ia jogar o chiclete fora. Obviamente isso não parece ser um agravante tão grande... só que eu me peguei pensando “qual seria a maneira mais educada de jogar um chiclete fora?!”.

Eu tinha um amigo que estava gripado e toda a vez que ele tinha que jogar o catarro fora ele se encaminhava da cadeira dele que ficava no fundo da classe para o lixeiro que ficava na frente da classe. Ao lado do lixeiro ele inchava os pulmões e soltava o ar pela garganta criando um atrito entre as paredes da garganta fazendo com que todo o muco (catarro) que estivesse acumulado ali durante horas saísse pela saída de cima (boca) e ele cuspia no lixeiro (para quem tiver fazendo cara de nojo eu só posso falar que é mais nojento engolir o catarro). E o pior é que ele não cuspia o catarro! Ele inclinava a cabeça lentamente em direção ao lixeiro e soltava o catarro aos poucos pela boca, criando um fiozinho de catarro e cuspe que ligava a bolota de catarro a boca dele. E parecia que ele estava ficando bom nisso. A cada dia que passava ele conseguia fazer o fiozinho ficar cada vez maior, fazendo parecer que a bolota de catarro estava praticando bungee jump.

Eu via aquela cena e via a cara de nojo de todos ao redor e ficava pensando se o certo seria engolir o catarro ou cuspi-lo no lixeiro.

Cada qual tem suas vantagens e desvantagens. Quando você engole o catarro você pode fazer isso de uma maneira com que ninguém perceba. Mas você nunca se perguntou quanto tempo demora para o estomago jogar fora esse catarro?! Eu ficava imaginando a pessoa engolindo e engolindo cada vez mais catarro e criando uma verdadeira sopa de muco no estômago. Sem falar que você poderia passar mal e vomitar tudo, ou seja, além de todos verem o seu almoço misturado com aquela gosma verde (que de tão verde, falta brilhar no escuro...) você estaria engolindo o catarro pela segunda vez (só que pelo sentido contrário...). E ainda fica pior!!

Quem já vomitou ao menos uma vez na vida, sabe perfeitamente que a boca fica com gosto de vômito por um bom tempo. E imagina só como deve ser o gosto de vômito misturado com catarro?! Deve ser horrível. Mas na verdade, eu acho que vomitar o catarro pode ser uma alternativa melhor do que deixar que ele siga o seu caminho.

Eu digo isso porque o próximo destino dele depois do estômago é o intestino. Claro... algumas pessoas podem pensar que não é tão ruim você ficar com o intestino cheio de catarro, já que ele normalmente é cheio de coisas piores e você nunca se importou com isso, certo?! ERRADO!!

A função do intestino é absorver. E ele absorve de tudo!! Menos fibras (que é o principal elemento formador das fezes [Se você não odiava, agora você vai odiar ouvir a sua mãe dizer que você tem que comer mais fibras... e sem falar na propaganda do iogurte “corpus”...]). E como você já deve estar imaginando... o intestino provavelmente vai absorver o catarro. Eu aposto que agora vocês não devem achar tão ruim a idéia de jogar fora o catarro...

É claro que o ponto negativo que jogar o catarro fora é que você deve faze-lo quando ninguém estiver olhando, o que atualmente é impossível já que tem gente pondo câmeras até dentro do carro.

Vocês devem estar se perguntando “Qual a relação entre o catarro do garoto aí da historia com o chiclete do inicio da historia?”, caso essa pergunta não tenha passado pela mente de vocês eu devo dizer que vocês estão acompanhando a historia da maneira certa... enquanto eu que voltei a escrever agora me perdi todinho (eu estava escrevendo esse artigo até fazer uma pausa. Durante essa pausa eu fui tomar um pouco de água e comer alguma coisa e acabei ligando a TV. Estava passando um bom filme e resolvi assistir uma parte. O tempo foi passando e eu acabei assistindo o filme todo e fui jogar um pouco. Depois de algumas horas eu fui fazer outra pausa e no caminho eu percebi que o computador estava ligado e eu me lembrei que eu estava no meio do artigo para o blog. Eu queria continuar mas já tinha perdido a motivação para escrever e a pausa acabou virando uma interrupção...).

Depois de reler alguns parágrafos e me atualizar... eu estava pensando na maneira mais educada para se jogar um chiclete fora. Primeiro eu pensei em como normalmente eu jogaria um chiclete fora. Vejamos... eu normalmente posicionaria minha cabeça em cima do lixeiro inclinando ligeiramente minha coluna. Depois eu olharia o lixeiro virando a minha cabeça para baixo deixando-a em uma posição horizontal. Depois de calcular a velocidade do vento e fazer os acertos adequados eu simplesmente abriria a boca e deixaria o chiclete rolar para fora e fazer um trajeto alucinante em queda livre da minha boca para o lixeiro. Esse é o meu método padrão.

Porém sempre tem aqueles lixeiros que possuem entrada lateral, como aquelas latas de lixo que é toda fechada e tem uma portinhola no lado, normalmente encontrada nas ruas. O meu primeiro pensamento quando eu lembrei desse tipo de lixeiro foi “Mas porque diabos alguém ia fazer um lixeiro com a entrada pelo lado!?”, mas depois de pensar um pouco eu percebi que essa entrada lateral é estratégica para que não caia água dentro do lixeiro quando este estiver exposto a chuva e por manter o lixeiro sempre fechado essa entrada evita que ele exale o mal cheiro. Felizmente o lixeiro do shopping é do tipo que é aberto em cima. Na verdade o lixeiro do shopping é trabalhado em madeira e plástico fazendo dele um lixeiro muito bonito por sinal dando um ar bucólico para o ambiente...

Vendo por esse ângulo eu acabei percebendo que esse método era satisfatório e eu já estava quase iniciando a operação “jogando o chiclete fora” quando eu percebi um pequeno detalhe que me havia fugido a mente. Eu estava mascando uma boa quantidade de chicletes ao mesmo tempo e este já estava ocupando boa parte da minha bochecha (na verdade eu já estava quase mastigando de boca aberta... poxa... agora me deu uma saudade da minha juventude... era cada idéia louca...). Imediatamente após eu me lembrar desse fato eu relembrei a historia do garoto gripado e percebi o quanto uma bolota de chiclete poderia se parecer com uma bolota de catarro... e se você imaginar a cena você terá de concordar que ela é bem ridícula.

Vamos fazer uma pequena pausa (não para tomar um pouco de água senão esse tópico não vai ver a luz do dia nunca...) para imaginar a cena. Como um bom narrador eu vou lhe ajudar a ter uma pequena idéia do que passou pela minha mente naqueles segundos. Eu sou uma pessoa detalhista e desde a minha juventude eu sempre tive o dom do pensamento... na verdade eu sempre fui capaz de ir para o mundo da lua e prestar atenção no que alguém falava... e esse é um dom extraordinário se você se lembrar o quanto pode ser enfadonho uma conversa com alguém que você não gosta e/ou sobre um assunto que você não se interessa. Imagine só a possibilidade de poder devanear em sua mente um dos vários assuntos que você poderia estar pensando enquanto escuta alguém falar de algo que você não está interessado em ouvir, mas por motivos diversos não quer falar isso diretamente para a pessoa que está falando. Na medida em que eu envelheci eu percebi que eu ficava cada vez melhor nisso. Eu conseguia pensar em vários assuntos muito rapidamente e foi graças a essa habilidade que eu consegui pensar nesse texto todo em poucos segundos e ao mesmo tempo pude pensar em como poderia ser a situação de quem estava comendo, já que é por causa deles que tudo isso começou.

Imagine que você, meu caro leitor, está com fome e resolve comer uma bela refeição no Bob’s. Eu particularmente aconselho a comprar um milkshake porque eu já comi aqueles sandubas do Bob’s e eu achei decepcionante. Aqui onde eu moro em cada esquina tem uma barraquinha que vende sanduíche e em boa parte delas as refeições são deliciosas. Isso porque eles se preocupam em sabor enquanto o que eu comi no Bob’s foi um sanduba em um pão enorme com um monte de ingredientes gigantes... isso tudo banhado em molho de soja... (glutamato monossodico...). Eu além de não gostar do sabor, do aroma e da aparência (porque ele na foto é uma maravilha, mas ao vivo é um monte de ingredientes jogados de qualquer jeito por alguém que não tem sentimento pela culinária...) ele ainda por cima não cabe direito na boca, é muito caro e te lambuza todo com molho shoyo.

Continuando... Você resolve comprar o sanduíche (já que assim fica melhor para dar um bom exemplo do que passou pela minha cabeça naquela hora). Você é atendido por uma jovem simpática que fica no caixa e espera um tempo que pode ser longo ou muito curto dependendo do movimento da lanchonete e do estado de humor do chapeiro... e finalmente depois de uma eternidade chega a bendita comida, algumas pobres criaturas ainda precisam esperar em pé porque já não tem mais mesas e o Bob’s do shopping não fica perto da praça de alimentação, por motivos que até hoje eu desconheço e ignoro. Mas hoje você consegue uma mesa e se senta naqueles bancos fixos que ou te deixam longe demais da mesa onde você precisa entortar a sua coluna até os seus ossos comecem a doer e te ameaçarem de uma futura hérnia de disco ou te deixam tão próximos da mesa que você precisa comer com os braços colados ao corpo e você fica se sentindo como um pingüim com aqueles bracinhos curtos que não servem para fazer nada. E o pior acontece quando você cresce muito rapidamente e em uma hora você precisa se esticar para alcançar a comida e em menos de um ano você está se sentindo como um pingüim e ao mesmo tempo suas costas doem por causa da hérnia de disco.

Mas isso não é nada que vá tirar o seu bom humor (que já não está TÂO bom assim por causa da comida, da fila, da espera e da mesa...). E lá está você no momento do juízo final diante do réu (comida) e você se sente poderoso sendo você o advogado, juiz e carrasco daquela presa que te fez esperar e sofrer nas mãos de uma multinacional (podendo ser também o restaurante da praça de alimentação...). Você até que gostaria de que ela ainda estivesse viva para olhar nos seus olhos e ver os pedidos mudos de suplica que te estimulariam ainda mais a come-la e se deliciar com o seu sabor que foi temperado com a vingança!! HUHAHAUHUAHAUHAUHAUHAUA!!

Ah... a primeira mordida... você se prepara para o ato que consagrará o fim da existência daquela refeição que te custou tanto de sua saúde mental e física e ainda poderá de dar um belo de uma artéria entupida... você o agarra enfiando as unhas pelo plástico/papel e sentindo o pão ceder a pressão de seus dedos e sabe que não importa o quanto ele se debata em suas mãos ele não vai escapar. Você o levanta bem devagarzinho em direção a sua boca, bem devagarzinho para sentir toda a emoção que aquele momento lhe proporciona... você já está escancarando a sua boca sentindo a saliva fluir solta pelos seus dentes e se prestar bastante atenção poderá ouvir o rugido do seu estômago que já está ansioso pela sua próxima vitima... até que você tomada pelo êxtase olha para frente e presencia aquela cena... um cara mexendo e remexendo algo dentro da boca com a língua... aquela cena te atraí por algum motivo... talvez a curiosidade de saber o que é aquilo que ele está fazendo... por que alguém estaria parado na frente de uma lixeira ao lado de uma menina fazendo algo estranho com a boca... você já até esqueceu a sua comida e instintivamente está abaixando os braços e deixando que ela viva um pouco mais... mas parece que sua curiosidade já vai ser morta porque ele se inclinou em frente a lixeira e está abrindo a boca... o que é aquilo que ele vai fazer?! De repente você se depara com uma bola enoooorme de aspecto suspeito e VERDE!! Meus Deus do Céu!! Aquilo ali é catarro?!

NÂO!! DEFINITIVAMENTE NÃO!! Não serei eu a interromper um ritual de matança por ódio e vingança!! Se eu simplesmente jogasse o chiclete fora eu poderia ser o responsável por várias pessoas desistirem de comer por perder o apetite e isso definitivamente não é nada bom. Então eu pensei em outros métodos de se jogar o chiclete fora... eu pensei em pegar com a mão e joga-lo no lixo, mas para isso eu precisaria de um guardanapo... mas isso poderia piorar ainda mais a situação porque daria asas a imaginação das pessoas...

-O que era aquilo que ele tirou da boca?!

-Parecia que o guardanapo estava com sangue...

-Ele é tuberculoso!?

-Putz... perdi o apetite...

Talvez eu devesse... ou tentasse... não importava o quanto eu pensasse as idéias eram piores e piores... Então eu percebi que se eu vivesse pelo o que os outros pensassem sobre mim eu nunca iria comer pipoca...

Eu estufei o peito de ar e me aproximei do lixeiro... e já não era hora porque a minha irmã já estava ficando impaciente... eu inclinei a cabeça e deixei o chiclete rolar pela minha boca com um leve impulso da minha língua e grudar nos meus lábios... grudar nos meus lábios!? P!@)@&$(*&#)(*$&@)(*#$@&!

Lá estava eu com aquela bolota de chiclete grudada nos meus lábios... eu pensei rápido e percebi que deveria joga-la fora antes que o pior acontecesse. Eu comecei a usar a língua para tentar desgrudar ela dos lábios e eu já estava parecendo um ator pornô e não conseguia desgrudar aquele chiclete da boca. Tive que fazer a mesma coisa que o cara do filme pornô faria caso a língua não desse certo... eu tive que usar os dedos... (putz... ô comparação cretina...)

Eu tirei o chiclete dos lábios com a ponta dos dedos e como quem já me conhece de longa data já deve ter imaginado a p%$@ do chiclete grudou nas minhas mãos e eu já tinha até pensando em usar a mão esquerda para limpar a barra da mão direita, mas esses muitos anos de dores já tinham me ensinado que “sempre pode piorar” e eu já me imaginava como aqueles desenhos animados quando resolvem brincar com cola rápida e acabavam presos em um emaranhado de fios de cola. Eu teria que resolver isso somente com a mão direita e com menos dedos o possível.

A bolota ficou presa no indicador e eu estava usando o polegar para tira-la. E lá estava eu tirando o chiclete do indicador só para ver ele grudar no polegar... E eu já estava entretido naquela batalha épica quando eu dou uma olhadela para o lado e percebo que minha irmã já estava morrendo de rir e se afastando aos poucos... família é tudo igual mesmo... e eu juro que naquele momento me faltou forças para dar uma olhada no Bob’s e averiguar se alguém estava olhando... eu percebi que aquilo já estava durando muito e resolvi esfregar o dedo na beira do lixeiro para grudar o chiclete ali (no saco plástico do lixeiro...).

Vocês podem acreditar que a criatura ainda me deixou um fiozinho de chiclete de ligava descaradamente o meu dedo ao lixeiro me obrigando a passar o meu dedo uma segunda e terceira vez para me ver livre daquele chiclete?! Depois de tudo isso eu ainda fui ao Bob’s com a dignidade de um rei pegar um guardanapo para limpar a mão e fiz questão de jogar no mesmo lixeiro que ficou o chiclete... embora eu não tenha tido coragem de olhar na cara de ninguém que estava comendo com medo de que me mandassem aquele olhar fulminante dizendo “acabou com a minha alegria...”