Olá a todos,
Primeiramente eu gostaria de me desculpar por andar um pouco sumido por aqui, é que eu tive que resolver alguns problemas...
Mas isso não importa agora. Esse tópico começou a ser criado já algumas semanas atrás, quando eu estava no chat conversando com uns amigos e acabei colocando lá umas palavrinhas com a minha opinião sobre como anda a relação entre os homens e as mulheres atualmente. Só que devido aos problemas que eu encontrei anteriormente eu acabei por não postar na integra os meus pensamentos (eu digo na integra porque se eu fosse escrever tudo o que me veio à cabeça naquele momento a tela do chat seria coberta por um texto que não daria para ser lido de jeito nenhum pelos participantes do chat...). Porém um amigo meu acabou postando no tópico algumas semanas atrás e eu percebi que ele ainda estava interessado em ler o que eu havia para escrever, então hoje mesmo (dia em que eu comecei a escrever esse tópico porque eu estou normalmente levando mais de um dia para finalizar os meus pensamentos...) uma amiga minha fez um comentário sobre esse assunto e eu acabei me lembrando do chat e desse meu amigo... Me deu uma saudade tão grande de voltar a escrever que eu acabei deixando um pouco os meus problemas de lado e reservei um tempinho para ficar aqui na frente do computador e escrever algumas linhas que sejam...
A minha amiga estava falando que na opinião dela os homens deveriam ser todos gays... ela estava me falando sobre um amigo dela que é gay e que ele está namorando outro cara. Ela dizia que esse amigo dela estava tão apaixonado que já estava pensando em morar junto do amor dele, ele disse que o namorado dele saia de manhã cedo para trabalhar e que depois de umas horas ele voltava (todos os dias) para ficar com ele pelo pouco tempo de folga que ele tinha e voltava pro trabalho... Sinceramente eu achei essa relação um tanto... um tanto... fofa... no bom sentido...
Bem, vamos começar o tópico propriamente dito. Vamos começar falando dos homens, antigamente os homens (em sua maioria) construíram sociedades bem organizadas e estas chegaram a ser grandes metrópoles sendo que algumas sociedades chegaram a dominar grande parte do velho mundo. É claro que sempre existiram cidades onde esse sucesso não deu certo e acabaram por se arruinar com o passar de pouco tempo. O que existe de comum em grande parte dessas sociedades é que em sua maioria (quase sem exceção) a mulher ocupava um lugar de menor importância na escala social, na verdade em muitas dessas sociedades as mulheres eram tratadas de maneiras mais degradantes do que os prisioneiros de guerra.
E o que isso tem em relação ao tópico de hoje? Bem... em boa parte dessas sociedades os homens acabavam por ficarem mais “amigos” de outros homens... o que eu quero dizer é que em sociedades onde as mulheres não davam opinião nenhuma e os homens eram todos deuses tiranos que escolhiam o que queriam e não dava a mínima para o que os outros falavam, muitos deles acabam por admitir que era mais fácil ficar ao lado de outro homem do que de uma mulher que era obrigada a fazer o que ele queria... e sem reclamar.
Eu não estou estimulando os homens da sociedade atual (ao qual eu acho ser a que mais deu direitos as mulheres [graças às lutas que as mesmas fizeram ao logo de séculos]) a criarem uma sociedade machista e tirana que coloca as suas mulheres em uma pirâmide social onde elas são tratadas como escravas somente para que esses mesmos homens machistas possas se sentirem à vontade para optar por conviver com outro homem... até porque além de ser muito errado menosprezar um ser humano (no caso as mulheres) esse seria um motivo idiota para se criar uma nova sociedade...
Eu estou dizendo é que em algum ponto da escala evolutiva os homens e mulheres acabaram por se desentenderem e isso acabou chegando em um clima tão critico que se nada não for feito imediatamente a espécie humana não mais se reproduzirá por diversão...
Mas o que torna essa convivência tão difícil? Talvez homens e mulheres não devessem ficar juntos... Talvez os homens sejam realmente criaturas grosseiras que não entendem as mulheres... Talvez as mulheres que estejam erradas em querer modificar os homens para que eles sejam pessoas perfeitas aos seus olhos... Ou talvez nunca descubramos o que realmente está acontecendo...
Sabem, eu fiquei pensando um bom tempo para chegar a uma conclusão satisfatória. De acordo com ambos os lados dessa guerra (homens x mulheres) uma relação entre ambos os sexos é difícil porque nenhum dos lados entende o outro, ou seja, nem os homens compreendem a cabeça das mulheres como também as mulheres não entendem a cabeça dos homens. Mas isso é uma desculpa das mais esfarrapadas que eu já vi em toda a minha vida, para inicio de conversa eu gostaria de perguntar para qualquer pessoa que esteja lendo esse texto e que viva dizendo que “não entendo a cabeça dos/as homens/mulheres!” se você alguma vez já teve uma conversa com alguém do sexo oposto? E quando eu digo “conversa” eu estou me referindo a uma troca de informações onde todos os envolvidos dão e recebem dados de uma maneira cujo objetivo da conversa não seja movido por algum desses interesses: sexo, dinheiro, jóias, imóveis e veículos automotivos.
Eu gostaria que você, que não entende a cabeça do sexo oposto, tivesse uma conversa amigável com alguém do sexo oposto e que essa conversa não tivesse nenhum tipo de maldade como querer fazer sexo e/ou adquirir riquezas dessa pessoa. Fale sobre qualquer coisa, acontecimentos do cotidiano, opinião política, coisas interessantes a se fazer no final de semana, pratos favoritos, lugares que gostaria de ir e outros assuntos do gênero, pode-se até falar sobre o tempo... e do jeito que o mesmo anda maluco com todos esses tornados, tempestades, enchentes, terremotos falar sobre o tempo acabou por se tornar um assunto muito interessante para se iniciar uma boa conversa. Com o passar do tempo a primeira coisa que você irá perceber é que o rumo da conversa sempre diverge de acordo com o assunto. Se você fala sobre carros eles falam de desempenho e elas falam de design, se você fala sobre o final de semana eles falam de futebol, churrasco e televisão e elas falam de shopping, sair com as amigas e mesmo o tempo é um assunto que geraria divergências porque enquanto eles falariam o quão mais destrutivo um tornado é em relação a um tsunami elas iriam comentar sobre as pessoas que elas viram sofrendo por causa de uma desgraça dessas. É claro que homens podem também falar sobre design, shopping e pessoas sofrendo como as mulheres também podem fazer o mesmo, mas o que deve ser notado aqui é que homens e mulheres pensam de maneiras diferentes.
Tenho certeza que todos (ou pelo menos a maioria) já sabia que as mulheres/homens pensam diferente dos homens/mulheres... Na verdade isso é uma das coisas em que ambos concordam. Mas aí é que vem a minha dúvida, se a maioria já sabia que o sexo oposto pensa de uma maneira diferente então porque todos tentam averiguar uma situação pela lógica errada? Deixem-me eu me explicar, se um homem se reúne com outros homens, todos entre 10 e 90 anos, para assistir a um jogo de futebol, bebendo, torcendo, falando palavras de baixo calão direcionadas para todos que estejam no jogo (jogadores pernas de pau, goleiros mãos furadas, juízes ladrões, torcedores que geram violência, policiais que vem apaziguar a violência gerada pelos torcedores... sobra até mesmo pro vendedor de pipoca [sabe como é... você está lá com aquela vontade doída de comer pipoca e nunca tem um vendedor de pipoca por perto, batata frita então nem se fala...]) e não existe mulher no mundo (pelo menos a maioria das que eu conheça) que já não tenha se perguntado “o que é que os homens conseguem ver de divertido nessa zona toda?”. Mas como eu disse anteriormente homens e mulheres pensam de maneiras diferentes e é exatamente por isso que a maioria das mulheres não consegue ver a diversão que está atrás de um jogo de futebol... embora eu vá precisar usar outro exemplo porque eu, diferente da maioria dos homens, não gosto de futebol. Eu gosto de jogar futebol com os amigos no fim de semana, mas ver pela TV não tem a mesma graça.
Vamos pegar as lutas de boxe então, eu não tenho certeza se as mulheres gostam ou não (já que não é costumeiro encontrar lutas de boxe em canais da TV aberta e também porque não são tão cultuadas como em outros países como os Estados Unidos). Mas vamos criar a situação de que seja parecido como no caso do futebol, onde homens amam e as mulheres não gostam (mais pela algazarra feita pelos homens do que pelo esporte em si). Como na situação anterior as mulheres, em sua maioria, não entenderiam o que um bando de homens de varias faixas etárias, credos e religiões vêem de tão divertido em dois homens se espancando... bem, eu não sou um fã de boxe e nem assisti muitas lutas, mas tenho certeza de que a graça é justamente ver dois homens se espancando. Na verdade existe a grande possibilidade de que a graça esteja em ver um cara apanhando, já que é mais divertido ver alguém levando a pior. Tanto essa afirmação é verdade que não existe uma boa piada sem alguém sofrendo algum tipo de dor, vejam comigo: as melhores “Cacetadas do Faustão” não são as que têm um bebê fazendo meiguices ou um cão que come uma salsicha que colocaram em cima do focinho dele, são aquelas em que três imbecis caem ao mesmo tempo de pernas abertas em cima de um tronco daquelas sequóias milenares... Toda piada de português tem sua graça devido à comicidade de rir da burrice alheia, as piadas de político normalmente envolvem homens corruptos indo pro inferno, as piadas de corno então nem se fala. Enfim, para a maior parte do sexo masculino ver alguém sofrendo é divertido, então se torna compreensível ver uma luta onde alguém apanha, na verdade como o boxe é um esporte onde é preciso ter um peso parecido para se combater, os dois lutadores acabam por ter chances parecidas tornando-se um esporte onde DOIS apanham o que acaba por gerar o dobro do divertimento inicial.
Mas aí é que é o engraçado, eu acredito que se as mulheres assistissem um pouco daquilo que os homens gostam (futebol, boxe, basquete) elas iriam gostar também. Toda mulher também ri quando a sua melhor amiga escorrega de cima daquele salto alto que ela acabou de comprar, toda mulher também acha engraçado quando alguém paga um bom mico no meio de uma multidão, então não seria tão incomum assim ver uma mulher que goste de boxe ou de filmes de kung-fu. E quanto ao futebol tenho certeza que todo o preconceito por parte do sexo feminino está embasado na algazarra que a maioria dos homens fazem quanto estão assistindo a esses jogos, tanto é verdade que a cada dia que passa se torna mais comum ver mulheres assistindo aos jogos da arquibancada. Ou seja, eu não acredito que ninguém pagaria para ver algo que não gosta, por isso eu posso afirmar que vários passatempos ditos como predominantes dos homens podem ser muito apreciados pela a maioria das mulheres, é claro que sempre haverão exceções em ambos os sexos.
Do mesmo jeito a maioria dos homens não entende o que uma mulher ver de tão divertido em gastar horas em um shopping batendo perna para ver todas as roupas de todas as lojas e ainda por cima depois de catalogá-las voltar de novo na metade das lojas para olhar novamente as peças mais bonitas para no fim do dia não comprar absolutamente nada e ainda achar que foi um dia produtivo. E elas ainda olham as bijuterias, sapatos, brincos, anéis, colares, acessórios e outros. Bem, eu, diferente da maioria dos homens, gosto de bater perna no shopping olhando as roupas masculinas, a diferença é que eu só faço isso quando realmente preciso de uma roupa e já vou com a intenção de comprá-las sabendo exatamente o que eu quero e o que mais combina com a minha aparência e depois de combinar todos esses fatores juntamente com o preço e qualidade do material eu saio do shopping gastando o menor tempo e dinheiro o possível. Na verdade vai ser um pouco difícil explicar o sentimento que corre nas mulheres sobre esse tipo de coisa, mas irei tentar explicar. Pense em um shopping cheio de várias lojas, só que ao invés de roupas, jóias e acessórios esse shopping em especial fosse cheio de armas, acessórios de carros e eletrônicos. Imagine você podendo entrar em lojas que vendesses rifles, espingardas, metralhadoras, fuzis, facas de caça, espadas japonesas, estrelas ninjas (shurikens), sons automotivos que variam em cores, tamanhos, potências e a maioria deles tem aquelas telas em LCD que piscam luzes hipnóticas na medida em que o som é aumentado seguindo o ritmo da batida da música, pneus e calotas de todos os tipos e marcas nacionais e internacionais, carros importados de marcas como Ferrari, Porshe, Audi e outras e todos esses carros fossem mostrados ao lado de belas modelos. Imagine um lugar assim e me diga se não valeria apena andar em cada loja para averiguar cada artigo e suas particularidades, durabilidade e preço. Mesmo que no fim do dia você não comprasse nada, eu tenho certeza que você consideraria esse dia como um dia produtivo que além de divertido foi muito estimulante. Bem, esse é o sentimento que uma mulher tem quando ela entra em diversas lojas.
Como vocês podem ver, homens e mulheres podem facilmente entender o que o outro está pensando e ainda por cima gostar de fazer coisas que o sexo oposto goste. Então nada mais sensato do que deixar de culpar a mentalidade diferente do sexo oposto como alvo de criticas. É muito comum para qualquer pessoa achar que está certa em determinado assunto e apenas ignorar a opinião alheia e bloquear a sua mente para a explicação dos outros envolvidos só porque são do sexo oposto. Isso normalmente acontece quando um casal briga, um não quer ouvir a explicação do outro por achar que ela não é digna de credito e/ou mesmo que a idéia da explicação seja boa a pessoa acaba por pensar que “não vai nem adiantar ouvir porque eu não consigo entender os/as homens/mulheres!”. O que acontece é que a pessoa não quer descobrir que está errada ou mesmo afirmar que errou (muitas das vezes alguém que sabe que está errada age com agressividade para que assim, através de violência [verbal ou às vezes física] possa terminar uma discussão tendo a falsa idéia de que se o seu rival não conseguir suportar a sua agressividade e desistir essa pessoa, a pessoa agressiva, estará certa). Muitos já devem ter visto uma criança querer um doce e acabar por chorar, se debater, fazer chantagens emocionais somente para ter esse doce e no fim os pais dessa criança acabam por dar o doce para ela para evitar o constrangimento, no fundo os pais da criança sabem que não é saudável dar doces em demasia para a criança, mas acabam cedendo. Porém a criança acaba crescendo com a mentalidade de que ela pode vencer qualquer discussão apenas por ser agressiva e escandalosa, o problema é que algumas dessas crianças acabam por crescer pensando que elas estão certas desde o inicio e que todos esses métodos (gritos, choro, agressão, escândalos) são apenas meios justos que ela deve utilizar para lutar por seu direito de estar certa. No fim em ambos os casos as crianças viram adultos com a mentalidade de crianças.
Sabendo disso, devemos procurar abrir as nossas mentes para um bom dialogo onde cada uma das partes dê de forma civilizada a sua opinião e que assim ambos possam chegar a um fim em uma contradição, onde o importante não é saber quem está certo ou errado e sim localizar o problema e descobrir meios para acabar com eles.
Bem, no inicio do tópico eu pensava em escrever sobre algo diferente e acabei fugindo do tema principal. Faz um bom tempo que eu deixei de escrever e ainda por cima estou trabalhando nesse texto faz umas duas semanas. Não é saudável para a minha cabeça puxar tanto pela memória para poder lembrar onde eu parei na escrita, por isso o texto pode parecer confuso e eu tenho que pedir desculpas se ele não saiu tão bom quanto eu queria, mas eu prometo que vou melhorar.
Apesar do nome o Overdose Cerebral fala sobre assuntos do cotidiano comentados e discutidos sobre um ponto de vista diferente do usual. Espero que gostem das minhas postagens e que me enviem suas opiniões e sugestões para que o blog fique mais interativo e do jeito que você, meu caro leitor, goste. Eu aconselho que se leia as postagens em ordem de publicação, já que algumas foram criadas baseando-se em uma postagem antiga.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Romantismo
Olá a todos,
Esse é um dos tópicos lá do PDL. Eu achei interessante e resolvi postar aqui também.
Me perguntaram se eu era romântico e eis aí a minha resposta:
Bem... em relação ao ser romântico... deixa eu pensar... é... pensando bem... eu acho que sou um romântico sim... se não fosse eu acho que não conseguiria colocar tanta paixão naquilo que eu escrevo. Não conseguiria olhar para lua e perceber que ela está mais acolhedora do que na noite anterior (mesmo ambas parecerem iguais). Não conseguiria me sentir cansado depois de um dia de trabalho e querer me sentar em uma cadeira de balanço no meio de uma noite escura no meio do quintal e desligar as luzes da casa somente para poder relaxar e escutar o barulho que o vento faz quando acaricia as folhas das árvores e beija as flores das plantas. Não conseguiria parar para ver o quão trabalhoso é a caminhada de uma simples formiga que atravessa alguns metros de seu formigueiro até uma planta e não conseguir deixar de admirá-la quando ela novamente sai do formigueiro para repetir essa exaustante e enfadonha rotina e lembrar de pessoas que reclamam que não gostam de se levantar da cadeira para trocar de canal (é em uma situação como essa que eu vejo o quanto a humanidade tende a regredir...) e finalmente eu acho que sou um romântico porque apesar das decepções que a vida nos dá, apesar das rasteiras que você recebe, apesar das pessoas ficarem a cada dia que passa mais e mais temerosas em relação a ambição, raiva, medo e angustia que envenenam o coração humano, apesar do mundo estar morrendo com a poluição, apesar da natureza estar se revoltando contra a vida com suas tempestades, tornados, enchentes e desgraças, apesar da vida nova que nasce a cada dia em um corpinho frágil de um bebê estar condenada a viver em um mundo que está gradativamente destruindo o seu futuro e apesar das pessoas cada vez menos acreditarem que o amor existe no coração de cada um eu ainda consigo acordar todo dia de manhã e reclamar que ainda é muito cedo para se acordar e que a única coisa que me faz levantar da cama e encarar o chuveiro cuja a água é mais fria que o sangue que passa pelo coração de uma serpente no pólo norte É QUE EU VOU VIVER MAIS UM DIA!!
Hoje em dia as pessoas contam o tempo mais do que contam o dinheiro que recebem como salário. Elas normalmente iniciam a semana já contando quantos dias irá demorar até chegar o próximo fim de semana. Elas entram em seu trabalho e/ou escola pensando em quanto tempo irá demorar até elas chegarem em casa. Elas contam quanto tempo ainda tem de horário de almoço e reclamam arduamente quando este acaba e elas tem que voltar para o "inferno" que é a vida. Elas estão começando até a contar quanto tempo demora a sua diversão! Antes de ver um filme elas precisam saber quanto tempo ele demora. Antes de ler um livro elas primeiro vêem quantas páginas ele tem. E até mesmo quando colocam uma pipoca no microondas elas esperam em frente ao microondas até o tempo acabar, ou então ficam andando de um lado para outro e ficam dando olhadelas para o monitor do MC para ver quanto tempo falta.
O que as pessoas de hoje esqueceram é que o tempo que elas perdem contando o tempo poderia ser aproveitado de outra maneira. Eu pessoalmente não fico contando o tempo quando estou trabalhando, eu procuro aproveitá-lo ao invés disso. Eu não fico a toda hora olhando o relógio, eu procuro me divertir com o meu trabalho e procuro interagir com os meus colegas para que assim o meu trabalho seja tão animado que o tempo passe sem que eu perceba. Quando eu coloco uma pipoca no microondas eu nem me importo em ficar olhando quanto tempo falta para ela ficar pronta (exceto quando eu estou no cinema e o filme já está quase começando, aí eu fico feito um muleke pidão olhando para aquele timer e pensando “vai mais rápido criatura porque o inicio do filme é tão importante quanto o meio e o fim...”) eu vou ver os outro canais (eu normalmente faço pipoca em casa para assistir algum DVD) e vejo o que vai passar na TV e as vezes eu acabo assistindo um filme que está passando na TV para só depois começar a assistir o DVD (e em alguns casos eu também acabo esquecendo que tem pipoca pronta e quentinha no microondas...). Eu não me importo em saber quanto tempo um filme tem ou quantas páginas um livro possuí, na verdade enquanto eu leio um livro eu fico querendo que ele dure mais do que deveria porque como eu leio rápido eu acabo lendo ele em poucas horas e eu fico com aquela vontade de ler outro (quando eu li o “Príncipe Mestiço” eu fiquei doído para ler “As Relíquias da Morte” e mal consegui esperar o tempo passar...).
O que eu quero dizer é que as pessoas estão contando o tempo e estão se esquecendo de “aproveitar” o tempo! Enquanto elas ficam contando as horas o tempo continua a correr e se você não aproveitá-lo ele irá passar e você viverá apenas uma parte da vida e chegará a velhice com aquela sensação de que não viveu muito e que poderia ter feito muitas coisas as quais não fez!
Para aqueles que estão pensando “E o que isso tem haver com Romantismo?”. Eu só posso dizer que isso tem tudo haver com o Romantismo. O romântico é aquela pessoa que vê o amor em tudo e em todos e que não se deixa se desanimar pela tristeza daqueles que estão ao seu redor porque ele sabe que o dia que você vive hoje somente será valoroso se você lutar por ele. Se você simplesmente esperar que a alegria venha até você então você jamais irá encontrá-la porque ela está naquilo que você ama e gosta de fazer. E essas coisas não são jogadas em cima de você com quem fala “toma esse alegria de viver para você se sentir melhor!” e eu acredito que se isso acontecesse você não valorizaria essa dádiva e é por isso que se você não lutar por aquilo que deseja o seu trabalho irá continuar chato, o livro vai continuar muito grande e a pipoca vai continuar a demorar horrores para ficar pronta (exceto na situação do cinema... nessas situações ela sempre demora e sempre tem um cara que está na sua frente e vai comprar umas cinco pipocas!!).
Espero que todos comecem a aproveitar melhor o seu tempo porque eu já estou aproveitando o meu para imortalizar os meus pensamentos... (TRADUÇÃO: eu vou colocar isso aqui lá no Blog!!).
Esse é um dos tópicos lá do PDL. Eu achei interessante e resolvi postar aqui também.
Me perguntaram se eu era romântico e eis aí a minha resposta:
Bem... em relação ao ser romântico... deixa eu pensar... é... pensando bem... eu acho que sou um romântico sim... se não fosse eu acho que não conseguiria colocar tanta paixão naquilo que eu escrevo. Não conseguiria olhar para lua e perceber que ela está mais acolhedora do que na noite anterior (mesmo ambas parecerem iguais). Não conseguiria me sentir cansado depois de um dia de trabalho e querer me sentar em uma cadeira de balanço no meio de uma noite escura no meio do quintal e desligar as luzes da casa somente para poder relaxar e escutar o barulho que o vento faz quando acaricia as folhas das árvores e beija as flores das plantas. Não conseguiria parar para ver o quão trabalhoso é a caminhada de uma simples formiga que atravessa alguns metros de seu formigueiro até uma planta e não conseguir deixar de admirá-la quando ela novamente sai do formigueiro para repetir essa exaustante e enfadonha rotina e lembrar de pessoas que reclamam que não gostam de se levantar da cadeira para trocar de canal (é em uma situação como essa que eu vejo o quanto a humanidade tende a regredir...) e finalmente eu acho que sou um romântico porque apesar das decepções que a vida nos dá, apesar das rasteiras que você recebe, apesar das pessoas ficarem a cada dia que passa mais e mais temerosas em relação a ambição, raiva, medo e angustia que envenenam o coração humano, apesar do mundo estar morrendo com a poluição, apesar da natureza estar se revoltando contra a vida com suas tempestades, tornados, enchentes e desgraças, apesar da vida nova que nasce a cada dia em um corpinho frágil de um bebê estar condenada a viver em um mundo que está gradativamente destruindo o seu futuro e apesar das pessoas cada vez menos acreditarem que o amor existe no coração de cada um eu ainda consigo acordar todo dia de manhã e reclamar que ainda é muito cedo para se acordar e que a única coisa que me faz levantar da cama e encarar o chuveiro cuja a água é mais fria que o sangue que passa pelo coração de uma serpente no pólo norte É QUE EU VOU VIVER MAIS UM DIA!!
Hoje em dia as pessoas contam o tempo mais do que contam o dinheiro que recebem como salário. Elas normalmente iniciam a semana já contando quantos dias irá demorar até chegar o próximo fim de semana. Elas entram em seu trabalho e/ou escola pensando em quanto tempo irá demorar até elas chegarem em casa. Elas contam quanto tempo ainda tem de horário de almoço e reclamam arduamente quando este acaba e elas tem que voltar para o "inferno" que é a vida. Elas estão começando até a contar quanto tempo demora a sua diversão! Antes de ver um filme elas precisam saber quanto tempo ele demora. Antes de ler um livro elas primeiro vêem quantas páginas ele tem. E até mesmo quando colocam uma pipoca no microondas elas esperam em frente ao microondas até o tempo acabar, ou então ficam andando de um lado para outro e ficam dando olhadelas para o monitor do MC para ver quanto tempo falta.
O que as pessoas de hoje esqueceram é que o tempo que elas perdem contando o tempo poderia ser aproveitado de outra maneira. Eu pessoalmente não fico contando o tempo quando estou trabalhando, eu procuro aproveitá-lo ao invés disso. Eu não fico a toda hora olhando o relógio, eu procuro me divertir com o meu trabalho e procuro interagir com os meus colegas para que assim o meu trabalho seja tão animado que o tempo passe sem que eu perceba. Quando eu coloco uma pipoca no microondas eu nem me importo em ficar olhando quanto tempo falta para ela ficar pronta (exceto quando eu estou no cinema e o filme já está quase começando, aí eu fico feito um muleke pidão olhando para aquele timer e pensando “vai mais rápido criatura porque o inicio do filme é tão importante quanto o meio e o fim...”) eu vou ver os outro canais (eu normalmente faço pipoca em casa para assistir algum DVD) e vejo o que vai passar na TV e as vezes eu acabo assistindo um filme que está passando na TV para só depois começar a assistir o DVD (e em alguns casos eu também acabo esquecendo que tem pipoca pronta e quentinha no microondas...). Eu não me importo em saber quanto tempo um filme tem ou quantas páginas um livro possuí, na verdade enquanto eu leio um livro eu fico querendo que ele dure mais do que deveria porque como eu leio rápido eu acabo lendo ele em poucas horas e eu fico com aquela vontade de ler outro (quando eu li o “Príncipe Mestiço” eu fiquei doído para ler “As Relíquias da Morte” e mal consegui esperar o tempo passar...).
O que eu quero dizer é que as pessoas estão contando o tempo e estão se esquecendo de “aproveitar” o tempo! Enquanto elas ficam contando as horas o tempo continua a correr e se você não aproveitá-lo ele irá passar e você viverá apenas uma parte da vida e chegará a velhice com aquela sensação de que não viveu muito e que poderia ter feito muitas coisas as quais não fez!
Para aqueles que estão pensando “E o que isso tem haver com Romantismo?”. Eu só posso dizer que isso tem tudo haver com o Romantismo. O romântico é aquela pessoa que vê o amor em tudo e em todos e que não se deixa se desanimar pela tristeza daqueles que estão ao seu redor porque ele sabe que o dia que você vive hoje somente será valoroso se você lutar por ele. Se você simplesmente esperar que a alegria venha até você então você jamais irá encontrá-la porque ela está naquilo que você ama e gosta de fazer. E essas coisas não são jogadas em cima de você com quem fala “toma esse alegria de viver para você se sentir melhor!” e eu acredito que se isso acontecesse você não valorizaria essa dádiva e é por isso que se você não lutar por aquilo que deseja o seu trabalho irá continuar chato, o livro vai continuar muito grande e a pipoca vai continuar a demorar horrores para ficar pronta (exceto na situação do cinema... nessas situações ela sempre demora e sempre tem um cara que está na sua frente e vai comprar umas cinco pipocas!!).
Espero que todos comecem a aproveitar melhor o seu tempo porque eu já estou aproveitando o meu para imortalizar os meus pensamentos... (TRADUÇÃO: eu vou colocar isso aqui lá no Blog!!).
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Eu te amo
Olá a todos,
Novamente eu estou aqui para falar sobre um pensamento que me veio durante um dos meus interessantes momentos da vida... lá estava eu sentado em uma cadeira quando uma dúvida atravessou a minha cabeça como um raio!! Ficaram curiosos?! Espero que sim, caso contrário isso significaria que eu talvez estivesse escrevendo algo enfadonho e isso é a ultima coisa que eu iria querer.
Eu tinha ido para a minha aula de inglês e estava tudo indo bem... hummm... sabe, quando eu digo que “estava tudo indo bem” eu quero dizer que “não havia nada de incomum acontecendo” e conseqüentemente se a aula é uma zona então no momento em que a aula se torna pacífica ela automaticamente deixa de ser uma aula em que tudo “está indo bem”. Porém algo que me impressiona até os dias de hoje é que na minha aula de inglês existem apenas dois alunos e eu já estou contando comigo.
Deixe-me eu explicar, eu estudo em uma escola de reconhecimento nacional... na verdade eu acho que ela tem filiais em outros países também... tomara que a minha diretora/ex-professora/atual colega de academia não esteja lendo esse tópico, caso contrário ela pode ficar chateada por eu não saber muito sobre a minha própria escola. Continuando, essa escola que fica aqui no meu estado tem uma matriz (onde eu não faço a menor idéia de quantos alunos estudam lá...) e a filial que foi aberta muito recentemente que é onde eu estou estudando atualmente. E é engraçado eu estar explicando o fato da minha turma (a menor de todas que eu já vi [inclusive nesse próprio colégio porque as outras turmas parecem ser maiores {no mínimo com cinco pessoas}]) ter apenas dois alunos porque eu nunca vi as turmas que são formadas no colégio matriz e não sei se é tão incomum assim ter uma turma com tão poucos alunos.
Continuando novamente, como na minha sala existem apenas dois alunos a aula flui com mais facilidade porque a professora pode nos dar mais atenção e temos até momentos de descontração durante a aula onde podemos conversar (em inglês é claro!) sobre coisas da vida para relaxar um pouquinho, novamente espero que a minha diretora/ex-professora/atual colega de academia/talvez futura amiga brava não esteja lendo isso. E lá estava eu com uma cara de sono extremo me esforçando ao máximo não dormir durante a aula quando a minha professora me viu e pensou que eu estava triste e me perguntou o porque de eu estar com aquela cara de cão sem dono.
Eu estava pensando sobre como descrever a situação que eu estava vivendo quando me veio em minha mente uma boa interrogação. Por que ela confundiu a minha cara de sono com uma cara de tristeza? Eu aqui estou eu pensando nessa bronca. E acabo de notar que muitas vezes uma cara de sono é confundida com uma cara de tristeza. As vezes uma cara de nojo pode ser confundida com uma cara de dor. E até mesmo um espirro pode ser confundido com uma tosse ou uma risada pode ser confundida com um ataque epilético. Apesar de ser um bom assunto, talvez até gere um bom tópico a parte (desses que eu crio toda semana [exceto uma semana em especial que eu acabei não criando tópico nenhum {até porque ele se transformou de um tópico singelo em um tópico gigante!!}]) eu estou criando uma nova política de não viajar na maionese enquanto se cria um novo tópico para que este não sai atrasado, talvez fumar um pouquinho de grama durante a criação, mas viajar na maionese com direito de inalar pó de pipoca JAMAIS!! (talvez se eu não conseguir me segurar...)
Continuando de novo, eu acredito que certas faces são confundidas por causa de suas características únicas e/ou falta de características e/ou semelhanças com características de faces diferentes. Sabe... eu acho que compliquei demais... deixa eu descomplicar um pouco. Vou tomar como exemplo uma amiga minha, ela simplesmente NÃO RI! Obviamente se eu contar uma piada ela irá dar uma boa risada, mas ela não é o tipo de pessoa que fica com um bom sorriso na cara, ou seja, ela pode estar muito triste ou muito alegre, mas a expressão facial que ela demonstra é a mesma! Todo mundo que a vê pensa que ela é uma pessoa triste e aqueles que a conhecem perguntam o porque de ela nunca sorrir, ela simplesmente responde algo como “o fato de eu não sorrir o tempo todo não faz de mim uma pessoa triste!”. Acho que ninguém a compreendia direito, mas eu acho que entendia... era como se ela se sentisse confortável com a expressão dela e nunca tivesse dado muita importância em sorrir quando estava feliz, por isso ela acabou não desenvolvendo a habilidade de se expressar pela expressão facial, mas isso não significa que ela era uma pessoa triste, ela só “parecia” estar triste. E como eu acredito que é o interior que importa (em determinados casos, é claro!) eu nunca me importei muito com isso.
Agora que eu reli o parágrafo anterior eu acabei percebendo que eu não expliquei nada sobre a primeira frase... Bem, eu quis dizer que algumas pessoas tem naturalmente uma cara que engana. Por exemplo, o buldogue (raça canina) sempre parece ser um cachorro bravo, violente e de poucos amigos com aquela cara amassada, mas no fundo eles são muito carinhosos. Essa foi a explicação da primeira parte da frase. Existem também outras pessoas e criaturas cuja expressão facial adquire traços característicos de outras faces. Por exemplo, existem pessoas que tem os olhos semi abertos e puxados para baixo (como eu) e estes parecem com olhos de pessoas tristes (é só lembrar os olhos do Silvéster Stallone), sendo assim toda vez que esse tipo de pessoa não está sorrindo (com cara de sono por exemplo) ela irá se parecer com uma pessoa que está triste. E essa foi a explicação para a segunda parte da primeira frase do parágrafo anterior.
E foi por isso que a minha professora pensou que eu estava triste quando na verdade eu estava com sono. Pronto! Finalmente respondi a minha pergunta a qual você, meus caros leitores, não precisavam saber a resposta se não quisessem e/ou se já sabiam da mesma. Desculpem-me se eu os fiz ler três parágrafos desnecessários.
Continuando (O Retorno), ela comentou que eu estava com uma cara triste e quis saber o porquê. Antes de continuar eu devo contar um pouco da minha relação com os professores dessa minha escola de inglês. Ela fica em um apartamento de um prédio residencial e comercial. É um apartamento de tamanho médio e lá eu já tive aula com uns cinco professores diferentes, isso porque devido ao horário tanto dos alunos como os dos professores eles acabam dando um semestre e trocando de lugar com outro professor, mas ainda assim de vez em quando um desses professores antigos aparece por lá para substituir um outro professor que não pôde comparecer.
Existem duas salas de aulas (o que é suficiente para atender a demanda) e enquanto eu tenho aula na sala A existem outra turma tendo aula na sala B (uma turma para crianças), por isso sempre tem dois professores por lá quando eu vou ter a minha aula. Dois professores e mais a secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava. É engraçado falar dela porque toda vez que eu chego lá e fico parado na frente do vidro fumê eu a vejo chegar perto da porta (a porta fica trancada e é aberta por dentro toda vez que eu chego...) com aquela cara de morte e somente depois que ela abre a porta ela dá um sorrisinho e isso se ela der... Todas as vezes que eu vou lá eu falo isso para ela e digo que ela tem que sorrir mais. Na hora até que ela sorri um pouco e reclama um pouco também, mas depois ela volta para aquela cara de preocupada.
Continuando (Forever), a minha professora me perguntou o porquê de eu estar triste e eu falei para ela em tom de brincadeira que eu estava triste porque a secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico não sorria quando eu chegava e isso me deixava triste. O problema começou aí, já que ela pensou que eu estava falando sério. E a primeira coisa que veio na cabeça dela era que eu estava apaixonado por ela (secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando) e foi exatamente isso que ela me perguntou.
A secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando (mesmo tendo um sorriso bonito) é uma pessoa bonita, da minha idade, não faço a menor idéia se ela é descompromissada e eu vi naquele momento que talvez eu realmente estivesse apaixonado por ela. No momento em que ela me perguntou isso a aula tinha acabado de acabar (se eu me lembro bem...) e eu tive um daqueles momentos de lampejo. Momento o qual eu normalmente me entrego de corpo e alma em uma batalha incessante entre minhas várias personificações mentais (ver tópico “Chateação II”) para chegar em uma conclusão sobre essa questão que se formou em minha cabeça: “Eu amo a secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando (mesmo tendo um sorriso bonito)/que poderá se interessar por essa parte do meu tópico já que a mesma está diretamente ligada a ela [caso queiram saber eu a chamo desse nome longo que acaba crescendo e crescendo por dois motivos simples. O primeiro é que eu não quero citar o nome dela, que é relativamente curto, porque ela não me autorizou a fazer isso. E o segundo motivo é que dessa maneira é mais engraçado e estimula a minha criatividade])?!”.
Eu não sei se isso acontece somente comigo, mas de vez em quando eu me pergunto se o que eu sinto por uma pessoa é amor ou amizade. Já houve casos em que eu pensei estar apaixonado e na verdade o que eu sentia era apenas amizade. Foi então que eu usei o meu “Fantástico Método Ainda Não Padronizado e em Fase de Testes de Como Resolver uma Questão Longa e Complicada”. Bem, eu preciso dar uma leve explicação sobre esse método. Eu sempre dialoguei bastante (comigo mesmo normalmente) para resolver uma questão e em boa parte dos casos uma questão levava a outra e tudo acabava não dando em nada. Daí eu resolvi criar esse método para que eu possa resolver a questão da melhor maneira possível sem fritar o meu cérebro.
O primeiro passo do método é ser objetivo e criar uma pergunta que responda tudo. Eu tenho um grande ditado e ele diz que “as pessoas não sabem o que realmente querem da vida. Normalmente porque elas pensam em “como” conseguir algo e não “o que é” esse algo” (frase de minha autoria). Vejam bem, o maior desejo que muitos tem é “ganhar na mega-sena”. Mas eu SEI que isso na verdade é apenas uma ilusão. Veja bem, saiu uma reportagem (eu não lembro onde) e apareceu nessa reportagem o que se deu de muitas pessoas que ganharam na mega-sena. Muito deles perderam todo o dinheiro porque não souberam como gasta-lo. Teve um cara que gastou tudo comprando um bocado de carros novos e pagou tudo a vista. No fim ele perdeu a grana toda nessas porcarias e eu nem sei o que ele fez com esse monte de carros. Teve outro cara que gastou tudo investindo em um time de futebol do interior e não importou o quanto ele investiu o time não ganhou nada e ele faliu. Viram?! Essas pessoas poderiam ter pedido “saber como gastar o dinheiro” ao invés de querer ganhar na “mega-sena”. Ou simplesmente pedir “ganhar tanto dinheiro no meu emprego que eu não consiga gasta-lo”, mas esse pedido também é falho porque você poderia acabar tendo um grande emprego em uma multinacional e ter que trabalhar 16 horas por dia sem folgas e acabaria não tendo tempo para se divertir e muito menos para gastar o seu dinheiro. É baseado nessa informação que eu preciso primeiro criar a pergunta certa e somente assim ter a resposta certa. Uma resposta que resolva todas as minhas dúvidas. Uma resposta que não abra brechas para eu criar novas dúvidas futuras.
No fim eu sou um mero humano e por causa disso eu ainda não consigo fazer perguntas tão boas assim, mas eu consigo fazer perguntas aceitáveis (até porque o meu “Fantástico Método Ainda Não Padronizado e em Fase de Testes de Como Resolver uma Questão Longa e Complicada” está ainda em fase de testes e criação. Eu acabei criando uma pergunta que acabou não sendo aquilo que eu esperava ser (na verdade o meu pensamento sempre voa para lugares que eu não esperava ver [depois eu crio um tópico falando somente sobre o meu “Fantástico Método Ainda Não Padronizado e em Fase de Testes de Como Resolver uma Questão Longa e Complicada”]). A pergunta que eu criei para resolver a questão é “o que diferencia a amizade do amor?!”.
Acho que quem vê de fora (fora do meu pensamento...) acha que essa é uma pergunta que não resolverá nada... talvez existam pessoas (espero que muitas) que tenham pegado a idéia da pergunta logo de primeira, pois é isso que eu quero. Eu quero criar uma pergunta a qual respondida possa resolver todo o problema e que seja uma pergunta tão simples que não se precise pensar durante horas para se obter a resposta e ao mesmo tempo seja algo tão poderoso que possa ser escrito um livro sobre ela. É claro que uma pergunta apenas não gerará todas as respostas que o mundo precise, mas espero que ela resolva todas as dúvidas sobre o assunto sobre o qual ela foi criada (caso queiram saber, o assunto da pergunta é tão importante quanto a própria pergunta. O assunto é “amor ou amizade?!”).
Após criada a pergunta eu comecei a trabalhar mentalmente para resolve-la. Eu devo dizer que quando eu escrevo, eu procuro mostrar o máximo de detalhes o possível para passar para os meus leitores o exato sentimento que eu passei naquele momento, mas por causa disso algo que durou uns 10 segundos acabou gerando 4 páginas de texto na fonte tamanho 10. É isso mesmo! Durante todo esse texto eu descrevi os primeiros 10 segundos da situação e isso inclui a pergunta da minha professora sobre eu estar triste, a minha resposta, a outra pergunta dela (sobre eu amar a... vocês sabem quem [deve estar chato pacas eu escrever “secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando (mesmo tendo um sorriso bonito)/que poderá se interessar por essa parte do meu tópico já que a mesma está diretamente ligada a ela/isso se ela chegar a ler esse blog (já que eu ainda não divulguei o blog para os meus amigos...)”] e o que resultou o meu pensamento durante os 3 segundo seguintes a pergunta dela. As coisas na minha cabeça funcionam muito rapidamente, principalmente se eu preciso de uma resposta para uma pergunta imediata. Por isso eu já estava finalizando o meu pensamento sobre a questão quando nós (eu, a minha professora e a minha irmã [ela é a outra aluna da minha classe]) tínhamos chegado ao salão de entrada onde estavam a secretária (eu me cansei de escrever aquele nome grandão...) e o professor da sala B que também tinha acabado de dar a aula dele (inclusive todos os alunos dele já tinham ido embora). O problema agora era explicar resumidamente o resultado do meu pensamento para responder a pergunta. Agora é que vem o verdadeiro problema. Como eu vou explicar resumidamente um pensamento? Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. E eu digo que “um pensamento não pode ser medido” (frase de minha autoria). E se for um pensamento sobre um sentimento... então eu poderia afirmar que este pensamento pode se tornar tão extenso que mesmo que o sol do nosso sistema solar fosse ligado em um computador para lhe fornecer energia ele não conseguiria mantê-lo ligado tempo o suficiente para que eu (ou qualquer pessoa no mundo) pudesse explicar com 100% de detalhes esse pensamento em um livro.
Mas não existe ser humano no mundo que tenha conseguido viver mais que o sol então eu deverei ser sucinto e explicar a vocês, meus caros leitores, o que eu expliquei para todos que estavam naquele saguão de entrada. Eu cortarei alguns fatos do que ocorreu lá porque eu guardei um pouco do material desse tópico para falar em outro tópico porque ele está ficando muito grande.
É aqui que começa o verdadeiro motivo para que eu começasse a escrever esse tópico (nota: é madrugada e a TV está muito alta e está difícil pensar... talvez eu deixe esse tópico para ser escrito amanhã mas eu queria terminar de criar esse tópico ainda hoje...)... E o pior é que depois de dar uma “revisada mental” sobre tudo o que resta escrever eu acabei descobrindo que ainda falta muito para escrever. Sendo assim eu resolvi deixar para escrever o resto amanhã já que eu acredito que se eu continuar escrevendo agora (quando eu estou fisicamente e mentalmente cansado) o tópico não terá a mesma qualidade que ele teria se eu o escreve quando estivesse descansado.
... Agora sim! Depois de ter dormido uma boa noite de sono e acordar renovado eu estou pronto para continuar!
Então não vamos perder mais tempo e vamos logo para a resposta da pergunta “o que diferencia a amizade do amor?!”. Bem, em primeiro lugar eu tive que elaborar uma explicação para a “amizade” e o “amor”. Para mim a amizade é quando você gosta da presença de uma pessoa e a quer bem. Você gosta dessa pessoa e a quer do seu lado para conversar, desabafar, fazer coisas juntas (como jogar, ir ao shopping, ver filmes). No fim a amizade é quando você gosta de alguém e esse alguém também sente esse sentimento por você, caso contrário isso seria algum tipo de ilusão onde apenas uma pessoa gosta da outra e a outra ignora essa pessoa.
E o amor é a mesma coisa da amizade só que em um nível mais carnal. Eu vejo o amor como um tipo especial de amizade (amor em relação ao ficar, namorar, noivar, casar e morrer junto [ou qualquer um dos segmentos anteriores não precisando seguir essa ordem e/ou cumprir o roteiro inteiro]) onde ambas as partes estão de acordos com um contrato não escrito em que permitem ao amigo (atual ficante, namorado, noivo ou esposo) lhe dar carícias as quais são intimas demais para serem dadas por um amigo qualquer. E esse contrato é um contrato de exclusividade, no momento em que ele é firmado você está jurando lealdade eterna durante o relacionamento.
Foi depois que eu estipulei o que é a amizade e o que é o amor é que eu percebi que ambos são muito parecidos e que o que muda entre eles é apenas o jeito como cada um se relaciona. Só então eu percebi que a amizade é um “tipo” de amor. Eu realmente havia esquecido isso por um momento, o amor pode ser demonstrado de várias formas diferentes! Você sente amor pelo seu amigo, pelos seus pais, pelo seu namorado, pelo seu cachorro e até mesmo por pessoas que você vê sofrendo de fome e desgraças na TV. O problema é que hoje em dia a palavra “amor” parece estar sendo usada apenas para designar pessoas que querem ter um relacionamento (ficar, namorar, noivar e casar). Tanto é verdade que se você chegar com um amigo seu e lhe perguntar se ele te ama ele vai logo pensar no “mau sentido” (embora eu ache que não exista mau sentido quando se fala em amor verdadeiro).
Mas se amar o seu namorado é quase a mesma coisa que ter um amigo (no sentido de que ambos são um tipo de “amar”), então qual é a diferença entre “amor” e “amizade”?!
O amor é um sentimento e este sentimento pode ser interpretado e exercido de diversas maneiras. O amor que você sente pelos seus pais não é o mesmo pelo qual você sente pelo seu amigo assim como não é o mesmo que você sente pelo seu namorado. Sendo assim um amigo não poderá ser amado como um pai, obviamente que existem pessoas as quais que você ama de tal maneira que elas mudam de posição na sua vida amorosa (vida amorosa = a vida que você leva com todas as pessoas que você ama [incluindo os seus parentes e amigos]). Pessoas como por exemplo um amigo muito querido seu que você o ama com mais intensidade e acaba amando ele de uma maneira diferente, você acaba amando ele como se ele fosse um irmão para você.
E foi pensando nisso que eu acabei percebendo que existem níveis diferentes de se amar. Vejam bem, esses níveis são como uma teia de aranha onde de um ponto central partem diferentes ramificações que representam uma maneira diferente de se amar. Deixem-me explicar: o ponto central dessa teia de aranha que é de onde saem todos os fios é representado pela amizade. A amizade é a base do amor, para você amar alguém você precisa ser NO MÍNIMO um amigo para ela.
Dessa amizade saem o amor dos pães, dos irmãos, dos amigos íntimos, da namorada e cada tipo de amor desse (sendo que podem existir outros) segue uma teia diferente que sai do ponto central da teia. Depois que um fio desse sai do centro ele pode seguir diferentes caminhos até chegar no fim da teia que normalmente terminha em um galho de árvore. Vamos pegar um exemplo simples:
Você ama uma pessoa e esse pessoa é considerada automaticamente seu amigo se ela também te amar. Daí você vira um amigo intimo para ela (você avança do centro da teia para um das teias adjacente até chegar em uma encruzilhada). Nessa encruzilhada você pode seguir diferentes caminhos. Você pode ser amado como um irmão ou como um namorado. Esse é um exemplo bem simples de como as coisas funcionam.
Então respondendo a minha pergunta “o que diferencia a amizade do amor?!” eu diria que o amor da amizade e o amor do namoro se diferenciam na sua intensidade, tipo e de sua maneira de expressar. Assim o amor do namoro é um amor mais intenso, cujo o tipo é aquele em que você quer ficar do lado dessa pessoa (sua amada) para o resto de sua vida e que você o demonstra de uma maneira a qual você não poderia demonstrar como um mero amigo (com beijos e caricias).
O problema dessa historia toda é quando alguém ama outra pessoa e esta não a ama da mesma maneira (e as vezes ela sequer ama a primeira pessoa [isso acontece quando os dois não são amigos e um não conhece o outro e este a ama loucamente e não tem coragem de falar isso]). Dessa maneira as pessoas tem medo de revelar os seus sentimentos e temem que ao fazê-lo a outra pessoa (a amada) o trate de maneira diferente e acabe por não considerá-lo mais um amigo (e muito menos um namorado). Mas eu digo que se vocês forem amigos de verdade isso não irá acontecer. Essa pessoa pode até te tratar diferente por não te amar da maneira como você a ama, mas vocês nunca deixaram de ser amigos por causa disso, talvez a amizade de vocês até fique mais forte. Mas eu não sou dono da verdade e pode ser que essa pessoa deixe de ser a sua amiga, mas eu acredito que isso ocorra por causa de alguns fatores.
O primeiro desses fatores é que no fundo vocês não eram amigos e/ou o amor que vocês sentiam um pelo outro não era tão forte assim (pelo menos um de vocês acaba por não amar o outro o suficiente para se manter uma amizade) e isso acaba por quebrar o laço de amizade que uniam vocês. O outro fator é que um de vocês (normalmente o apaixonado) não consegue manter “somente” uma amizade e não consegue manter essa proximidade e acaba achando melhor manter distância, até porque essa distância pode ajudar o coração a sofrer menos. O ultimo motivo que me vem a cabeça é que depois de revelado o desejo de amar como uma pessoa especial um ou os dois acaba por agir de uma maneira diferente e isso diminui o poder da amizade. Tudo o que eu posso dizer é que “é melhor amar e sofrer por amor do que nunca ter amado” (não sei de quem é a autoria dessa frase), e por isso é melhor você se revelar do que sofrer por algo que você não tentou. É claro que se a garota já estiver namorando é melhor você esperar que isso termine, caso não termine e ela acabar ficando noiva do cara então é melhor você se contentar e partir para outra porque se isso aconteceu então ela deve estar feliz com ele. Só que se você sentir que o seu amor é mais forte do que qualquer barreira que possa ser imposta em seu caminho, se você sentir que o seu espírito não conseguirá ser feliz ao lado de outra pessoa, se você sentir que o seu corpo queima na presença dela, ENTÃO VÁ A LUTA!! Isso mesmo! Não se amedronte por ela estar namorando, ou mesmo se ela estiver noiva (se estiver casada eu acho que é melhor você ir com cuidado...) se declare e diga o quanto o seu amor é grande. Talvez ela seja mais feliz ao seu lado do que ao lado dele, mas de uma coisa eu tenho certeza... VOCÊ NUNCA SABERÁ SE NÃO TENTAR!! (o problema é que falar é fácil, o difícil é fazer [escrever então nem se fala...]).
Comigo acontece algo peculiar. O meu amor é infinito e por causa disso eu distribuo ele facilmente, e isso chega a ser ruim. Eu não posso conversar com uma pessoa por 1 minuto que eu já o considero meu amigo. Eu também não consigo ficar com raiva de uma pessoa por muito tempo, eu quando deixo de me controlar eu fico muito explosivo (porque eu sou daquele tipo que dá um boi para não entrar em uma briga, mas dá uma boiada para não sair dela), mas depois de algumas horas e já esqueci tudo. Eu já considero um amigo intimo aquele com quem eu falo todos os dias (tirando os finais de semanas e feriados) durante um mês.
O que acontece é que por causa disso eu tenho um coração muito aberto e considero toda amiga minha (que esteja descompromissada, tenha um bom senso de humor e que quando nós conversamos a conversa flua naturalmente) uma namorada em potencial. É um tanto difícil para mim dizer com 100% de certeza se eu estou apaixonado por alguém porque com um coração aberto como o meu eu posso estar apaixonado por qualquer pessoa e não saber... E por causa disso eu também via a minha amiga como futura namorada, até porque eu posso facilmente me imaginar uns 20 anos no futuro, e se eu conseguir me imaginar nesse futuro de 20 anos a frente casado com essa pessoa, então eu posso supor que eu estou apaixonado. E eu poderia me imaginar casado com ela.
No fim eu disse algo como:
-O amor e a amizade são formas de amar e é por isso que eu digo que eu amo ela (isso eu falando na frente de todos depois de ter explicado a situação em que a minha professora me meteu). Hoje em dia as pessoas parecem ter esquecido o verdadeiro significado da palavra “amor”. Dizer que você ama alguém não deve ser interpretado com malicia e sim como algo bom.
Eu acredito que todos me entenderam. Eu acho que eles ficaram na dúvida se eu a amava como namorada ou somente como amiga, mas eu preferi deixar a dúvida no ar...
Novamente eu estou aqui para falar sobre um pensamento que me veio durante um dos meus interessantes momentos da vida... lá estava eu sentado em uma cadeira quando uma dúvida atravessou a minha cabeça como um raio!! Ficaram curiosos?! Espero que sim, caso contrário isso significaria que eu talvez estivesse escrevendo algo enfadonho e isso é a ultima coisa que eu iria querer.
Eu tinha ido para a minha aula de inglês e estava tudo indo bem... hummm... sabe, quando eu digo que “estava tudo indo bem” eu quero dizer que “não havia nada de incomum acontecendo” e conseqüentemente se a aula é uma zona então no momento em que a aula se torna pacífica ela automaticamente deixa de ser uma aula em que tudo “está indo bem”. Porém algo que me impressiona até os dias de hoje é que na minha aula de inglês existem apenas dois alunos e eu já estou contando comigo.
Deixe-me eu explicar, eu estudo em uma escola de reconhecimento nacional... na verdade eu acho que ela tem filiais em outros países também... tomara que a minha diretora/ex-professora/atual colega de academia não esteja lendo esse tópico, caso contrário ela pode ficar chateada por eu não saber muito sobre a minha própria escola. Continuando, essa escola que fica aqui no meu estado tem uma matriz (onde eu não faço a menor idéia de quantos alunos estudam lá...) e a filial que foi aberta muito recentemente que é onde eu estou estudando atualmente. E é engraçado eu estar explicando o fato da minha turma (a menor de todas que eu já vi [inclusive nesse próprio colégio porque as outras turmas parecem ser maiores {no mínimo com cinco pessoas}]) ter apenas dois alunos porque eu nunca vi as turmas que são formadas no colégio matriz e não sei se é tão incomum assim ter uma turma com tão poucos alunos.
Continuando novamente, como na minha sala existem apenas dois alunos a aula flui com mais facilidade porque a professora pode nos dar mais atenção e temos até momentos de descontração durante a aula onde podemos conversar (em inglês é claro!) sobre coisas da vida para relaxar um pouquinho, novamente espero que a minha diretora/ex-professora/atual colega de academia/talvez futura amiga brava não esteja lendo isso. E lá estava eu com uma cara de sono extremo me esforçando ao máximo não dormir durante a aula quando a minha professora me viu e pensou que eu estava triste e me perguntou o porque de eu estar com aquela cara de cão sem dono.
Eu estava pensando sobre como descrever a situação que eu estava vivendo quando me veio em minha mente uma boa interrogação. Por que ela confundiu a minha cara de sono com uma cara de tristeza? Eu aqui estou eu pensando nessa bronca. E acabo de notar que muitas vezes uma cara de sono é confundida com uma cara de tristeza. As vezes uma cara de nojo pode ser confundida com uma cara de dor. E até mesmo um espirro pode ser confundido com uma tosse ou uma risada pode ser confundida com um ataque epilético. Apesar de ser um bom assunto, talvez até gere um bom tópico a parte (desses que eu crio toda semana [exceto uma semana em especial que eu acabei não criando tópico nenhum {até porque ele se transformou de um tópico singelo em um tópico gigante!!}]) eu estou criando uma nova política de não viajar na maionese enquanto se cria um novo tópico para que este não sai atrasado, talvez fumar um pouquinho de grama durante a criação, mas viajar na maionese com direito de inalar pó de pipoca JAMAIS!! (talvez se eu não conseguir me segurar...)
Continuando de novo, eu acredito que certas faces são confundidas por causa de suas características únicas e/ou falta de características e/ou semelhanças com características de faces diferentes. Sabe... eu acho que compliquei demais... deixa eu descomplicar um pouco. Vou tomar como exemplo uma amiga minha, ela simplesmente NÃO RI! Obviamente se eu contar uma piada ela irá dar uma boa risada, mas ela não é o tipo de pessoa que fica com um bom sorriso na cara, ou seja, ela pode estar muito triste ou muito alegre, mas a expressão facial que ela demonstra é a mesma! Todo mundo que a vê pensa que ela é uma pessoa triste e aqueles que a conhecem perguntam o porque de ela nunca sorrir, ela simplesmente responde algo como “o fato de eu não sorrir o tempo todo não faz de mim uma pessoa triste!”. Acho que ninguém a compreendia direito, mas eu acho que entendia... era como se ela se sentisse confortável com a expressão dela e nunca tivesse dado muita importância em sorrir quando estava feliz, por isso ela acabou não desenvolvendo a habilidade de se expressar pela expressão facial, mas isso não significa que ela era uma pessoa triste, ela só “parecia” estar triste. E como eu acredito que é o interior que importa (em determinados casos, é claro!) eu nunca me importei muito com isso.
Agora que eu reli o parágrafo anterior eu acabei percebendo que eu não expliquei nada sobre a primeira frase... Bem, eu quis dizer que algumas pessoas tem naturalmente uma cara que engana. Por exemplo, o buldogue (raça canina) sempre parece ser um cachorro bravo, violente e de poucos amigos com aquela cara amassada, mas no fundo eles são muito carinhosos. Essa foi a explicação da primeira parte da frase. Existem também outras pessoas e criaturas cuja expressão facial adquire traços característicos de outras faces. Por exemplo, existem pessoas que tem os olhos semi abertos e puxados para baixo (como eu) e estes parecem com olhos de pessoas tristes (é só lembrar os olhos do Silvéster Stallone), sendo assim toda vez que esse tipo de pessoa não está sorrindo (com cara de sono por exemplo) ela irá se parecer com uma pessoa que está triste. E essa foi a explicação para a segunda parte da primeira frase do parágrafo anterior.
E foi por isso que a minha professora pensou que eu estava triste quando na verdade eu estava com sono. Pronto! Finalmente respondi a minha pergunta a qual você, meus caros leitores, não precisavam saber a resposta se não quisessem e/ou se já sabiam da mesma. Desculpem-me se eu os fiz ler três parágrafos desnecessários.
Continuando (O Retorno), ela comentou que eu estava com uma cara triste e quis saber o porquê. Antes de continuar eu devo contar um pouco da minha relação com os professores dessa minha escola de inglês. Ela fica em um apartamento de um prédio residencial e comercial. É um apartamento de tamanho médio e lá eu já tive aula com uns cinco professores diferentes, isso porque devido ao horário tanto dos alunos como os dos professores eles acabam dando um semestre e trocando de lugar com outro professor, mas ainda assim de vez em quando um desses professores antigos aparece por lá para substituir um outro professor que não pôde comparecer.
Existem duas salas de aulas (o que é suficiente para atender a demanda) e enquanto eu tenho aula na sala A existem outra turma tendo aula na sala B (uma turma para crianças), por isso sempre tem dois professores por lá quando eu vou ter a minha aula. Dois professores e mais a secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava. É engraçado falar dela porque toda vez que eu chego lá e fico parado na frente do vidro fumê eu a vejo chegar perto da porta (a porta fica trancada e é aberta por dentro toda vez que eu chego...) com aquela cara de morte e somente depois que ela abre a porta ela dá um sorrisinho e isso se ela der... Todas as vezes que eu vou lá eu falo isso para ela e digo que ela tem que sorrir mais. Na hora até que ela sorri um pouco e reclama um pouco também, mas depois ela volta para aquela cara de preocupada.
Continuando (Forever), a minha professora me perguntou o porquê de eu estar triste e eu falei para ela em tom de brincadeira que eu estava triste porque a secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico não sorria quando eu chegava e isso me deixava triste. O problema começou aí, já que ela pensou que eu estava falando sério. E a primeira coisa que veio na cabeça dela era que eu estava apaixonado por ela (secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando) e foi exatamente isso que ela me perguntou.
A secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando (mesmo tendo um sorriso bonito) é uma pessoa bonita, da minha idade, não faço a menor idéia se ela é descompromissada e eu vi naquele momento que talvez eu realmente estivesse apaixonado por ela. No momento em que ela me perguntou isso a aula tinha acabado de acabar (se eu me lembro bem...) e eu tive um daqueles momentos de lampejo. Momento o qual eu normalmente me entrego de corpo e alma em uma batalha incessante entre minhas várias personificações mentais (ver tópico “Chateação II”) para chegar em uma conclusão sobre essa questão que se formou em minha cabeça: “Eu amo a secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando (mesmo tendo um sorriso bonito)/que poderá se interessar por essa parte do meu tópico já que a mesma está diretamente ligada a ela [caso queiram saber eu a chamo desse nome longo que acaba crescendo e crescendo por dois motivos simples. O primeiro é que eu não quero citar o nome dela, que é relativamente curto, porque ela não me autorizou a fazer isso. E o segundo motivo é que dessa maneira é mais engraçado e estimula a minha criatividade])?!”.
Eu não sei se isso acontece somente comigo, mas de vez em quando eu me pergunto se o que eu sinto por uma pessoa é amor ou amizade. Já houve casos em que eu pensei estar apaixonado e na verdade o que eu sentia era apenas amizade. Foi então que eu usei o meu “Fantástico Método Ainda Não Padronizado e em Fase de Testes de Como Resolver uma Questão Longa e Complicada”. Bem, eu preciso dar uma leve explicação sobre esse método. Eu sempre dialoguei bastante (comigo mesmo normalmente) para resolver uma questão e em boa parte dos casos uma questão levava a outra e tudo acabava não dando em nada. Daí eu resolvi criar esse método para que eu possa resolver a questão da melhor maneira possível sem fritar o meu cérebro.
O primeiro passo do método é ser objetivo e criar uma pergunta que responda tudo. Eu tenho um grande ditado e ele diz que “as pessoas não sabem o que realmente querem da vida. Normalmente porque elas pensam em “como” conseguir algo e não “o que é” esse algo” (frase de minha autoria). Vejam bem, o maior desejo que muitos tem é “ganhar na mega-sena”. Mas eu SEI que isso na verdade é apenas uma ilusão. Veja bem, saiu uma reportagem (eu não lembro onde) e apareceu nessa reportagem o que se deu de muitas pessoas que ganharam na mega-sena. Muito deles perderam todo o dinheiro porque não souberam como gasta-lo. Teve um cara que gastou tudo comprando um bocado de carros novos e pagou tudo a vista. No fim ele perdeu a grana toda nessas porcarias e eu nem sei o que ele fez com esse monte de carros. Teve outro cara que gastou tudo investindo em um time de futebol do interior e não importou o quanto ele investiu o time não ganhou nada e ele faliu. Viram?! Essas pessoas poderiam ter pedido “saber como gastar o dinheiro” ao invés de querer ganhar na “mega-sena”. Ou simplesmente pedir “ganhar tanto dinheiro no meu emprego que eu não consiga gasta-lo”, mas esse pedido também é falho porque você poderia acabar tendo um grande emprego em uma multinacional e ter que trabalhar 16 horas por dia sem folgas e acabaria não tendo tempo para se divertir e muito menos para gastar o seu dinheiro. É baseado nessa informação que eu preciso primeiro criar a pergunta certa e somente assim ter a resposta certa. Uma resposta que resolva todas as minhas dúvidas. Uma resposta que não abra brechas para eu criar novas dúvidas futuras.
No fim eu sou um mero humano e por causa disso eu ainda não consigo fazer perguntas tão boas assim, mas eu consigo fazer perguntas aceitáveis (até porque o meu “Fantástico Método Ainda Não Padronizado e em Fase de Testes de Como Resolver uma Questão Longa e Complicada” está ainda em fase de testes e criação. Eu acabei criando uma pergunta que acabou não sendo aquilo que eu esperava ser (na verdade o meu pensamento sempre voa para lugares que eu não esperava ver [depois eu crio um tópico falando somente sobre o meu “Fantástico Método Ainda Não Padronizado e em Fase de Testes de Como Resolver uma Questão Longa e Complicada”]). A pergunta que eu criei para resolver a questão é “o que diferencia a amizade do amor?!”.
Acho que quem vê de fora (fora do meu pensamento...) acha que essa é uma pergunta que não resolverá nada... talvez existam pessoas (espero que muitas) que tenham pegado a idéia da pergunta logo de primeira, pois é isso que eu quero. Eu quero criar uma pergunta a qual respondida possa resolver todo o problema e que seja uma pergunta tão simples que não se precise pensar durante horas para se obter a resposta e ao mesmo tempo seja algo tão poderoso que possa ser escrito um livro sobre ela. É claro que uma pergunta apenas não gerará todas as respostas que o mundo precise, mas espero que ela resolva todas as dúvidas sobre o assunto sobre o qual ela foi criada (caso queiram saber, o assunto da pergunta é tão importante quanto a própria pergunta. O assunto é “amor ou amizade?!”).
Após criada a pergunta eu comecei a trabalhar mentalmente para resolve-la. Eu devo dizer que quando eu escrevo, eu procuro mostrar o máximo de detalhes o possível para passar para os meus leitores o exato sentimento que eu passei naquele momento, mas por causa disso algo que durou uns 10 segundos acabou gerando 4 páginas de texto na fonte tamanho 10. É isso mesmo! Durante todo esse texto eu descrevi os primeiros 10 segundos da situação e isso inclui a pergunta da minha professora sobre eu estar triste, a minha resposta, a outra pergunta dela (sobre eu amar a... vocês sabem quem [deve estar chato pacas eu escrever “secretária/agente administrativa/subgerente (se eu não me engano)/faz tudo/semi-escrava/ possivelmente uma pessoa fula da vida se ler esse tópico/que sorri de vez em quando (mesmo tendo um sorriso bonito)/que poderá se interessar por essa parte do meu tópico já que a mesma está diretamente ligada a ela/isso se ela chegar a ler esse blog (já que eu ainda não divulguei o blog para os meus amigos...)”] e o que resultou o meu pensamento durante os 3 segundo seguintes a pergunta dela. As coisas na minha cabeça funcionam muito rapidamente, principalmente se eu preciso de uma resposta para uma pergunta imediata. Por isso eu já estava finalizando o meu pensamento sobre a questão quando nós (eu, a minha professora e a minha irmã [ela é a outra aluna da minha classe]) tínhamos chegado ao salão de entrada onde estavam a secretária (eu me cansei de escrever aquele nome grandão...) e o professor da sala B que também tinha acabado de dar a aula dele (inclusive todos os alunos dele já tinham ido embora). O problema agora era explicar resumidamente o resultado do meu pensamento para responder a pergunta. Agora é que vem o verdadeiro problema. Como eu vou explicar resumidamente um pensamento? Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. E eu digo que “um pensamento não pode ser medido” (frase de minha autoria). E se for um pensamento sobre um sentimento... então eu poderia afirmar que este pensamento pode se tornar tão extenso que mesmo que o sol do nosso sistema solar fosse ligado em um computador para lhe fornecer energia ele não conseguiria mantê-lo ligado tempo o suficiente para que eu (ou qualquer pessoa no mundo) pudesse explicar com 100% de detalhes esse pensamento em um livro.
Mas não existe ser humano no mundo que tenha conseguido viver mais que o sol então eu deverei ser sucinto e explicar a vocês, meus caros leitores, o que eu expliquei para todos que estavam naquele saguão de entrada. Eu cortarei alguns fatos do que ocorreu lá porque eu guardei um pouco do material desse tópico para falar em outro tópico porque ele está ficando muito grande.
É aqui que começa o verdadeiro motivo para que eu começasse a escrever esse tópico (nota: é madrugada e a TV está muito alta e está difícil pensar... talvez eu deixe esse tópico para ser escrito amanhã mas eu queria terminar de criar esse tópico ainda hoje...)... E o pior é que depois de dar uma “revisada mental” sobre tudo o que resta escrever eu acabei descobrindo que ainda falta muito para escrever. Sendo assim eu resolvi deixar para escrever o resto amanhã já que eu acredito que se eu continuar escrevendo agora (quando eu estou fisicamente e mentalmente cansado) o tópico não terá a mesma qualidade que ele teria se eu o escreve quando estivesse descansado.
... Agora sim! Depois de ter dormido uma boa noite de sono e acordar renovado eu estou pronto para continuar!
Então não vamos perder mais tempo e vamos logo para a resposta da pergunta “o que diferencia a amizade do amor?!”. Bem, em primeiro lugar eu tive que elaborar uma explicação para a “amizade” e o “amor”. Para mim a amizade é quando você gosta da presença de uma pessoa e a quer bem. Você gosta dessa pessoa e a quer do seu lado para conversar, desabafar, fazer coisas juntas (como jogar, ir ao shopping, ver filmes). No fim a amizade é quando você gosta de alguém e esse alguém também sente esse sentimento por você, caso contrário isso seria algum tipo de ilusão onde apenas uma pessoa gosta da outra e a outra ignora essa pessoa.
E o amor é a mesma coisa da amizade só que em um nível mais carnal. Eu vejo o amor como um tipo especial de amizade (amor em relação ao ficar, namorar, noivar, casar e morrer junto [ou qualquer um dos segmentos anteriores não precisando seguir essa ordem e/ou cumprir o roteiro inteiro]) onde ambas as partes estão de acordos com um contrato não escrito em que permitem ao amigo (atual ficante, namorado, noivo ou esposo) lhe dar carícias as quais são intimas demais para serem dadas por um amigo qualquer. E esse contrato é um contrato de exclusividade, no momento em que ele é firmado você está jurando lealdade eterna durante o relacionamento.
Foi depois que eu estipulei o que é a amizade e o que é o amor é que eu percebi que ambos são muito parecidos e que o que muda entre eles é apenas o jeito como cada um se relaciona. Só então eu percebi que a amizade é um “tipo” de amor. Eu realmente havia esquecido isso por um momento, o amor pode ser demonstrado de várias formas diferentes! Você sente amor pelo seu amigo, pelos seus pais, pelo seu namorado, pelo seu cachorro e até mesmo por pessoas que você vê sofrendo de fome e desgraças na TV. O problema é que hoje em dia a palavra “amor” parece estar sendo usada apenas para designar pessoas que querem ter um relacionamento (ficar, namorar, noivar e casar). Tanto é verdade que se você chegar com um amigo seu e lhe perguntar se ele te ama ele vai logo pensar no “mau sentido” (embora eu ache que não exista mau sentido quando se fala em amor verdadeiro).
Mas se amar o seu namorado é quase a mesma coisa que ter um amigo (no sentido de que ambos são um tipo de “amar”), então qual é a diferença entre “amor” e “amizade”?!
O amor é um sentimento e este sentimento pode ser interpretado e exercido de diversas maneiras. O amor que você sente pelos seus pais não é o mesmo pelo qual você sente pelo seu amigo assim como não é o mesmo que você sente pelo seu namorado. Sendo assim um amigo não poderá ser amado como um pai, obviamente que existem pessoas as quais que você ama de tal maneira que elas mudam de posição na sua vida amorosa (vida amorosa = a vida que você leva com todas as pessoas que você ama [incluindo os seus parentes e amigos]). Pessoas como por exemplo um amigo muito querido seu que você o ama com mais intensidade e acaba amando ele de uma maneira diferente, você acaba amando ele como se ele fosse um irmão para você.
E foi pensando nisso que eu acabei percebendo que existem níveis diferentes de se amar. Vejam bem, esses níveis são como uma teia de aranha onde de um ponto central partem diferentes ramificações que representam uma maneira diferente de se amar. Deixem-me explicar: o ponto central dessa teia de aranha que é de onde saem todos os fios é representado pela amizade. A amizade é a base do amor, para você amar alguém você precisa ser NO MÍNIMO um amigo para ela.
Dessa amizade saem o amor dos pães, dos irmãos, dos amigos íntimos, da namorada e cada tipo de amor desse (sendo que podem existir outros) segue uma teia diferente que sai do ponto central da teia. Depois que um fio desse sai do centro ele pode seguir diferentes caminhos até chegar no fim da teia que normalmente terminha em um galho de árvore. Vamos pegar um exemplo simples:
Você ama uma pessoa e esse pessoa é considerada automaticamente seu amigo se ela também te amar. Daí você vira um amigo intimo para ela (você avança do centro da teia para um das teias adjacente até chegar em uma encruzilhada). Nessa encruzilhada você pode seguir diferentes caminhos. Você pode ser amado como um irmão ou como um namorado. Esse é um exemplo bem simples de como as coisas funcionam.
Então respondendo a minha pergunta “o que diferencia a amizade do amor?!” eu diria que o amor da amizade e o amor do namoro se diferenciam na sua intensidade, tipo e de sua maneira de expressar. Assim o amor do namoro é um amor mais intenso, cujo o tipo é aquele em que você quer ficar do lado dessa pessoa (sua amada) para o resto de sua vida e que você o demonstra de uma maneira a qual você não poderia demonstrar como um mero amigo (com beijos e caricias).
O problema dessa historia toda é quando alguém ama outra pessoa e esta não a ama da mesma maneira (e as vezes ela sequer ama a primeira pessoa [isso acontece quando os dois não são amigos e um não conhece o outro e este a ama loucamente e não tem coragem de falar isso]). Dessa maneira as pessoas tem medo de revelar os seus sentimentos e temem que ao fazê-lo a outra pessoa (a amada) o trate de maneira diferente e acabe por não considerá-lo mais um amigo (e muito menos um namorado). Mas eu digo que se vocês forem amigos de verdade isso não irá acontecer. Essa pessoa pode até te tratar diferente por não te amar da maneira como você a ama, mas vocês nunca deixaram de ser amigos por causa disso, talvez a amizade de vocês até fique mais forte. Mas eu não sou dono da verdade e pode ser que essa pessoa deixe de ser a sua amiga, mas eu acredito que isso ocorra por causa de alguns fatores.
O primeiro desses fatores é que no fundo vocês não eram amigos e/ou o amor que vocês sentiam um pelo outro não era tão forte assim (pelo menos um de vocês acaba por não amar o outro o suficiente para se manter uma amizade) e isso acaba por quebrar o laço de amizade que uniam vocês. O outro fator é que um de vocês (normalmente o apaixonado) não consegue manter “somente” uma amizade e não consegue manter essa proximidade e acaba achando melhor manter distância, até porque essa distância pode ajudar o coração a sofrer menos. O ultimo motivo que me vem a cabeça é que depois de revelado o desejo de amar como uma pessoa especial um ou os dois acaba por agir de uma maneira diferente e isso diminui o poder da amizade. Tudo o que eu posso dizer é que “é melhor amar e sofrer por amor do que nunca ter amado” (não sei de quem é a autoria dessa frase), e por isso é melhor você se revelar do que sofrer por algo que você não tentou. É claro que se a garota já estiver namorando é melhor você esperar que isso termine, caso não termine e ela acabar ficando noiva do cara então é melhor você se contentar e partir para outra porque se isso aconteceu então ela deve estar feliz com ele. Só que se você sentir que o seu amor é mais forte do que qualquer barreira que possa ser imposta em seu caminho, se você sentir que o seu espírito não conseguirá ser feliz ao lado de outra pessoa, se você sentir que o seu corpo queima na presença dela, ENTÃO VÁ A LUTA!! Isso mesmo! Não se amedronte por ela estar namorando, ou mesmo se ela estiver noiva (se estiver casada eu acho que é melhor você ir com cuidado...) se declare e diga o quanto o seu amor é grande. Talvez ela seja mais feliz ao seu lado do que ao lado dele, mas de uma coisa eu tenho certeza... VOCÊ NUNCA SABERÁ SE NÃO TENTAR!! (o problema é que falar é fácil, o difícil é fazer [escrever então nem se fala...]).
Comigo acontece algo peculiar. O meu amor é infinito e por causa disso eu distribuo ele facilmente, e isso chega a ser ruim. Eu não posso conversar com uma pessoa por 1 minuto que eu já o considero meu amigo. Eu também não consigo ficar com raiva de uma pessoa por muito tempo, eu quando deixo de me controlar eu fico muito explosivo (porque eu sou daquele tipo que dá um boi para não entrar em uma briga, mas dá uma boiada para não sair dela), mas depois de algumas horas e já esqueci tudo. Eu já considero um amigo intimo aquele com quem eu falo todos os dias (tirando os finais de semanas e feriados) durante um mês.
O que acontece é que por causa disso eu tenho um coração muito aberto e considero toda amiga minha (que esteja descompromissada, tenha um bom senso de humor e que quando nós conversamos a conversa flua naturalmente) uma namorada em potencial. É um tanto difícil para mim dizer com 100% de certeza se eu estou apaixonado por alguém porque com um coração aberto como o meu eu posso estar apaixonado por qualquer pessoa e não saber... E por causa disso eu também via a minha amiga como futura namorada, até porque eu posso facilmente me imaginar uns 20 anos no futuro, e se eu conseguir me imaginar nesse futuro de 20 anos a frente casado com essa pessoa, então eu posso supor que eu estou apaixonado. E eu poderia me imaginar casado com ela.
No fim eu disse algo como:
-O amor e a amizade são formas de amar e é por isso que eu digo que eu amo ela (isso eu falando na frente de todos depois de ter explicado a situação em que a minha professora me meteu). Hoje em dia as pessoas parecem ter esquecido o verdadeiro significado da palavra “amor”. Dizer que você ama alguém não deve ser interpretado com malicia e sim como algo bom.
Eu acredito que todos me entenderam. Eu acho que eles ficaram na dúvida se eu a amava como namorada ou somente como amiga, mas eu preferi deixar a dúvida no ar...
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Dor de amor (comentário do autor)
Hi for all,
Antes de lerem esse comentário vocês vão precisar ler a postagem "DOR DE AMOR".
Eu só queria esclarecer umas coisinhas. A primeira é sobre o fim da postagem sobre a dor de amor. Quando eu vi ela e toda aquela magia voltou a circular as portas do elevador acabaram fechando e tudo foi interrompido e o mundo pareceu mais silencioso e um pouco sem graça.
No fim eu queria voltar lá para baixo e ver se conseguia arrancar umas palavrinhas dela, uma conversa. Mesmo que seja rápida, pelo menos eu poderia lembrar da voz dela, já que na minha cabeça eu apenas lembro o tom do sorriso dela. Mas várias coisas me impediam disso.
-Ela estava acompanhada da família (pelo menos parecia ser a família dela, e no meio dessa família havia umas 7 pessoas incluindo uma criança de colo)
-O elevador ia subir uns três andares e somente depois iria descer. Isso seria tempo suficiente para todos entrarem no carro e irem embora do prédio.
-O meu irmão estava do lado.
-E eu realmente pareceria meio psicotico saindo do elevador enquanto as portas ainda estivessem abertas somente para dizer algo como:
"Oi, como você está?" ou algo pior:
"Oi, você se lembra de mim?!"
Por isso meus caros leitores, eu devo lhes dizer que as portas se fecharam e eu nunca mais a vi. Mas o mundo é bem pequeno. Eu acredito que eu vou encontrá-la outro dia desses.
E quanto a fofoca que rolou na escola eu optei por não dizer qual foi. Afinal de contas eu não sei todos os lados da historia e talvez ela nem seja verdade. Assim eu prefiro não comentá-la.
Espero que todos compreendam e que continuem postando aqui no Blog.
p.s.: Eu não me importo que postem como "anónimo", só pediria para que se identifiquem no fim do comentário.
Antes de lerem esse comentário vocês vão precisar ler a postagem "DOR DE AMOR".
Eu só queria esclarecer umas coisinhas. A primeira é sobre o fim da postagem sobre a dor de amor. Quando eu vi ela e toda aquela magia voltou a circular as portas do elevador acabaram fechando e tudo foi interrompido e o mundo pareceu mais silencioso e um pouco sem graça.
No fim eu queria voltar lá para baixo e ver se conseguia arrancar umas palavrinhas dela, uma conversa. Mesmo que seja rápida, pelo menos eu poderia lembrar da voz dela, já que na minha cabeça eu apenas lembro o tom do sorriso dela. Mas várias coisas me impediam disso.
-Ela estava acompanhada da família (pelo menos parecia ser a família dela, e no meio dessa família havia umas 7 pessoas incluindo uma criança de colo)
-O elevador ia subir uns três andares e somente depois iria descer. Isso seria tempo suficiente para todos entrarem no carro e irem embora do prédio.
-O meu irmão estava do lado.
-E eu realmente pareceria meio psicotico saindo do elevador enquanto as portas ainda estivessem abertas somente para dizer algo como:
"Oi, como você está?" ou algo pior:
"Oi, você se lembra de mim?!"
Por isso meus caros leitores, eu devo lhes dizer que as portas se fecharam e eu nunca mais a vi. Mas o mundo é bem pequeno. Eu acredito que eu vou encontrá-la outro dia desses.
E quanto a fofoca que rolou na escola eu optei por não dizer qual foi. Afinal de contas eu não sei todos os lados da historia e talvez ela nem seja verdade. Assim eu prefiro não comentá-la.
Espero que todos compreendam e que continuem postando aqui no Blog.
p.s.: Eu não me importo que postem como "anónimo", só pediria para que se identifiquem no fim do comentário.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Dor de amor
Olá a todos,
Como eu havia dito para a mara-momo, eu também já senti as dores que o coração proporciona. Eu acredito que já escrevi sobre vários tipos de dores. As dores físicas, as dores do constrangimento, as dores da mente, mas faltam ainda falar de outras dores que assolam a humanidade, entre elas está a dor do coração. E é para falar da mesma que eu estou abrindo uma nova postagem no tópico.
Como toda boa dor do coração, a minha começa quando eu era pequeno. Eu nasci em um município do estado do Pará. Cheguei a frequentar uma escola lá por uns tempos, na verdade eu não sei se eu cheguei a ficar um ano completo nela, porque eu tive que viajar para Macapá, um municio do estado do Amapá (além de município, Macapá é a capital do Amapá). Essa era uma terra desconhecida para um garoto de 4 anos, já que essa era a minha idade quando eu vim pra cá. Para aqueles que se perguntam se realmente é necessário eu contar esse drama todo antes de começar a falar sobre as dores que o meu coração já sentiu, eu devo lhes responder um sincero SIM, mas se você preferir, pode pular o texto e ir direto para a ação. Mas eu gostaria de lembrar que o amor é um dos sentimentos mais complicados que existe. Na verdade você pode senti-lo, mas não poderá explica-lo, isso porque o amor te ludibria e te deixa cego, surdo, mudo e burro. Não é uma critica ao amor o fato de ele te deixar burro, eu apenas estou falando aquilo que eu sinto e vejo que acontece em vários casos.
Voltando a minha história, nesse município eu vivia normalmente como uma criança feliz. Tinha amigos na minha rua e tinha amigos na minha escola, mas o estranho é que eu não lembro do rosto de nenhum deles. Mas de certa forma eu sei que eles existiam. Eu lembro um pouco da minha sala de aula e de minha professora. Lembro que eu era muito agitado e era uma peste na aula. Não tinha limites para mim. Algo mudou quando eu fui para a minha nova escola em Macapá, algo mudou e eu não lembro exatamente o que era. Lembro do meu primeiro dia de aula (ainda com 4 anos de idade), não lembro direito que série era... essa informação me foge a memoria, acredito que isso aconteça porque era irrelevante saber em que série se está quando se anota uma lembrança na mente. Eu me lembro bem era de uma coisa, eu estava nervoso. No meu primeiro dia de escola na minha escola antiga eu estava exitado, emocionado, empolgado. Eu sempre quis ir a escola para aprender coisas e tudo mais. Naquele dia ninguém se conhecia e isso era normal. Já na nova escola todos se conheciam e eu era o tal do aluno novo que veio de outro estado. Todos já sabiam de có o nome de cada um que estudava ali, tiveram um ano inteiro para aprender isso e eu tinha acabado de chegar e não sabia o nome de ninguém e ninguém sabia o meu nome. Lembro de não saber o que fazer, não sabia onde sentar, não sabia o que estavam estudando, eu não sabia quem estava ao meu redor e no fundo eu me sentia como se não soubesse de nada. Até que ela entrou na sala, ela era bonita, ah se era..., muito bonita. É normal demorar mais a atenção nas pessoas mais bonitas, para os garotos da minha idade não era comum se sentir atraído pelo sexo oposto, mas eu sempre fui precoce para a minha idade. Eu cheguei bem cedo no meu primeiro dia de aula, meu pai sempre acordou cedo porque tinha que trabalhar cedo (o trabalho dele começava as seis da manhã e por aqui o sol nasce as seis e dez da manhã, ou seja, ele nos deixava na escola quando ainda era noite), e para falar a verdade eu cheguei primeiro que todo mundo (inclusive a professora). Tive que esperar ela chegar para ser apresentado. E isso foi muito ruim, pois eu não conhecia ela (a menina) e ela não me conhecia, sendo assim ela me olhou com estranheza quando me viu. Eu sabia o que ela estava pensando, "e... quem é esse aí? Aluno novo?!".
Fui apresentado e ela (a professora) me disse que eu poderia sentar onde quisesse. Eu me sentei na primeira cadeira da fileira do meio. Eu não sabia exatamente onde sentar, na minha escola antiga todos se sentavam em mesinhas com cadeiras ao redor. Você só tinha que escolher qual mesa queria sentar e nela você seria apresentados a todos ao seu redor. É interessante, porque desse modo você sempre terá com quem conversar já que em uma mesa redonda alguém sempre estará te vendo, e com a convivência é meio difícil não fazer pelo menos quatro amigos (esse é o número de pessoas que cabia na mesa tirando você). Eu me sentei nessa cadeira porque era obvio as vantagens que ela oferecia. Eu uso óculos e por isso essa cadeira me oferecia a melhor visão do quadro negro, também iria ficar mais perto do professor e não teria problemas em escuta-lo, como eu seria o primeiro da fila não teria problemas em ter alguém mais alto do que eu sentado na minha frente e por aí vai as vantagens. Mas depois eu fiquei sabendo que essa cadeira é tipo como uma cadeira oficial para nerds, eu sempre achei engraçado a definição de um nerd. Um nerd seria uma pessoa que só pensa em estudar, mas você não vai a escola para aprender? E para aprender não é preciso estudar? Tudo bem que o nerd leva isso um pouco a sério, mas ele será o seu amigo e conversará bastante com você (mesmo no meio da aula) se você permitir como toda pessoa dita normal. Mas depois que você é tachado de nerd, ninguém quer virar o seu amigo, exceto em época de provas e trabalhos.
E lá estava eu sentado na primeira cadeira da fileira do meio para começar os meus estudos. E esse primeiro dia foi de matar, todos que chegavam para aula (no caso todos os alunos da sala, porque eu cheguei primeiro) davam de cara comigo e me olhavam com uma expressão esquisita, um misto de espanto e dúvida. Era óbvio que eles estavam com dúvidas para saber quem eu era, embora alguns ao me verem pensavam se tinham entrado na sala errada, inclusive alguns deles tiveram que olhar para cinco pessoas diferentes para ter certeza de que estavam no lugar certo. Mas no fim aquele olhar me incomodava, eu me sentia um animal desconhecido sendo exibido no zoológico. E as criancinhas perguntavam para os pais "Papai, que bicho é esse?", "Eu não sei querida, eu nunca vi esse bicho na minha vida. Vamos sair de perto porque ele pode ser perigoso.", "Certo, vamos ver os leões". Era muito chato. Até que ela entrou (nossa, que sensação de dejavu [Ah, é mesmo. Eu já tinha escrito essa parte]), antes dela outras duas meninas, também muito bonitas, já tinham entrado na sala, essas duas também me olharam com um olhar engraçado, mas eu não senti nada de especial em relação a elas. Mas quando ela entrou o mundo parou de girar. Eu li em certo lugar que em determinados momentos o nosso corpo para de enviar sinais do corpo inteiro para o celebro para que este apenas receba os sinais dos olhos, por isso o corpo deixa de sentir várias coisas e os olhos acabam por enviar um excesso de informação para o cérebro. É como se para reproduzir uma cena de 10 segundos uma câmera (nosso olho) tirasse umas 100 fotos e as reproduzissem (nosso cérebro) em sequência para fazer um filme, porém no exemplo que eu estou falando a câmera ao invés de tirar 100 fotos ela tira 700 fotos fazendo com que determinado momento realmente pareça estar andando em câmera lenta, esse fenômeno dura segundos. Mas eu não sabia disso naquele dia, eu realmente pensei que a terra estava girando mais devagar como se a beleza dela alterasse o tempo, ou mesmo como Deus resolvesse dar uma benção aos mortais para que quando ela passasse o tempo diminuísse a sua velocidade para que os pobres humanos pudessem admirar um pouco mais aquilo que eles não poderiam tocar ou possuir.
O estranho é que quanto mais ela se aproximava, mais o tempo parecia ficar mais lento. Tive uma ponta de medo nessa hora. Eu achei que chegaria um momento em que tudo pararia e não voltaria nunca mais a ter a sua velocidade normal. Como se alguém em algum lugar achasse que tanta beleza era proibido aos olhos de gente que não merecia e por isso deveriam parar no tempo e desaparecer da face da terra. Eu realmente pensei nessa possibilidade, mas eu a descartei logo em seguida porque dizem que sua vida passa diante de seus olhos quando você está prestes a morrer (mais um exemplo do efeito de câmera lenta) e tudo o que os meus olhos viam era aquele ser vivo de expressões calmas e desinteressadas. Eu pensei comigo mesmo "Deus do céu, se foste tão habilidoso em criar tal criatura, porque não encheu a terra com mais dela? Até hoje não tinha visto nada igual. É quase como se você mandasse um aleijado com apenas três dedos na mão tremula desenhar o traço do rosto humano e que somente uma vez por século você resolvesse pessoalmente dar vida a um rosto feminino que carregasse a luz do Sol e a levasse para a mais escura da salas iluminar o mais sombrio dos corações".
Ela passou por mim e foi se sentar lá atrás. Eu não quis virar a cabeça para que ela não percebesse que eu a estava admirando. Aos poucos o tempo começou a andar como ele sempre fez, aos poucos os meus olhos se acostumaram com o quadro negro que estava na minha frente, aos poucos as conversas dos outros alunos chegavam aos meus ouvidos, aos poucos os meus dedos voltavam a sentir a madeira macia do meu lapis, que estava na minha mão, aos poucos minha língua voltou a sentir o gosto de saliva e a superfície lisa dos meus dentes, aos poucos o meu nariz voltou a cheirar o ar úmido de Macapá e sentir diversas fragrâncias de perfumes e colonias, assim como desodorantes, giz, tinta de caneta, madeira de lapis, borrachas comuns e perfumadas, além dos peculiares cheiros de comidas que vinham de diversos lugares próximos da escola e na medida que os meus sentidos iam voltando eu notei que o meu peito doía, que estava faltando alguma coisa, eu não conseguia raciocinar direito, o meu peito doía e se sentia vazio, mas eu não me importei com isso porque eu estava tentando reproduzir com os mínimos detalhes a cena daquela garota entrando na sala na minha mente. Quando finalmente achei que estava perfeita eu me concentrei para gravar essa cena na minha cabeça o melhor que pude. Somente depois de satisfeito é que eu voltei a atenção para o meu peito que doía e percebi que a coisa estava ficando preta porque eu comecei a sentir tonturas e não conseguia pensar direito, eu me sentia abafado e enclausurado no fundo do oceano e só então eu percebi que EU NÃO ESTAVA RESPIRANDO!!! Ela mexeu de tal forma comigo que eu esqueci de respirar!!! Desde aquele momento eu percebi que ela era especial. É interessante como o tempo age sobre as pessoas, eu não a vejo há muitos anos e não tenho a menor ideia de onde ela está ou o que está fazendo, normalmente nós conhecemos um amigo que era muito amigo de outro cara da escola que namorou uma pessoa na nossa sala... no fim, sempre temos uma certa ideia de para onde todos foram parar, ainda mais em uma cidade relativamente pequena. Mas eu não sei nada dela.
Eu ia fazer um comentário sobre a ação do tempo, mas acho que é melhor eu deixar essa afirmação para o fim, assim deixa esse relato mais apaixonante e sem quebras de conteúdo (no caso eu só fiz meio comentário...). Onde eu estava mesmo? Ah, sim! Quando eu esqueci de respirar. E lá estava eu na minha velha posição na sala, primeira cadeira da fila do meio, prestando a maior atenção o possível no professor. Quando não se tem amigos a coisa mais interessante a se fazer é estudar e escutar o professor. Em média naquela altura do campeonato, primeira ou segunda série (não lembro o certo), os alunos respeitavam o professor e não conversavam muito. Chega a ser estranho estudar em uma sala um tanto quanto silenciosa, mas na segunda série tudo ainda é um pouco novo e a ameça de "contar tudo o que você faz para os seus pais" feita pelos professores é bastante ameaçadora para uma criança da segunda série (eu digo segunda série porque eu realmente não me lembro se eu completei a primeira série toda no Pará). Por isso é normal que ninguém converse muito na aula, e mesmo aqueles que conversavam, não passavam de sussurros feitos o mais baixo o possível para que a professora não ouvisse. No fim a aula sempre ficava um tanto silenciosa. E como eu me sentava na primeira cadeira da fileira do meio eu praticamente não via ninguém que estivesse na minha frente, mesmo as cadeiras que estavam ao meu lado, no caso as primeiras cadeiras das outras quatro fileiras, pareciam ficar um pouco atrás da minha cadeira, como se elas se arrastassem um pouco para trás para ficar mais próximo da segunda cadeira e mais longe do professor. Sendo assim eu acabei me acostumando a não ver os outros alunos, mas devido a minha curiosidade eu fui me acostumando a ouvi-los.
Vejam bem, eu era o primeiro da turma, eu não tinha amigos e só me restava estudar, e de vez em quando a professora repetia a matéria umas dez vezes para que os outros alunos, aqueles que conversavam ou tinham problemas de atenção (entre outros motivos), que não tinham entendido a matéria. Nesses dias eu já tinha resolvido todos os exercícios que eram pertinentes a essa matéria no livro. Muitos desses exercícios a professora passaria para a casa. Eu me orgulho até hoje de nunca ter feito um dever de casa em casa. E estudar em casa era outra coisa que eu não fazia, eu preferia passar a tarde toda jogando com os meus amigos da rua. Mas, voltando para a sala de aula, ao longo dos anos eu fui desenvolvendo uma excelente capacidade auditiva, já que as conversas aumentavam em quantidade e qualidade. Na segunda série as conversas variavam sobre o lanche que a mamãe tinha feito para o recreio, os desenhos que estavam passando na TV (ou isso ou falavam de um capitulo em particular dos desenhos que passaram no dia anterior), os filmes que passaram na TV (nessa idade ninguém ia pro cinema, diferente de hoje onde as crianças da segunda série vão pro cinema vestidas para parecem mais velhas [o que somente as deixam com cara de prostitutas e arruaceiros {analisa o vestuário: bota cano longo, saia curta, blusa ou tomara-que-caia que deixa o umbigo e as costelas de fora, uma jaquetinha que é menor que a blusa, o cabelo tem que estar solto e a cara tem que ter mais maquiagem que uma gueicha japonesa e de preferência tudo preto feito de jeans e couro; já os meninos usam tênis, calça jeans rasgada nos joelhos, com partes mais coloridas do que outras, e desenho de dragões ou tigres do lado e essa calça jeans tem no mínimo 14 bolsos sendo que 8 deles ele nunca vai usar e os outros 6 ele usa para guardar a carteira, celular, chaves, doces (para emergências como chicletes, halls, menta e outros) e outras coisas que eu não quero nem adivinhar (camisinhas, facas e revolveres os quais eles levam para escola para se amostrar e acabam matando alguém ou engravidando uma menina menor que ele [o recorde da região é de uma menia de 6 anos que engravidou do NAMORADO de 10 anos...]), de camisa ele usa uma t-shirt com desenhos de dragões ou tigres, números (saldando os jogadores de futebol), estampas que falam sobre o surf, pitbulls, morte e outros (de vez em quando eles usam uma jaqueta com dragões e tigres e uma t-shirt com estampa)}]) e como passar das fases difíceis dos jogos do saudoso supernintendo.
Continuando em outro paragrafo porque o de cima está muito grande... Como eu ia dizendo, nessa época não havia muitos assuntos interessantes, mas com toda certeza era mais interessante do que ouvir a explicação da matéria pela décima vez. No início foi um tanto complicado, eu deixava de ouvir o que a professora dizia e começava a tentar ouvir o que as pessoas estavam falando, eu tinha de concentrar e por isso eu baixava levemente a cabeça e começava a ouvir. Eu não conseguia ouvir muita coisa, normalmente uma palavra dita mais alta que as outras e assim eu ia formando frases e ficava ciente do assunto geral. Mas eu só conseguia ouvir uma conversa por vez, com o tempo eu fui aperfeiçoando a técnica e já conseguia ouvir várias conversas de uma vez só, inclusive a matéria repetida pela professora. Eu já ouvia frases inteiras e já estava virando um habito ouvir tudo o que estavam falando ao meu redor (por isso não é bom contar fofoca perto de mim) e com o tempo eu descobri que me privando de algum outro sentido eu poderia aguçar a minha audição, futuramente eu descobri que normalmente o ser humano não consegue usar todos os cinco sentidos ao mesmo tempo porque o cérebro não consegue processar tanta informação ao mesmo tempo, por isso quando eu me privava da minha visão eu poderia ouvir melhor. Assim eu passava a maior parte do dia de cabeça baixa e de olhos fechados (e acabava parecendo que eu estava dormindo).
Na faculdade eu fiz o mesmo processo e todos acharam que eu era um vagabundo filhinho de papai que passava a noite toda na farra e vinha com sono para a faculdade desperdiçar o dinheiro suado que o meu pai gastava. Muitos ficaram com mais raiva ainda quando no fim do primeiro semestre eu não tirei uma média menor que oito e meio. Teve gente que foi me acusar para o professor que eu estava colando e como muitos não tiraram uma nota boa naquele tempo (o porque eu não sei porque a maior parte do que foi ensinado nada mais era que um resumo do meu primeiro, segundo e terceiro ano de escola) eles ficaram com mais raiva ainda como quem pensa “eu me mato para estudar e fico com nota vermelha e aquele filhinho de papai que vive dormindo na aula passa colando e ninguém faz nada!?”.
Quando chegou a hora de fazer os seminários (você apresenta um trabalho para a turma) todos perceberam que eu não era um burro ou um analfabeto... na verdade eu tive que ensinar muita gente sobre a matéria para que não tivessem que repetir de ano. E ainda tinha gente que se perguntava como não tinha entendido uma matéria tão fácil (mas eu sabia o porque!! Na minha turma tinha apenas quatro homens e o resto dos 40 alunos eram todas mulheres. Com isso a fofoca rolava solta e quase ninguém prestava atenção na aula. Inclusive um dos homens reclamava muito porque a conversa sempre era maior que a voz do professor). Depois uma professora minha me perguntou como era que eu sabia tanto da matéria se eu vivia dormindo na aula. Ela achava que eu estudava em casa. Eu simplesmente falei:
“Eu nunca que vou gastar meu tempo estudando em casa, neca de biritibica.... eu prefiro dormir, jogar bola, ir pro cinema e essas coisas. Acontece que eu nunca dormi em uma aula sua. O fato de eu estar com olhos fechados e a cabeça baixa não significa exatamente que eu esteja dormindo. Na verdade eu estou ouvindo atentamente o que se passa ao meu redor, inclusive a sua matéria e com isso eu consigo aprender o assunto e ainda fico atualizado sobre as fofocas que rola aqui na sala. Você sabia por exemplo que tem um cara no outro prédio que é gay, namora uma menina super linda e nos finais de semana ele diz que vai sair com os amigos e vai todo mundo pro motel?! (eu soltei essa fofoca porque ninguém do grupo de meninas que tinha falado ela estava na aula...)”. Depois eu expliquei como funciona o processo com embasamento da ciência, inclusive os astronautas fazem a mesma coisa para aprender certas coisas....
Tudo bem, tem gente se perguntando o que isso tudo tem haver com a minha historia... TUDO!!! Como eu já expliquei eu ficava ouvindo tudo o que se comentava naquela sala, com o passar dos anos os assuntos foram ficando mais interessantes e animadores, certos dias era mais vantajoso ouvir fofoca do que prestar atenção na explicação da matéria nova. Mas não havia coisa mais interessante do que ouvir ela falar... não importava sobre o que era, o assunto recebia prioridade! Pena que ela tinha uma voz suave quando sussurrava... A sensação que eu tinha ainda era tão intensa e marcante quanto no primeiro dia que eu a vi. O tempo ainda ficava lento e tudo mais, mas agora eu era mais maduro e mais esperto... eu me lembrava de respirar!!! Exceto quando a minha respiração me atrapalhava quando eu tentava ouvir o som dos passos dela e o ritmo de sua respiração... aí não tinha jeito, eu parava de respirar mesmo!!
Todos os anos no nosso colegio havia várias comemorações em que os alunos se organizavam para fazer alguma coisa. Tinha festa junina e cada turma tinha que fazer uma dança de quadrilha, natal onde todos faziam uma comemoração no fim do ano com músicas natalinas e várias outra. Em todas essas comemorações e eventos eu sempre quis ficar perto dela e não conseguia. Nas festas juninas eu queria formar par com ela, mas sempre me colocavam do lado de uma baixinha, pudera... eu era o segundo mais baixo da turma (e ela é um pouco maior que eu... droga de vida!!!) e o pior é que parece que toda mulher baixinha é feia (nada contra uma mulher baixinha, nada contra uma mulher feia e nada contra uma mulher baixinha e feia... mas vocês sabem que quando novos costumamos levar em consideração apenas a aparência...). Mesmo quando uma vez eu tive que fazer par (porque eram os professores que formavam os pares) com uma menina bonitinha ela nao podia ensaiar no mesmo horario que eu e no dia da festa ela ficou do meu lado só no inicio, depois um pouco antes da quadrilha começar ela trocou de lugar com uma amiga dela que era mais alta e ia fazer par com um menino que ela (a menia bonitinha que eu ia fazer par) era afim. E adivinhem!? Essa menina amiga dela era feia e baixinha (e era a mais feia e baixinha que eu vi na vida!!! Naquele momento eu penssei que Deus tinha castigado ela porque pra nascer feia e baixinha daquele jeito só poderia ser sacanagem... Agora pensa numa menina com um fogo da poha... ela agarrou o meu braço de um jeito que deu medo e durante a dança ela fazia de tudo para se aproveitar do meu corpo...
Porém teve um ano em que EU IA FAZER PAR COM ELA!!! Bem... na verdade... não era bem par com ela... era uma época de natal e íamos cantar uma música de natal enquanto fazíamos uma coreografia. Nessa coreografia todo mundo fica va em grupo ou em fila lado a lado e em ambos os casos eu ficaria do lado dela. E nesse dia eu senti uma pontada no coração porque uma professora doida tinha tirado ela do meu lado justo na hora em que íamos nos apresentar!! Só que Deus existe e ele mandou a professora certa ajustar a merda que a outra ia fazer e no fim deu tudo certo... Pensem em um menino de dez anos que esteja muito feliz... agora dá pra ele um playstation 3... e um carro importado que ele não pode dirigir mas você diz que ele pode fazer o que quizer... multiplica isso por dez e vocês terão uma vaga ideia do quanto eu estava feliz!!! Naquele dia eu perdoei o Papai Noel por todos os natais que eu não recebi nada de presente (o meu pai só dá presente para a minha irmã mais nova). Mais tudo tem o seu preço... no ano seguinte ela passou a estudar no turno da tarde, enquanto eu sempre estudei no turno da manhã...
Nos anos seguintes eu passei a ser um pouquinho mais popular... isso tudo porque criou-se uma nova mania na minha sala... queda de braço. A moda agora era saber quem era o mais forte na queda de braço, e de certa forma isso dava status. Em dias já existia um ranking na turma, as vezes eu achava que tinham tudo escrito em um papel, mas nunca foi confirmado nada. Eu não participei porque eu era tão tímido que não sabia como entrar em uma conversa, mas sabia manter uma conversa sobre qualquer assunto numa boa. Logo eu não conversava com ninguém que não viesse conversar comigo, e como eu não tinha amigos eu não conversava com ninguém, ainda bem que eu só tinha um inimigo... mas essa é outra historia (na verdade eu acho que eu já escrevi ela, mas ela foi apagada...). Isso mudou até que tinha um cara muito ruim de braço de ferro (esse era o cara mais baixinho da sala e meu único inimigo [eu não tinha nada contra ele, mas ele gostava de me encher o saco todos os dias]) e ele não conseguiu vencer ninguém, mas ele ainda conseguia disputar com um outro cara lá, mas ainda sim ele sempre perdia.
Certo dia eles disputaram de novo para ver se o baixinho conseguia vencer dessa vez, não deu outra, ele tentou, se esforçou, quase conseguiu e ainda assim ele perdeu. Nisso o outro cara (o que ganhou) disparou:
-Num sei porque tú ainda tenta, tú não ganharia nem do Fábio (eu)!
-O que?! Eu não ganho do Fábio!? Dele eu ganho com as duas mãos na costa!!
E deu-se inicio ao braço de ferro do século!! De um lado um cara que mesmo medianamente forte nao conseguiu vencer ninguém e do outro lado, EU! O cara em que ninguem prestava atenção, o cara dito como estranho, o cara que era magro que dava dó e em menos de um ano ficou gordo de dar mais dó ainda!
Antes de começar a descrever a queda de braço do século eu devo contar um pouco sobre minha infância. Já fazia alguns anos que o meu pai via eu e o meu irmão em casa sem fazer nada a tarde e resolveu por nós dois para trabalhar (de acordo com a educação dele, criança que não trabalha vira vagabundo. E ele começou a trabalhar ainda mais cedo na roça e por isso ele acreditava ser normal colocar duas crianças, cada um com uns nove anos, para trabalhar). Ele trabalhava em um supermercado, nesse supermercado vendia-se no varejo (unidade) e no atacado (caixa cheia de unidades). Ele trabalhava organizando a área de entrega de atacado e colocou eu e o meu irmão para empacotar as compras das pessoas que compravam no varejo. E naquele tempo não existia carrinho, onde você colocava as compras e ia deixar no carro do cliente. Naquele tempo só o cliente usava um carrinho para colocar as compras e tú tinha que se virar e carregar tudo no braço e deixar no carro do cliente e tinha que fazer apenas uma viagem porque na volta o caixa já estava cheio e tú ia se ferrar mais ainda se demorasse duas viagens. O ruim era que não tinha outras pessoas para fazer esse trabalho, era só eu e o meu irmão.
Nós íamos todos os sábados quando não tinha aula e todos os dias quando estávamos de férias. E aí se agente conversasse com o nosso pai sobre uma mesada, tudo o que ganhavámos era o que os clientes nos davam de gorgeta e para piorar tudo, a maioria achava que agente ganhava um sálariozinho... tradução: ninguém liberava nada, nem na época do natal!!! Mas agora imagine uma criança de uns 9 anos de idade carregar mais de 20kg por compra, agora imagine essa mesma criança fazer isso durante oito horas por dia, sendo que no natal as compras tinham uma média de 30 a 50kg. Eu podia até ser gordo, mas tinha uns braços bem grosos.
E eu fiquei meio sem graça de participar daquele embate, isso porque não tinham me convidado e sem dito que eu era fraco. Eu não tinha ideia da minha força, para mim todo mundo naquela sala era mais forte do que eu porque eram magros e bem definidos, alguns faziam musculação a anos (isso aos treze anos) e tinham os braços bem definidos. Mas de uma coisa eu sabia, na hora que começasse eu tinha que colocar toda a minha força logo de imediato para não perder. E lá estava eu diante do cara que eu mais odiava naquela sala, na verdade ele era o únicco cara o qual eu nao gostava. Quando o juiz, outro cara, disse a palavra mágica (“JÁ”) e coloquei toda a minha força para poder derrotar o cara e não fazer feio... quase quebrei o braço dele e no fundo eu até que fiquei feliz por ele ter se ferido um pouco.
Logo todos estavam sacaneando o baixinho (menos eu, eu sabia o quanto isso era chato) e ele, para se defender, falou que eu provavelmente poderia ganhar do cara que ele perdia sempre. E de novo começamos novo embate, e lógicamente ele perdeu com muita facilidade. No fim eu fiquei em segundo lugar no ranking, só perdi pra um cara lá que era 20cm mais alto que todo mundo e duas vezes mais largo. E ainda assim foi uma grande luta, até porque ele era duas vezes mais alto do que eu.
Com isso eu ganhei uma certa fama e o baixinho começou a me amolar menos, até porque eu quase quebrei o braço dele, imagina o que eu poderia fazer com ele se eu me zangasse (novamente eu já escrevi essa historia, mas acho que ela foi apagada). Tenho certeza que vocês ainda estão se perguntando o que isso tem em relação a minha dor de amor. O que acontece é que eu ganhei mais alto confiança e ja falava mais com as outras pessoas. E eis que na oitava série ela volta para a minha vida... ainda mais bonita do que antes.
E eu ainda sentava na mesma cadeira de sempre na primeira cadeira da fileira do meio, e ela continuava sentando na parte de trás, na verdade ela se sentava na parte do meio da fileira que ficava do lado da janela (essa janela dava vista para a parte interna da escola e não havia janela que mostrava a parte de fora do colegio). Ela passou a estudar no turno da manhã ao invés do turno da tarde, e com ela veio uma amiga dela que falava bastante.
Ela começou a namorar um cara mais velho e este cara, ao meu ver não combinava com ela (embora isso eu possa estar dizendo porque como todo nerd eu sabia que eu ia ser uma pessoa melhor para ela). Ele (a criatura que ela namorava) gostava de desenhar e eu também, a diferença é que ele gostava de desenhar coisas que já foram desenhadas (tipo os personagens do mortal kombat) e eu gostava de desenhar coisas novas. Ele repetiu de ano, duas vezes, e eu sempre estava passado na metade do ano, em julho, (nesse tempo você era aprovado com media 5). Ele só falava besteira e coisas idiotas (ele inventou uma música imitando uma música [acho que do zezé de camargo e luciano] que tinha um refrão que falava sobre como amar e ele apenas trocou a palavra amar por cagar. Imagina se essa criatura tem filhos!!) e eu o pouco que falava era apenas para passar conhecimento, consolação e/ou alegria. Ele era todo tatuado e tinha uma cara de marginal, e o pior é que era aqueles marginais que dá vontade de rir. Eu sempre me arrumei bem e me preocupava com a minha aparência. E ele ainda tratava ela mal!!! Meio que desprezava ela, isso porque ela era mais nova e por estar namorando um cara mais velho acabava pondo ele em um pedestal e ele percebendo que ela comia na sua mão a desprezava e a tratava mal, e eu ainda achava que ele tinha outra por fora (uma amante se você gostar do termo). Eu por outro lado a colocava em um ponto muito alto, como se ela fosse algo que eu não devesse sequer tocar... no fundo eu até que procurava não a desejar tanto, porque eu achava que ela merecia ser amada por alguém melhor que eu, eu pensava que eu não tinha os requisitos certos para ela.
Depois de uns meses esse cara desapareceu da face da terra, eu nunca mais o vi e parece que meu querido anjo também não o viu mais... eu sinceramente fiquei feliz. Não bastasse o sofrimento de tê-la perdido durante anos eu ainda tive que me conformar em vê-la acampanhada de alguém que ao meu ver era um crápula. Isso me faz lembrar da época de inicio de ano quando ela passou a estudar na parte da tarde. No primeiro dia de aula eu fiquei apreensivo por não tê-la visto na sala. Eu sentia o meu coração bater mais e mais forte a cada aluno que chegava e o via sentir uma pontada quando percebia que o aluno não era ela... Pior foi quando o professou chegou e começou a escrever o texto no quadro negro, então eu percebi que horas eram e que já estava próximo de começar a aula e ela ainda não tinha chegado.
“Talvez ela tenha se atrazado”...
O professor já escrevia naquele maldito quadro negro fazia mais de uma hora e a sala já estava cheia. Eu estava divido em escrever aquela matéria tosca e os meus pensamentos. E isso me dava raiva porque eu não conseguia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Se vocês quiserem me ver com raiva é só interromper a minha linha de pensamento por cinco minutos, se eu não consigo pensar porque tem alguém me atrapalhando eu viro uma fera!! Um animal descontrolado que age apenas por instinto, um ser abominavel que não está nem aí para o sentimento dos outros e acaba descontando a sua fúria em qualquer pessoa que passe por perto, isso tudo para que elas se afastem e me deixem pensar direito. Com isso eu ficava cada vez pior, eu não conseguia escrever e nem pensar... mas ainda assim eu estava com raiva mesmo por estar ansioso para vê-la depois de meses e no fim ela não aparreceu.
“Talvez ela não venha hoje... ela pode estar viajando...”
E os dias viraram uma semana, e a semana se juntou com outra e outra e depois de um tempo as semanas se juntaram e formaram um mês. E eu percebi que ela não vinha mais... durantes as outras semanas eu fiquei remoendo lembranças felizes de nós dois (na verdade nunca existiu um “nós”, as lembranças que eu tinha eram em sua maioria sobre as vezes que eu ouvia a voz dela em uma conversa, ou as vezes que eu a via passando por perto de mim no intervalo e coisas do tipo) e também tentando descobrir onde ela tinha se escondido. As opções não eram nada boas... ela poderia ter mudado de escola, poderia ter mudado de municipio ou até mesmo viajado para outro estado, páis ou continente. Me senti bem melhor quando descobri que ela apenas tinha mudado de turno. Mas eu nunca a vi pela escola quando eu vinha de tarde para fazer trabalhos em grupos na parte da tarde na escola.
Eu pensava que ficar sem vê-la era ruim, mas depois que eu a vi com aquele cara, ai é que eu entendi que a vida não é justa, se você quer justiça você deve procura-la e lutar para que ela seja eficaz. Você nada recebe além daquilo que você lutou.
Na verdade, agora que eu estou puxando pela memoria, eu não lembro ao certo se estava oficializado alguma coisa entre eles dois, na verdade eu não tenho nenhuma memoria visual (memoria em video) que mostre os dois se beijando, talvez eu tenha bloqueado tais memorias ou talvez eles fossem somente amigos, mas eu não acredito nessa hipotese.
Esse cara ficou menos de um ano na escola. Depois dele veio outro cara que é ainda pior. Eu não digo que ele era pior porque ele tivesse menos qualidade do que o primeiro cara e sim porque ele era um garoto normal. Eu imaginava que para ela tinha que ser um príncipe com diversas qualidades. Mas aquele cara era um cara normal, não era muito inteligente mas também não era burro. Não era do tipo atletico mas jogave razoavelmente. Não era romantico mas conseguia manter uma conversa com uma menina bonita sem falar besteira (coisa que eu sempre consegui, mas normalmente elas não vinham falar comigo).
Eles não namoraram, eles não se beijavam na escola, eles sequer se abraçavam. E eu poderia até hoje pensar que eles nunca tiveram nada, se não fosse um caso que rolou na boca pequena (essa expressão significa um fofoca que foi comentada apenas com um seleto grupo de pessoas, ao contrário da fofoca comum que rola pela boca grande). Dois amigos meus (naquela época eles eram o mais próximo de uma amizade na escola que eu tinha, mas eles se sentavam nas ultimas cadeiras e eu sentava nas primeiras) me contaram algo que espedaçou todos os meus pensamentos e ideias que eu tinha sobre ela. O que eles falaram foi tão forte que a imagem que eu tinha dela foi totalmente destruída. E eu acredito ser verdade porque esse tipo de comentário perde a força depois de algum tempo e eles nunca negaram o que disseram, eles mesmo depois de anos continuaram falando ser verdade.
Esse comentário que eu ouvi da boca deles eu não ouvi da boca de ninguém mais, o que me leva a crer que o boato não se espalhou já que foram somente eles que presenciaram a cena que levou o boato adiante. Eu realmente fiquei acabado...
Meu jovem coração pareceu que derretia, como se ele tivesse perdido o equilibrio ao ouvir aquilo e que aos poucos eles começasse a não sentir mais o chão e simplesmente cair de costas e bater a cabeça no piso. E ao contrario da maioria ele não que sair daquela posição deploravel e se levantar. Ele quer ficar ali no chão se remoendo por dentro e sentir a dor que a queda provocou em suas costas e cabeça. A dor o ajuda a tentar esquecer o que o coração sente mas ela só piora tudo. Isso porque não importa quanta dor física você está sentidno, o seu coração te faz sentir pior com a dor que ele emana e esta vai se alastrando pelos outros orgãos, musculos, nervos como se fosse un câncer maligno que se alastra e domina cada parte do seu corpo e depois de dominada ele a inutiliza e logo você não passa de um corpo sem vida que não quer mais sentir emoções e por causa disso você fica sozinho com sua dor.
O pior acontece quando esse câncer que é a dor do coração domina todo o seu corpo, isso porque depois de dominado o corpo só resta se apossar da alma. Depois que a alma foi tomada a pessoa alegre que você foi antes está acabada, você está totalmente rendido e derrotado. Com a alma repleta de dor e angustia a sua vida perde o sentido, você não vê mais razão para comer, dormir, sair com os amigos e principalmente... você não vê mais razão em amar...
Depois que a sua alma é dominada e assolada pelo sofrimento só lhe resta uma única saída. É ter por perto alguém que tenha uma alma mais forte que a sua para lhe dar apoio e amor. Essa pessoa pode ser parte da sua familía, o seu amigo, alguém que mal lhe conhecia mas sentiu o sofrimento que você passava e resolver perguntar o que houve e em determinados casos essa alma forte pode até ser a mesma pessoa que feriu o seu coração.
Essa alma precisa ser mais forte que a sua porque normalmente uma alma ferida não quer a companhia de ninguém, ela quer ficar sozinha e se afundar em um poço cheio de angustia, dor, odio, orgulho ferido e coração machucado. E por causa disso, toda vez que alguém de alma mais fraca tenta lhe ajudar você tenta afastá-la e acaba conseguindo, já que a sua alma é mais forte. Agora se alguém de alma mais forte que a sua faz a mesma tarefa, ela provavelmente sairá vitoriosa, isso porque ela não desistirá na primeira tentativa, na verdade ela não desistirá nunca.
Isso faz uma pessoa refletir: “E se alguém de alma muito forte for pego pelas dores e doenças que aflingem o coração!? Quem irá ajudá-la?!”. Isso simplesmente não irá acontecer nunca. Eu não estou dizendo que uma pessoa de alma forte não tenha problemas com o coração, todos que tem um coração estão sujeitos e sentir dores por causa dele. Eu estou afirmando que alguém de alma muito forte nunca a deixará cair por terra perante um coração sofrido, ela sentirá as dores e essa dor se espalhará por todo o seu corpo, mas jamais afetará a alma.
Esse processo pode durar dias, semanas, meses ou até anos até que a alma seja completamente dominada, mas esse processo pode também durar apenas segundos. Eu vi na TV um caso de uma garota que namorava pela internet e certo dia o namorado dela terminou tudo. Ela ficou arrazada e foi para o seu quarto com lágrimas nos olhos e uma rasgadura no coração. Alguns minutos depois a mãe dela leu o que estava escrito no computador e foi atrás dela para consola-la. Ela encoutrou a filha morta...
Coisas assim acontece com quem tem a alma dominada pelo sofrimento, elas deixam de lutar e se rendem, desistem da vida. Vocês podem achar cruel, mas a vida é assim mesmo, se você desistir de lutar você fadadamente deixará de aproveitar a vida e acabará tendo o pensamento de que a vida não é tão boa assim. No fim somente a morte parecerá um caminho fácil a ser seguido. E isso não é verdade, no caso dessa menina descobriram que quem enviava as mensagens era a visinha dela que se passava por homem e a iludia somente para chegar o dia em que ela terminaria o namoro. Como vocês podem ver essa garota se matou, e a morte dela não valeu de nada.
Se ela tivesse lutado por um dia que seja, ou até mesmo uma hora ou duas, ela poderia ter descoberto quem era o tal homem da vida dela. E a sua tristeza se tranformaria em odio, raiva, dor, sentimentos ruins, porém construtivos. Ela daria outro rumo para a vida dela e viverria. Quem sabe ela até encontrasse um rapaz que valesse a pena.
O mesmo poderia ter acontecido comigo, eu fiquei triste e até não acreditei no que eu tinha ouvido. Depois de um tempo eu percebi que eles não tinham motivo para mentir. Mas até hoje eu estou com uma pulga atrás da orelha. Não que eu não acredite nos meus amigos, mas é que eu gosto de ouvir todos os lados de uma historia antes de dar credito a alguém. Por isso eu teria que conversar com essa menina e perguntar se realmente era verdade.
No mesmo ano ela saiu da escola, mas ela foi até o fim do ano e até fizemos a formatura da oitava série juntos. Depois eu não a vi mais. E quando eu digo isso eu quero dizer que eu sequer sabia para onde ela foi, em qual escola ela estava estudando ou coisas do tipo. Ela poderia estar estudando no turno da tarde, mas eu nunca vou saber.
Durante anos eu pensei que esse amor que eu senti era algo infantil, como eu poderia amar alguém com quem eu mal falava!? Nós nunca tivemos uma conversa séria, ou mesmo uma conversa divertida. Nossos dialgos não duravam mais que um minuto, embora todas as vezes em que falamos eu conseguia tirar um sorriso daquele rosto bonito. Eu me convenci disso e estudei o primeiro, segundo e terceiro ano sem pensar nela. Me formei na faculdade e já não lembrava dela.
Eu bem que gostaria de terminar a minha historia por aqui, assim ela teria um final razoavel. Onde eu superei um amor que parecia que não ia dar certo, mas eu tenho que contar toda a historia já que os relotos que eu descrevo precisam ser completos.
Eu estava indo pro shopping para ir ao cinema assistir um filme. Eu estava com o meu irmão, ele que estava dirgindo. Ele estacionou o carno no estacionamento do subsolo e fomos para o elevador do shopping. Quando estavámos chegando no elevador tinha uma familia saíndo dele. Nós aproveitamos a porta aberta e entramos. Quando eu entrei no elevado e este comçou a fechar a porta eu levantei a cabeça e vi no meio daquela familia que estava parada na frente do elevador, uma pessoa em particular que me interessou muito. Essa pessoa estava parada olhando para o elevador. Na verdade ela estava olhando para mim. É incrivel como os olhos dela mostravam a clareza do seu pensamento. Eles diziam: “Será que é ele mesmo!?”. Quando eu a vi as portas do elevador começaram a ficar mais lentas e quase não fecharam porque o mundo tornou a parar...
Como eu havia dito para a mara-momo, eu também já senti as dores que o coração proporciona. Eu acredito que já escrevi sobre vários tipos de dores. As dores físicas, as dores do constrangimento, as dores da mente, mas faltam ainda falar de outras dores que assolam a humanidade, entre elas está a dor do coração. E é para falar da mesma que eu estou abrindo uma nova postagem no tópico.
Como toda boa dor do coração, a minha começa quando eu era pequeno. Eu nasci em um município do estado do Pará. Cheguei a frequentar uma escola lá por uns tempos, na verdade eu não sei se eu cheguei a ficar um ano completo nela, porque eu tive que viajar para Macapá, um municio do estado do Amapá (além de município, Macapá é a capital do Amapá). Essa era uma terra desconhecida para um garoto de 4 anos, já que essa era a minha idade quando eu vim pra cá. Para aqueles que se perguntam se realmente é necessário eu contar esse drama todo antes de começar a falar sobre as dores que o meu coração já sentiu, eu devo lhes responder um sincero SIM, mas se você preferir, pode pular o texto e ir direto para a ação. Mas eu gostaria de lembrar que o amor é um dos sentimentos mais complicados que existe. Na verdade você pode senti-lo, mas não poderá explica-lo, isso porque o amor te ludibria e te deixa cego, surdo, mudo e burro. Não é uma critica ao amor o fato de ele te deixar burro, eu apenas estou falando aquilo que eu sinto e vejo que acontece em vários casos.
Voltando a minha história, nesse município eu vivia normalmente como uma criança feliz. Tinha amigos na minha rua e tinha amigos na minha escola, mas o estranho é que eu não lembro do rosto de nenhum deles. Mas de certa forma eu sei que eles existiam. Eu lembro um pouco da minha sala de aula e de minha professora. Lembro que eu era muito agitado e era uma peste na aula. Não tinha limites para mim. Algo mudou quando eu fui para a minha nova escola em Macapá, algo mudou e eu não lembro exatamente o que era. Lembro do meu primeiro dia de aula (ainda com 4 anos de idade), não lembro direito que série era... essa informação me foge a memoria, acredito que isso aconteça porque era irrelevante saber em que série se está quando se anota uma lembrança na mente. Eu me lembro bem era de uma coisa, eu estava nervoso. No meu primeiro dia de escola na minha escola antiga eu estava exitado, emocionado, empolgado. Eu sempre quis ir a escola para aprender coisas e tudo mais. Naquele dia ninguém se conhecia e isso era normal. Já na nova escola todos se conheciam e eu era o tal do aluno novo que veio de outro estado. Todos já sabiam de có o nome de cada um que estudava ali, tiveram um ano inteiro para aprender isso e eu tinha acabado de chegar e não sabia o nome de ninguém e ninguém sabia o meu nome. Lembro de não saber o que fazer, não sabia onde sentar, não sabia o que estavam estudando, eu não sabia quem estava ao meu redor e no fundo eu me sentia como se não soubesse de nada. Até que ela entrou na sala, ela era bonita, ah se era..., muito bonita. É normal demorar mais a atenção nas pessoas mais bonitas, para os garotos da minha idade não era comum se sentir atraído pelo sexo oposto, mas eu sempre fui precoce para a minha idade. Eu cheguei bem cedo no meu primeiro dia de aula, meu pai sempre acordou cedo porque tinha que trabalhar cedo (o trabalho dele começava as seis da manhã e por aqui o sol nasce as seis e dez da manhã, ou seja, ele nos deixava na escola quando ainda era noite), e para falar a verdade eu cheguei primeiro que todo mundo (inclusive a professora). Tive que esperar ela chegar para ser apresentado. E isso foi muito ruim, pois eu não conhecia ela (a menina) e ela não me conhecia, sendo assim ela me olhou com estranheza quando me viu. Eu sabia o que ela estava pensando, "e... quem é esse aí? Aluno novo?!".
Fui apresentado e ela (a professora) me disse que eu poderia sentar onde quisesse. Eu me sentei na primeira cadeira da fileira do meio. Eu não sabia exatamente onde sentar, na minha escola antiga todos se sentavam em mesinhas com cadeiras ao redor. Você só tinha que escolher qual mesa queria sentar e nela você seria apresentados a todos ao seu redor. É interessante, porque desse modo você sempre terá com quem conversar já que em uma mesa redonda alguém sempre estará te vendo, e com a convivência é meio difícil não fazer pelo menos quatro amigos (esse é o número de pessoas que cabia na mesa tirando você). Eu me sentei nessa cadeira porque era obvio as vantagens que ela oferecia. Eu uso óculos e por isso essa cadeira me oferecia a melhor visão do quadro negro, também iria ficar mais perto do professor e não teria problemas em escuta-lo, como eu seria o primeiro da fila não teria problemas em ter alguém mais alto do que eu sentado na minha frente e por aí vai as vantagens. Mas depois eu fiquei sabendo que essa cadeira é tipo como uma cadeira oficial para nerds, eu sempre achei engraçado a definição de um nerd. Um nerd seria uma pessoa que só pensa em estudar, mas você não vai a escola para aprender? E para aprender não é preciso estudar? Tudo bem que o nerd leva isso um pouco a sério, mas ele será o seu amigo e conversará bastante com você (mesmo no meio da aula) se você permitir como toda pessoa dita normal. Mas depois que você é tachado de nerd, ninguém quer virar o seu amigo, exceto em época de provas e trabalhos.
E lá estava eu sentado na primeira cadeira da fileira do meio para começar os meus estudos. E esse primeiro dia foi de matar, todos que chegavam para aula (no caso todos os alunos da sala, porque eu cheguei primeiro) davam de cara comigo e me olhavam com uma expressão esquisita, um misto de espanto e dúvida. Era óbvio que eles estavam com dúvidas para saber quem eu era, embora alguns ao me verem pensavam se tinham entrado na sala errada, inclusive alguns deles tiveram que olhar para cinco pessoas diferentes para ter certeza de que estavam no lugar certo. Mas no fim aquele olhar me incomodava, eu me sentia um animal desconhecido sendo exibido no zoológico. E as criancinhas perguntavam para os pais "Papai, que bicho é esse?", "Eu não sei querida, eu nunca vi esse bicho na minha vida. Vamos sair de perto porque ele pode ser perigoso.", "Certo, vamos ver os leões". Era muito chato. Até que ela entrou (nossa, que sensação de dejavu [Ah, é mesmo. Eu já tinha escrito essa parte]), antes dela outras duas meninas, também muito bonitas, já tinham entrado na sala, essas duas também me olharam com um olhar engraçado, mas eu não senti nada de especial em relação a elas. Mas quando ela entrou o mundo parou de girar. Eu li em certo lugar que em determinados momentos o nosso corpo para de enviar sinais do corpo inteiro para o celebro para que este apenas receba os sinais dos olhos, por isso o corpo deixa de sentir várias coisas e os olhos acabam por enviar um excesso de informação para o cérebro. É como se para reproduzir uma cena de 10 segundos uma câmera (nosso olho) tirasse umas 100 fotos e as reproduzissem (nosso cérebro) em sequência para fazer um filme, porém no exemplo que eu estou falando a câmera ao invés de tirar 100 fotos ela tira 700 fotos fazendo com que determinado momento realmente pareça estar andando em câmera lenta, esse fenômeno dura segundos. Mas eu não sabia disso naquele dia, eu realmente pensei que a terra estava girando mais devagar como se a beleza dela alterasse o tempo, ou mesmo como Deus resolvesse dar uma benção aos mortais para que quando ela passasse o tempo diminuísse a sua velocidade para que os pobres humanos pudessem admirar um pouco mais aquilo que eles não poderiam tocar ou possuir.
O estranho é que quanto mais ela se aproximava, mais o tempo parecia ficar mais lento. Tive uma ponta de medo nessa hora. Eu achei que chegaria um momento em que tudo pararia e não voltaria nunca mais a ter a sua velocidade normal. Como se alguém em algum lugar achasse que tanta beleza era proibido aos olhos de gente que não merecia e por isso deveriam parar no tempo e desaparecer da face da terra. Eu realmente pensei nessa possibilidade, mas eu a descartei logo em seguida porque dizem que sua vida passa diante de seus olhos quando você está prestes a morrer (mais um exemplo do efeito de câmera lenta) e tudo o que os meus olhos viam era aquele ser vivo de expressões calmas e desinteressadas. Eu pensei comigo mesmo "Deus do céu, se foste tão habilidoso em criar tal criatura, porque não encheu a terra com mais dela? Até hoje não tinha visto nada igual. É quase como se você mandasse um aleijado com apenas três dedos na mão tremula desenhar o traço do rosto humano e que somente uma vez por século você resolvesse pessoalmente dar vida a um rosto feminino que carregasse a luz do Sol e a levasse para a mais escura da salas iluminar o mais sombrio dos corações".
Ela passou por mim e foi se sentar lá atrás. Eu não quis virar a cabeça para que ela não percebesse que eu a estava admirando. Aos poucos o tempo começou a andar como ele sempre fez, aos poucos os meus olhos se acostumaram com o quadro negro que estava na minha frente, aos poucos as conversas dos outros alunos chegavam aos meus ouvidos, aos poucos os meus dedos voltavam a sentir a madeira macia do meu lapis, que estava na minha mão, aos poucos minha língua voltou a sentir o gosto de saliva e a superfície lisa dos meus dentes, aos poucos o meu nariz voltou a cheirar o ar úmido de Macapá e sentir diversas fragrâncias de perfumes e colonias, assim como desodorantes, giz, tinta de caneta, madeira de lapis, borrachas comuns e perfumadas, além dos peculiares cheiros de comidas que vinham de diversos lugares próximos da escola e na medida que os meus sentidos iam voltando eu notei que o meu peito doía, que estava faltando alguma coisa, eu não conseguia raciocinar direito, o meu peito doía e se sentia vazio, mas eu não me importei com isso porque eu estava tentando reproduzir com os mínimos detalhes a cena daquela garota entrando na sala na minha mente. Quando finalmente achei que estava perfeita eu me concentrei para gravar essa cena na minha cabeça o melhor que pude. Somente depois de satisfeito é que eu voltei a atenção para o meu peito que doía e percebi que a coisa estava ficando preta porque eu comecei a sentir tonturas e não conseguia pensar direito, eu me sentia abafado e enclausurado no fundo do oceano e só então eu percebi que EU NÃO ESTAVA RESPIRANDO!!! Ela mexeu de tal forma comigo que eu esqueci de respirar!!! Desde aquele momento eu percebi que ela era especial. É interessante como o tempo age sobre as pessoas, eu não a vejo há muitos anos e não tenho a menor ideia de onde ela está ou o que está fazendo, normalmente nós conhecemos um amigo que era muito amigo de outro cara da escola que namorou uma pessoa na nossa sala... no fim, sempre temos uma certa ideia de para onde todos foram parar, ainda mais em uma cidade relativamente pequena. Mas eu não sei nada dela.
Eu ia fazer um comentário sobre a ação do tempo, mas acho que é melhor eu deixar essa afirmação para o fim, assim deixa esse relato mais apaixonante e sem quebras de conteúdo (no caso eu só fiz meio comentário...). Onde eu estava mesmo? Ah, sim! Quando eu esqueci de respirar. E lá estava eu na minha velha posição na sala, primeira cadeira da fila do meio, prestando a maior atenção o possível no professor. Quando não se tem amigos a coisa mais interessante a se fazer é estudar e escutar o professor. Em média naquela altura do campeonato, primeira ou segunda série (não lembro o certo), os alunos respeitavam o professor e não conversavam muito. Chega a ser estranho estudar em uma sala um tanto quanto silenciosa, mas na segunda série tudo ainda é um pouco novo e a ameça de "contar tudo o que você faz para os seus pais" feita pelos professores é bastante ameaçadora para uma criança da segunda série (eu digo segunda série porque eu realmente não me lembro se eu completei a primeira série toda no Pará). Por isso é normal que ninguém converse muito na aula, e mesmo aqueles que conversavam, não passavam de sussurros feitos o mais baixo o possível para que a professora não ouvisse. No fim a aula sempre ficava um tanto silenciosa. E como eu me sentava na primeira cadeira da fileira do meio eu praticamente não via ninguém que estivesse na minha frente, mesmo as cadeiras que estavam ao meu lado, no caso as primeiras cadeiras das outras quatro fileiras, pareciam ficar um pouco atrás da minha cadeira, como se elas se arrastassem um pouco para trás para ficar mais próximo da segunda cadeira e mais longe do professor. Sendo assim eu acabei me acostumando a não ver os outros alunos, mas devido a minha curiosidade eu fui me acostumando a ouvi-los.
Vejam bem, eu era o primeiro da turma, eu não tinha amigos e só me restava estudar, e de vez em quando a professora repetia a matéria umas dez vezes para que os outros alunos, aqueles que conversavam ou tinham problemas de atenção (entre outros motivos), que não tinham entendido a matéria. Nesses dias eu já tinha resolvido todos os exercícios que eram pertinentes a essa matéria no livro. Muitos desses exercícios a professora passaria para a casa. Eu me orgulho até hoje de nunca ter feito um dever de casa em casa. E estudar em casa era outra coisa que eu não fazia, eu preferia passar a tarde toda jogando com os meus amigos da rua. Mas, voltando para a sala de aula, ao longo dos anos eu fui desenvolvendo uma excelente capacidade auditiva, já que as conversas aumentavam em quantidade e qualidade. Na segunda série as conversas variavam sobre o lanche que a mamãe tinha feito para o recreio, os desenhos que estavam passando na TV (ou isso ou falavam de um capitulo em particular dos desenhos que passaram no dia anterior), os filmes que passaram na TV (nessa idade ninguém ia pro cinema, diferente de hoje onde as crianças da segunda série vão pro cinema vestidas para parecem mais velhas [o que somente as deixam com cara de prostitutas e arruaceiros {analisa o vestuário: bota cano longo, saia curta, blusa ou tomara-que-caia que deixa o umbigo e as costelas de fora, uma jaquetinha que é menor que a blusa, o cabelo tem que estar solto e a cara tem que ter mais maquiagem que uma gueicha japonesa e de preferência tudo preto feito de jeans e couro; já os meninos usam tênis, calça jeans rasgada nos joelhos, com partes mais coloridas do que outras, e desenho de dragões ou tigres do lado e essa calça jeans tem no mínimo 14 bolsos sendo que 8 deles ele nunca vai usar e os outros 6 ele usa para guardar a carteira, celular, chaves, doces (para emergências como chicletes, halls, menta e outros) e outras coisas que eu não quero nem adivinhar (camisinhas, facas e revolveres os quais eles levam para escola para se amostrar e acabam matando alguém ou engravidando uma menina menor que ele [o recorde da região é de uma menia de 6 anos que engravidou do NAMORADO de 10 anos...]), de camisa ele usa uma t-shirt com desenhos de dragões ou tigres, números (saldando os jogadores de futebol), estampas que falam sobre o surf, pitbulls, morte e outros (de vez em quando eles usam uma jaqueta com dragões e tigres e uma t-shirt com estampa)}]) e como passar das fases difíceis dos jogos do saudoso supernintendo.
Continuando em outro paragrafo porque o de cima está muito grande... Como eu ia dizendo, nessa época não havia muitos assuntos interessantes, mas com toda certeza era mais interessante do que ouvir a explicação da matéria pela décima vez. No início foi um tanto complicado, eu deixava de ouvir o que a professora dizia e começava a tentar ouvir o que as pessoas estavam falando, eu tinha de concentrar e por isso eu baixava levemente a cabeça e começava a ouvir. Eu não conseguia ouvir muita coisa, normalmente uma palavra dita mais alta que as outras e assim eu ia formando frases e ficava ciente do assunto geral. Mas eu só conseguia ouvir uma conversa por vez, com o tempo eu fui aperfeiçoando a técnica e já conseguia ouvir várias conversas de uma vez só, inclusive a matéria repetida pela professora. Eu já ouvia frases inteiras e já estava virando um habito ouvir tudo o que estavam falando ao meu redor (por isso não é bom contar fofoca perto de mim) e com o tempo eu descobri que me privando de algum outro sentido eu poderia aguçar a minha audição, futuramente eu descobri que normalmente o ser humano não consegue usar todos os cinco sentidos ao mesmo tempo porque o cérebro não consegue processar tanta informação ao mesmo tempo, por isso quando eu me privava da minha visão eu poderia ouvir melhor. Assim eu passava a maior parte do dia de cabeça baixa e de olhos fechados (e acabava parecendo que eu estava dormindo).
Na faculdade eu fiz o mesmo processo e todos acharam que eu era um vagabundo filhinho de papai que passava a noite toda na farra e vinha com sono para a faculdade desperdiçar o dinheiro suado que o meu pai gastava. Muitos ficaram com mais raiva ainda quando no fim do primeiro semestre eu não tirei uma média menor que oito e meio. Teve gente que foi me acusar para o professor que eu estava colando e como muitos não tiraram uma nota boa naquele tempo (o porque eu não sei porque a maior parte do que foi ensinado nada mais era que um resumo do meu primeiro, segundo e terceiro ano de escola) eles ficaram com mais raiva ainda como quem pensa “eu me mato para estudar e fico com nota vermelha e aquele filhinho de papai que vive dormindo na aula passa colando e ninguém faz nada!?”.
Quando chegou a hora de fazer os seminários (você apresenta um trabalho para a turma) todos perceberam que eu não era um burro ou um analfabeto... na verdade eu tive que ensinar muita gente sobre a matéria para que não tivessem que repetir de ano. E ainda tinha gente que se perguntava como não tinha entendido uma matéria tão fácil (mas eu sabia o porque!! Na minha turma tinha apenas quatro homens e o resto dos 40 alunos eram todas mulheres. Com isso a fofoca rolava solta e quase ninguém prestava atenção na aula. Inclusive um dos homens reclamava muito porque a conversa sempre era maior que a voz do professor). Depois uma professora minha me perguntou como era que eu sabia tanto da matéria se eu vivia dormindo na aula. Ela achava que eu estudava em casa. Eu simplesmente falei:
“Eu nunca que vou gastar meu tempo estudando em casa, neca de biritibica.... eu prefiro dormir, jogar bola, ir pro cinema e essas coisas. Acontece que eu nunca dormi em uma aula sua. O fato de eu estar com olhos fechados e a cabeça baixa não significa exatamente que eu esteja dormindo. Na verdade eu estou ouvindo atentamente o que se passa ao meu redor, inclusive a sua matéria e com isso eu consigo aprender o assunto e ainda fico atualizado sobre as fofocas que rola aqui na sala. Você sabia por exemplo que tem um cara no outro prédio que é gay, namora uma menina super linda e nos finais de semana ele diz que vai sair com os amigos e vai todo mundo pro motel?! (eu soltei essa fofoca porque ninguém do grupo de meninas que tinha falado ela estava na aula...)”. Depois eu expliquei como funciona o processo com embasamento da ciência, inclusive os astronautas fazem a mesma coisa para aprender certas coisas....
Tudo bem, tem gente se perguntando o que isso tudo tem haver com a minha historia... TUDO!!! Como eu já expliquei eu ficava ouvindo tudo o que se comentava naquela sala, com o passar dos anos os assuntos foram ficando mais interessantes e animadores, certos dias era mais vantajoso ouvir fofoca do que prestar atenção na explicação da matéria nova. Mas não havia coisa mais interessante do que ouvir ela falar... não importava sobre o que era, o assunto recebia prioridade! Pena que ela tinha uma voz suave quando sussurrava... A sensação que eu tinha ainda era tão intensa e marcante quanto no primeiro dia que eu a vi. O tempo ainda ficava lento e tudo mais, mas agora eu era mais maduro e mais esperto... eu me lembrava de respirar!!! Exceto quando a minha respiração me atrapalhava quando eu tentava ouvir o som dos passos dela e o ritmo de sua respiração... aí não tinha jeito, eu parava de respirar mesmo!!
Todos os anos no nosso colegio havia várias comemorações em que os alunos se organizavam para fazer alguma coisa. Tinha festa junina e cada turma tinha que fazer uma dança de quadrilha, natal onde todos faziam uma comemoração no fim do ano com músicas natalinas e várias outra. Em todas essas comemorações e eventos eu sempre quis ficar perto dela e não conseguia. Nas festas juninas eu queria formar par com ela, mas sempre me colocavam do lado de uma baixinha, pudera... eu era o segundo mais baixo da turma (e ela é um pouco maior que eu... droga de vida!!!) e o pior é que parece que toda mulher baixinha é feia (nada contra uma mulher baixinha, nada contra uma mulher feia e nada contra uma mulher baixinha e feia... mas vocês sabem que quando novos costumamos levar em consideração apenas a aparência...). Mesmo quando uma vez eu tive que fazer par (porque eram os professores que formavam os pares) com uma menina bonitinha ela nao podia ensaiar no mesmo horario que eu e no dia da festa ela ficou do meu lado só no inicio, depois um pouco antes da quadrilha começar ela trocou de lugar com uma amiga dela que era mais alta e ia fazer par com um menino que ela (a menia bonitinha que eu ia fazer par) era afim. E adivinhem!? Essa menina amiga dela era feia e baixinha (e era a mais feia e baixinha que eu vi na vida!!! Naquele momento eu penssei que Deus tinha castigado ela porque pra nascer feia e baixinha daquele jeito só poderia ser sacanagem... Agora pensa numa menina com um fogo da poha... ela agarrou o meu braço de um jeito que deu medo e durante a dança ela fazia de tudo para se aproveitar do meu corpo...
Porém teve um ano em que EU IA FAZER PAR COM ELA!!! Bem... na verdade... não era bem par com ela... era uma época de natal e íamos cantar uma música de natal enquanto fazíamos uma coreografia. Nessa coreografia todo mundo fica va em grupo ou em fila lado a lado e em ambos os casos eu ficaria do lado dela. E nesse dia eu senti uma pontada no coração porque uma professora doida tinha tirado ela do meu lado justo na hora em que íamos nos apresentar!! Só que Deus existe e ele mandou a professora certa ajustar a merda que a outra ia fazer e no fim deu tudo certo... Pensem em um menino de dez anos que esteja muito feliz... agora dá pra ele um playstation 3... e um carro importado que ele não pode dirigir mas você diz que ele pode fazer o que quizer... multiplica isso por dez e vocês terão uma vaga ideia do quanto eu estava feliz!!! Naquele dia eu perdoei o Papai Noel por todos os natais que eu não recebi nada de presente (o meu pai só dá presente para a minha irmã mais nova). Mais tudo tem o seu preço... no ano seguinte ela passou a estudar no turno da tarde, enquanto eu sempre estudei no turno da manhã...
Nos anos seguintes eu passei a ser um pouquinho mais popular... isso tudo porque criou-se uma nova mania na minha sala... queda de braço. A moda agora era saber quem era o mais forte na queda de braço, e de certa forma isso dava status. Em dias já existia um ranking na turma, as vezes eu achava que tinham tudo escrito em um papel, mas nunca foi confirmado nada. Eu não participei porque eu era tão tímido que não sabia como entrar em uma conversa, mas sabia manter uma conversa sobre qualquer assunto numa boa. Logo eu não conversava com ninguém que não viesse conversar comigo, e como eu não tinha amigos eu não conversava com ninguém, ainda bem que eu só tinha um inimigo... mas essa é outra historia (na verdade eu acho que eu já escrevi ela, mas ela foi apagada...). Isso mudou até que tinha um cara muito ruim de braço de ferro (esse era o cara mais baixinho da sala e meu único inimigo [eu não tinha nada contra ele, mas ele gostava de me encher o saco todos os dias]) e ele não conseguiu vencer ninguém, mas ele ainda conseguia disputar com um outro cara lá, mas ainda sim ele sempre perdia.
Certo dia eles disputaram de novo para ver se o baixinho conseguia vencer dessa vez, não deu outra, ele tentou, se esforçou, quase conseguiu e ainda assim ele perdeu. Nisso o outro cara (o que ganhou) disparou:
-Num sei porque tú ainda tenta, tú não ganharia nem do Fábio (eu)!
-O que?! Eu não ganho do Fábio!? Dele eu ganho com as duas mãos na costa!!
E deu-se inicio ao braço de ferro do século!! De um lado um cara que mesmo medianamente forte nao conseguiu vencer ninguém e do outro lado, EU! O cara em que ninguem prestava atenção, o cara dito como estranho, o cara que era magro que dava dó e em menos de um ano ficou gordo de dar mais dó ainda!
Antes de começar a descrever a queda de braço do século eu devo contar um pouco sobre minha infância. Já fazia alguns anos que o meu pai via eu e o meu irmão em casa sem fazer nada a tarde e resolveu por nós dois para trabalhar (de acordo com a educação dele, criança que não trabalha vira vagabundo. E ele começou a trabalhar ainda mais cedo na roça e por isso ele acreditava ser normal colocar duas crianças, cada um com uns nove anos, para trabalhar). Ele trabalhava em um supermercado, nesse supermercado vendia-se no varejo (unidade) e no atacado (caixa cheia de unidades). Ele trabalhava organizando a área de entrega de atacado e colocou eu e o meu irmão para empacotar as compras das pessoas que compravam no varejo. E naquele tempo não existia carrinho, onde você colocava as compras e ia deixar no carro do cliente. Naquele tempo só o cliente usava um carrinho para colocar as compras e tú tinha que se virar e carregar tudo no braço e deixar no carro do cliente e tinha que fazer apenas uma viagem porque na volta o caixa já estava cheio e tú ia se ferrar mais ainda se demorasse duas viagens. O ruim era que não tinha outras pessoas para fazer esse trabalho, era só eu e o meu irmão.
Nós íamos todos os sábados quando não tinha aula e todos os dias quando estávamos de férias. E aí se agente conversasse com o nosso pai sobre uma mesada, tudo o que ganhavámos era o que os clientes nos davam de gorgeta e para piorar tudo, a maioria achava que agente ganhava um sálariozinho... tradução: ninguém liberava nada, nem na época do natal!!! Mas agora imagine uma criança de uns 9 anos de idade carregar mais de 20kg por compra, agora imagine essa mesma criança fazer isso durante oito horas por dia, sendo que no natal as compras tinham uma média de 30 a 50kg. Eu podia até ser gordo, mas tinha uns braços bem grosos.
E eu fiquei meio sem graça de participar daquele embate, isso porque não tinham me convidado e sem dito que eu era fraco. Eu não tinha ideia da minha força, para mim todo mundo naquela sala era mais forte do que eu porque eram magros e bem definidos, alguns faziam musculação a anos (isso aos treze anos) e tinham os braços bem definidos. Mas de uma coisa eu sabia, na hora que começasse eu tinha que colocar toda a minha força logo de imediato para não perder. E lá estava eu diante do cara que eu mais odiava naquela sala, na verdade ele era o únicco cara o qual eu nao gostava. Quando o juiz, outro cara, disse a palavra mágica (“JÁ”) e coloquei toda a minha força para poder derrotar o cara e não fazer feio... quase quebrei o braço dele e no fundo eu até que fiquei feliz por ele ter se ferido um pouco.
Logo todos estavam sacaneando o baixinho (menos eu, eu sabia o quanto isso era chato) e ele, para se defender, falou que eu provavelmente poderia ganhar do cara que ele perdia sempre. E de novo começamos novo embate, e lógicamente ele perdeu com muita facilidade. No fim eu fiquei em segundo lugar no ranking, só perdi pra um cara lá que era 20cm mais alto que todo mundo e duas vezes mais largo. E ainda assim foi uma grande luta, até porque ele era duas vezes mais alto do que eu.
Com isso eu ganhei uma certa fama e o baixinho começou a me amolar menos, até porque eu quase quebrei o braço dele, imagina o que eu poderia fazer com ele se eu me zangasse (novamente eu já escrevi essa historia, mas acho que ela foi apagada). Tenho certeza que vocês ainda estão se perguntando o que isso tem em relação a minha dor de amor. O que acontece é que eu ganhei mais alto confiança e ja falava mais com as outras pessoas. E eis que na oitava série ela volta para a minha vida... ainda mais bonita do que antes.
E eu ainda sentava na mesma cadeira de sempre na primeira cadeira da fileira do meio, e ela continuava sentando na parte de trás, na verdade ela se sentava na parte do meio da fileira que ficava do lado da janela (essa janela dava vista para a parte interna da escola e não havia janela que mostrava a parte de fora do colegio). Ela passou a estudar no turno da manhã ao invés do turno da tarde, e com ela veio uma amiga dela que falava bastante.
Ela começou a namorar um cara mais velho e este cara, ao meu ver não combinava com ela (embora isso eu possa estar dizendo porque como todo nerd eu sabia que eu ia ser uma pessoa melhor para ela). Ele (a criatura que ela namorava) gostava de desenhar e eu também, a diferença é que ele gostava de desenhar coisas que já foram desenhadas (tipo os personagens do mortal kombat) e eu gostava de desenhar coisas novas. Ele repetiu de ano, duas vezes, e eu sempre estava passado na metade do ano, em julho, (nesse tempo você era aprovado com media 5). Ele só falava besteira e coisas idiotas (ele inventou uma música imitando uma música [acho que do zezé de camargo e luciano] que tinha um refrão que falava sobre como amar e ele apenas trocou a palavra amar por cagar. Imagina se essa criatura tem filhos!!) e eu o pouco que falava era apenas para passar conhecimento, consolação e/ou alegria. Ele era todo tatuado e tinha uma cara de marginal, e o pior é que era aqueles marginais que dá vontade de rir. Eu sempre me arrumei bem e me preocupava com a minha aparência. E ele ainda tratava ela mal!!! Meio que desprezava ela, isso porque ela era mais nova e por estar namorando um cara mais velho acabava pondo ele em um pedestal e ele percebendo que ela comia na sua mão a desprezava e a tratava mal, e eu ainda achava que ele tinha outra por fora (uma amante se você gostar do termo). Eu por outro lado a colocava em um ponto muito alto, como se ela fosse algo que eu não devesse sequer tocar... no fundo eu até que procurava não a desejar tanto, porque eu achava que ela merecia ser amada por alguém melhor que eu, eu pensava que eu não tinha os requisitos certos para ela.
Depois de uns meses esse cara desapareceu da face da terra, eu nunca mais o vi e parece que meu querido anjo também não o viu mais... eu sinceramente fiquei feliz. Não bastasse o sofrimento de tê-la perdido durante anos eu ainda tive que me conformar em vê-la acampanhada de alguém que ao meu ver era um crápula. Isso me faz lembrar da época de inicio de ano quando ela passou a estudar na parte da tarde. No primeiro dia de aula eu fiquei apreensivo por não tê-la visto na sala. Eu sentia o meu coração bater mais e mais forte a cada aluno que chegava e o via sentir uma pontada quando percebia que o aluno não era ela... Pior foi quando o professou chegou e começou a escrever o texto no quadro negro, então eu percebi que horas eram e que já estava próximo de começar a aula e ela ainda não tinha chegado.
“Talvez ela tenha se atrazado”...
O professor já escrevia naquele maldito quadro negro fazia mais de uma hora e a sala já estava cheia. Eu estava divido em escrever aquela matéria tosca e os meus pensamentos. E isso me dava raiva porque eu não conseguia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Se vocês quiserem me ver com raiva é só interromper a minha linha de pensamento por cinco minutos, se eu não consigo pensar porque tem alguém me atrapalhando eu viro uma fera!! Um animal descontrolado que age apenas por instinto, um ser abominavel que não está nem aí para o sentimento dos outros e acaba descontando a sua fúria em qualquer pessoa que passe por perto, isso tudo para que elas se afastem e me deixem pensar direito. Com isso eu ficava cada vez pior, eu não conseguia escrever e nem pensar... mas ainda assim eu estava com raiva mesmo por estar ansioso para vê-la depois de meses e no fim ela não aparreceu.
“Talvez ela não venha hoje... ela pode estar viajando...”
E os dias viraram uma semana, e a semana se juntou com outra e outra e depois de um tempo as semanas se juntaram e formaram um mês. E eu percebi que ela não vinha mais... durantes as outras semanas eu fiquei remoendo lembranças felizes de nós dois (na verdade nunca existiu um “nós”, as lembranças que eu tinha eram em sua maioria sobre as vezes que eu ouvia a voz dela em uma conversa, ou as vezes que eu a via passando por perto de mim no intervalo e coisas do tipo) e também tentando descobrir onde ela tinha se escondido. As opções não eram nada boas... ela poderia ter mudado de escola, poderia ter mudado de municipio ou até mesmo viajado para outro estado, páis ou continente. Me senti bem melhor quando descobri que ela apenas tinha mudado de turno. Mas eu nunca a vi pela escola quando eu vinha de tarde para fazer trabalhos em grupos na parte da tarde na escola.
Eu pensava que ficar sem vê-la era ruim, mas depois que eu a vi com aquele cara, ai é que eu entendi que a vida não é justa, se você quer justiça você deve procura-la e lutar para que ela seja eficaz. Você nada recebe além daquilo que você lutou.
Na verdade, agora que eu estou puxando pela memoria, eu não lembro ao certo se estava oficializado alguma coisa entre eles dois, na verdade eu não tenho nenhuma memoria visual (memoria em video) que mostre os dois se beijando, talvez eu tenha bloqueado tais memorias ou talvez eles fossem somente amigos, mas eu não acredito nessa hipotese.
Esse cara ficou menos de um ano na escola. Depois dele veio outro cara que é ainda pior. Eu não digo que ele era pior porque ele tivesse menos qualidade do que o primeiro cara e sim porque ele era um garoto normal. Eu imaginava que para ela tinha que ser um príncipe com diversas qualidades. Mas aquele cara era um cara normal, não era muito inteligente mas também não era burro. Não era do tipo atletico mas jogave razoavelmente. Não era romantico mas conseguia manter uma conversa com uma menina bonita sem falar besteira (coisa que eu sempre consegui, mas normalmente elas não vinham falar comigo).
Eles não namoraram, eles não se beijavam na escola, eles sequer se abraçavam. E eu poderia até hoje pensar que eles nunca tiveram nada, se não fosse um caso que rolou na boca pequena (essa expressão significa um fofoca que foi comentada apenas com um seleto grupo de pessoas, ao contrário da fofoca comum que rola pela boca grande). Dois amigos meus (naquela época eles eram o mais próximo de uma amizade na escola que eu tinha, mas eles se sentavam nas ultimas cadeiras e eu sentava nas primeiras) me contaram algo que espedaçou todos os meus pensamentos e ideias que eu tinha sobre ela. O que eles falaram foi tão forte que a imagem que eu tinha dela foi totalmente destruída. E eu acredito ser verdade porque esse tipo de comentário perde a força depois de algum tempo e eles nunca negaram o que disseram, eles mesmo depois de anos continuaram falando ser verdade.
Esse comentário que eu ouvi da boca deles eu não ouvi da boca de ninguém mais, o que me leva a crer que o boato não se espalhou já que foram somente eles que presenciaram a cena que levou o boato adiante. Eu realmente fiquei acabado...
Meu jovem coração pareceu que derretia, como se ele tivesse perdido o equilibrio ao ouvir aquilo e que aos poucos eles começasse a não sentir mais o chão e simplesmente cair de costas e bater a cabeça no piso. E ao contrario da maioria ele não que sair daquela posição deploravel e se levantar. Ele quer ficar ali no chão se remoendo por dentro e sentir a dor que a queda provocou em suas costas e cabeça. A dor o ajuda a tentar esquecer o que o coração sente mas ela só piora tudo. Isso porque não importa quanta dor física você está sentidno, o seu coração te faz sentir pior com a dor que ele emana e esta vai se alastrando pelos outros orgãos, musculos, nervos como se fosse un câncer maligno que se alastra e domina cada parte do seu corpo e depois de dominada ele a inutiliza e logo você não passa de um corpo sem vida que não quer mais sentir emoções e por causa disso você fica sozinho com sua dor.
O pior acontece quando esse câncer que é a dor do coração domina todo o seu corpo, isso porque depois de dominado o corpo só resta se apossar da alma. Depois que a alma foi tomada a pessoa alegre que você foi antes está acabada, você está totalmente rendido e derrotado. Com a alma repleta de dor e angustia a sua vida perde o sentido, você não vê mais razão para comer, dormir, sair com os amigos e principalmente... você não vê mais razão em amar...
Depois que a sua alma é dominada e assolada pelo sofrimento só lhe resta uma única saída. É ter por perto alguém que tenha uma alma mais forte que a sua para lhe dar apoio e amor. Essa pessoa pode ser parte da sua familía, o seu amigo, alguém que mal lhe conhecia mas sentiu o sofrimento que você passava e resolver perguntar o que houve e em determinados casos essa alma forte pode até ser a mesma pessoa que feriu o seu coração.
Essa alma precisa ser mais forte que a sua porque normalmente uma alma ferida não quer a companhia de ninguém, ela quer ficar sozinha e se afundar em um poço cheio de angustia, dor, odio, orgulho ferido e coração machucado. E por causa disso, toda vez que alguém de alma mais fraca tenta lhe ajudar você tenta afastá-la e acaba conseguindo, já que a sua alma é mais forte. Agora se alguém de alma mais forte que a sua faz a mesma tarefa, ela provavelmente sairá vitoriosa, isso porque ela não desistirá na primeira tentativa, na verdade ela não desistirá nunca.
Isso faz uma pessoa refletir: “E se alguém de alma muito forte for pego pelas dores e doenças que aflingem o coração!? Quem irá ajudá-la?!”. Isso simplesmente não irá acontecer nunca. Eu não estou dizendo que uma pessoa de alma forte não tenha problemas com o coração, todos que tem um coração estão sujeitos e sentir dores por causa dele. Eu estou afirmando que alguém de alma muito forte nunca a deixará cair por terra perante um coração sofrido, ela sentirá as dores e essa dor se espalhará por todo o seu corpo, mas jamais afetará a alma.
Esse processo pode durar dias, semanas, meses ou até anos até que a alma seja completamente dominada, mas esse processo pode também durar apenas segundos. Eu vi na TV um caso de uma garota que namorava pela internet e certo dia o namorado dela terminou tudo. Ela ficou arrazada e foi para o seu quarto com lágrimas nos olhos e uma rasgadura no coração. Alguns minutos depois a mãe dela leu o que estava escrito no computador e foi atrás dela para consola-la. Ela encoutrou a filha morta...
Coisas assim acontece com quem tem a alma dominada pelo sofrimento, elas deixam de lutar e se rendem, desistem da vida. Vocês podem achar cruel, mas a vida é assim mesmo, se você desistir de lutar você fadadamente deixará de aproveitar a vida e acabará tendo o pensamento de que a vida não é tão boa assim. No fim somente a morte parecerá um caminho fácil a ser seguido. E isso não é verdade, no caso dessa menina descobriram que quem enviava as mensagens era a visinha dela que se passava por homem e a iludia somente para chegar o dia em que ela terminaria o namoro. Como vocês podem ver essa garota se matou, e a morte dela não valeu de nada.
Se ela tivesse lutado por um dia que seja, ou até mesmo uma hora ou duas, ela poderia ter descoberto quem era o tal homem da vida dela. E a sua tristeza se tranformaria em odio, raiva, dor, sentimentos ruins, porém construtivos. Ela daria outro rumo para a vida dela e viverria. Quem sabe ela até encontrasse um rapaz que valesse a pena.
O mesmo poderia ter acontecido comigo, eu fiquei triste e até não acreditei no que eu tinha ouvido. Depois de um tempo eu percebi que eles não tinham motivo para mentir. Mas até hoje eu estou com uma pulga atrás da orelha. Não que eu não acredite nos meus amigos, mas é que eu gosto de ouvir todos os lados de uma historia antes de dar credito a alguém. Por isso eu teria que conversar com essa menina e perguntar se realmente era verdade.
No mesmo ano ela saiu da escola, mas ela foi até o fim do ano e até fizemos a formatura da oitava série juntos. Depois eu não a vi mais. E quando eu digo isso eu quero dizer que eu sequer sabia para onde ela foi, em qual escola ela estava estudando ou coisas do tipo. Ela poderia estar estudando no turno da tarde, mas eu nunca vou saber.
Durante anos eu pensei que esse amor que eu senti era algo infantil, como eu poderia amar alguém com quem eu mal falava!? Nós nunca tivemos uma conversa séria, ou mesmo uma conversa divertida. Nossos dialgos não duravam mais que um minuto, embora todas as vezes em que falamos eu conseguia tirar um sorriso daquele rosto bonito. Eu me convenci disso e estudei o primeiro, segundo e terceiro ano sem pensar nela. Me formei na faculdade e já não lembrava dela.
Eu bem que gostaria de terminar a minha historia por aqui, assim ela teria um final razoavel. Onde eu superei um amor que parecia que não ia dar certo, mas eu tenho que contar toda a historia já que os relotos que eu descrevo precisam ser completos.
Eu estava indo pro shopping para ir ao cinema assistir um filme. Eu estava com o meu irmão, ele que estava dirgindo. Ele estacionou o carno no estacionamento do subsolo e fomos para o elevador do shopping. Quando estavámos chegando no elevador tinha uma familia saíndo dele. Nós aproveitamos a porta aberta e entramos. Quando eu entrei no elevado e este comçou a fechar a porta eu levantei a cabeça e vi no meio daquela familia que estava parada na frente do elevador, uma pessoa em particular que me interessou muito. Essa pessoa estava parada olhando para o elevador. Na verdade ela estava olhando para mim. É incrivel como os olhos dela mostravam a clareza do seu pensamento. Eles diziam: “Será que é ele mesmo!?”. Quando eu a vi as portas do elevador começaram a ficar mais lentas e quase não fecharam porque o mundo tornou a parar...
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