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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Chiclete no Shopping

Olá a todos,

É engraçado como coisas pequenas podem desencadear coisas muito grandes, as vezes é preciso um aglomerado de coisas pequenas para se criar algo muito grande, em outras ocasiões algo muito pequeno já é mais do que suficiente para desencadear uma desgraça. E vai ser sobre isso que eu vou escrever essa semana... sei lá... hoje está parecendo que eu estou sendo objetivo demais... normalmente eu gasto umas duas páginas só para dar uma introdução...

Muitos já ouviram falar do efeito “bola de neve” que ocorro quando jogamos uma bolinha de neve pequena de cima de um morro e na medida em que ela vai rolando morro abaixo ela vai coletando mais neve por onde passa (pois o chão está cheio de neve) e concomitantemente ela vai ficando maior e maior até chegar em dimensões onde poderia facilmente causar uma desgraça... matar o gato do vizinho por exemplo... ou matar o próprio vizinho...

O curioso é que eu já adicionei “fazer uma bola de neve e empurrá-la do morro mais alto das redondezas” na minha lista de “coisas para fazer pelo menos uma vez na vida”. Esse item está bem perto de “fazer um boneco de neve”, “praticar snowboard e esqui”, “comer chocolate quente em frente a uma lareira”. É estranho querer fazer a bendita bola de neve mesmo sabendo que ela pode matar um povoado inteiro (principalmente se for jogada de cima do Everest). Mas as pessoas normalmente não ligam para o perigo, desde que em troca você receba uma quantidade maior de diversão. Se todo mundo ligasse mais para o perigo (e possíveis conseqüências) ninguém morreria de doenças do coração causadas por má alimentação, ninguém brincaria de paintball com medo de levar uma bolinha de tinta disparada em alta velocidade para dentro do nariz (sem falar que existe uma conexão entre o nariz e o cérebro [era por essa conexão que os antigos egípcios enfiavam um ferro em brasas para derreter o cérebro e coloca-lo em um jarrinho {obviamente o cara já estava morto e sem as tripas, essas era colocadas em uma banheira cheia de sal, ervas aromáticas e outras coisinhas e depois de 30 dias era colocadas de volta na barriga do defunto}]), é engraçado como ainda existem pessoas que jogam paintball sem proteger o nariz... Em compensação é graças a essa regra estranha ( muito divertimento + perigo de morte = não tem problema desde que tenha “muito divertimento” ) que existe o bungee jump, a montanha russa, a roleta russa e as brigas com facas.

Enfim, eu estava falando sobre pequenas coisas que geram grandes conseqüências. E a minha historia começa quando eu fui comprar uns chicletes. Eu não imaginava o que se pode acontecer quando você inocentemente compra chicletes. E assim sendo eu saí de casa e fui comprar os chicletes (somente eu acho estranho sair de casa e andar dois quarteirões somente para comprar uns chicletinhos?!). Eu gosto muito dos bigbig (marca de chiclete em forma de cubo), principalmente do de hortelã. Eu comprei um real de bigbig (uns 10) e estava mascando um quando voltei para casa para ir assistir um filme com a minha irmã. Quando esse bigbig tinha perdido o gosto eu joguei ele fora e ofereci um para a minha irmã. Quando eu coloquei o meu na boca eu vi na embalagem do chiclete um cara que tinha um recorde da maior bola de chiclete do mundo. Eu pensei que seria legal eu tentar também, então coloquei o resto dos bigbig na boca e comecei a mascar.

Já dentro do Shopping (pois o cinema fica dentro do Shopping) eu percebi que não poderia tentar criar a maior bola de chiclete do mundo se eu estava em um lugar publico, então eu decidi jogar fora o chiclete, até porque eu não poderia mascar chiclete e comer pipoca ao mesmo tempo. O problema começou aí.

Lá estava eu me preparando para jogar o chiclete fora no lixeiro quando eu me lembrei que o lixeiro que eu escolhi para jogar o chiclete fora ficava na frente do BOB’s do Shopping. E todos os clientes poderiam ver o momento quando eu ia jogar o chiclete fora. Obviamente isso não parece ser um agravante tão grande... só que eu me peguei pensando “qual seria a maneira mais educada de jogar um chiclete fora?!”.

Eu tinha um amigo que estava gripado e toda a vez que ele tinha que jogar o catarro fora ele se encaminhava da cadeira dele que ficava no fundo da classe para o lixeiro que ficava na frente da classe. Ao lado do lixeiro ele inchava os pulmões e soltava o ar pela garganta criando um atrito entre as paredes da garganta fazendo com que todo o muco (catarro) que estivesse acumulado ali durante horas saísse pela saída de cima (boca) e ele cuspia no lixeiro (para quem tiver fazendo cara de nojo eu só posso falar que é mais nojento engolir o catarro). E o pior é que ele não cuspia o catarro! Ele inclinava a cabeça lentamente em direção ao lixeiro e soltava o catarro aos poucos pela boca, criando um fiozinho de catarro e cuspe que ligava a bolota de catarro a boca dele. E parecia que ele estava ficando bom nisso. A cada dia que passava ele conseguia fazer o fiozinho ficar cada vez maior, fazendo parecer que a bolota de catarro estava praticando bungee jump.

Eu via aquela cena e via a cara de nojo de todos ao redor e ficava pensando se o certo seria engolir o catarro ou cuspi-lo no lixeiro.

Cada qual tem suas vantagens e desvantagens. Quando você engole o catarro você pode fazer isso de uma maneira com que ninguém perceba. Mas você nunca se perguntou quanto tempo demora para o estomago jogar fora esse catarro?! Eu ficava imaginando a pessoa engolindo e engolindo cada vez mais catarro e criando uma verdadeira sopa de muco no estômago. Sem falar que você poderia passar mal e vomitar tudo, ou seja, além de todos verem o seu almoço misturado com aquela gosma verde (que de tão verde, falta brilhar no escuro...) você estaria engolindo o catarro pela segunda vez (só que pelo sentido contrário...). E ainda fica pior!!

Quem já vomitou ao menos uma vez na vida, sabe perfeitamente que a boca fica com gosto de vômito por um bom tempo. E imagina só como deve ser o gosto de vômito misturado com catarro?! Deve ser horrível. Mas na verdade, eu acho que vomitar o catarro pode ser uma alternativa melhor do que deixar que ele siga o seu caminho.

Eu digo isso porque o próximo destino dele depois do estômago é o intestino. Claro... algumas pessoas podem pensar que não é tão ruim você ficar com o intestino cheio de catarro, já que ele normalmente é cheio de coisas piores e você nunca se importou com isso, certo?! ERRADO!!

A função do intestino é absorver. E ele absorve de tudo!! Menos fibras (que é o principal elemento formador das fezes [Se você não odiava, agora você vai odiar ouvir a sua mãe dizer que você tem que comer mais fibras... e sem falar na propaganda do iogurte “corpus”...]). E como você já deve estar imaginando... o intestino provavelmente vai absorver o catarro. Eu aposto que agora vocês não devem achar tão ruim a idéia de jogar fora o catarro...

É claro que o ponto negativo que jogar o catarro fora é que você deve faze-lo quando ninguém estiver olhando, o que atualmente é impossível já que tem gente pondo câmeras até dentro do carro.

Vocês devem estar se perguntando “Qual a relação entre o catarro do garoto aí da historia com o chiclete do inicio da historia?”, caso essa pergunta não tenha passado pela mente de vocês eu devo dizer que vocês estão acompanhando a historia da maneira certa... enquanto eu que voltei a escrever agora me perdi todinho (eu estava escrevendo esse artigo até fazer uma pausa. Durante essa pausa eu fui tomar um pouco de água e comer alguma coisa e acabei ligando a TV. Estava passando um bom filme e resolvi assistir uma parte. O tempo foi passando e eu acabei assistindo o filme todo e fui jogar um pouco. Depois de algumas horas eu fui fazer outra pausa e no caminho eu percebi que o computador estava ligado e eu me lembrei que eu estava no meio do artigo para o blog. Eu queria continuar mas já tinha perdido a motivação para escrever e a pausa acabou virando uma interrupção...).

Depois de reler alguns parágrafos e me atualizar... eu estava pensando na maneira mais educada para se jogar um chiclete fora. Primeiro eu pensei em como normalmente eu jogaria um chiclete fora. Vejamos... eu normalmente posicionaria minha cabeça em cima do lixeiro inclinando ligeiramente minha coluna. Depois eu olharia o lixeiro virando a minha cabeça para baixo deixando-a em uma posição horizontal. Depois de calcular a velocidade do vento e fazer os acertos adequados eu simplesmente abriria a boca e deixaria o chiclete rolar para fora e fazer um trajeto alucinante em queda livre da minha boca para o lixeiro. Esse é o meu método padrão.

Porém sempre tem aqueles lixeiros que possuem entrada lateral, como aquelas latas de lixo que é toda fechada e tem uma portinhola no lado, normalmente encontrada nas ruas. O meu primeiro pensamento quando eu lembrei desse tipo de lixeiro foi “Mas porque diabos alguém ia fazer um lixeiro com a entrada pelo lado!?”, mas depois de pensar um pouco eu percebi que essa entrada lateral é estratégica para que não caia água dentro do lixeiro quando este estiver exposto a chuva e por manter o lixeiro sempre fechado essa entrada evita que ele exale o mal cheiro. Felizmente o lixeiro do shopping é do tipo que é aberto em cima. Na verdade o lixeiro do shopping é trabalhado em madeira e plástico fazendo dele um lixeiro muito bonito por sinal dando um ar bucólico para o ambiente...

Vendo por esse ângulo eu acabei percebendo que esse método era satisfatório e eu já estava quase iniciando a operação “jogando o chiclete fora” quando eu percebi um pequeno detalhe que me havia fugido a mente. Eu estava mascando uma boa quantidade de chicletes ao mesmo tempo e este já estava ocupando boa parte da minha bochecha (na verdade eu já estava quase mastigando de boca aberta... poxa... agora me deu uma saudade da minha juventude... era cada idéia louca...). Imediatamente após eu me lembrar desse fato eu relembrei a historia do garoto gripado e percebi o quanto uma bolota de chiclete poderia se parecer com uma bolota de catarro... e se você imaginar a cena você terá de concordar que ela é bem ridícula.

Vamos fazer uma pequena pausa (não para tomar um pouco de água senão esse tópico não vai ver a luz do dia nunca...) para imaginar a cena. Como um bom narrador eu vou lhe ajudar a ter uma pequena idéia do que passou pela minha mente naqueles segundos. Eu sou uma pessoa detalhista e desde a minha juventude eu sempre tive o dom do pensamento... na verdade eu sempre fui capaz de ir para o mundo da lua e prestar atenção no que alguém falava... e esse é um dom extraordinário se você se lembrar o quanto pode ser enfadonho uma conversa com alguém que você não gosta e/ou sobre um assunto que você não se interessa. Imagine só a possibilidade de poder devanear em sua mente um dos vários assuntos que você poderia estar pensando enquanto escuta alguém falar de algo que você não está interessado em ouvir, mas por motivos diversos não quer falar isso diretamente para a pessoa que está falando. Na medida em que eu envelheci eu percebi que eu ficava cada vez melhor nisso. Eu conseguia pensar em vários assuntos muito rapidamente e foi graças a essa habilidade que eu consegui pensar nesse texto todo em poucos segundos e ao mesmo tempo pude pensar em como poderia ser a situação de quem estava comendo, já que é por causa deles que tudo isso começou.

Imagine que você, meu caro leitor, está com fome e resolve comer uma bela refeição no Bob’s. Eu particularmente aconselho a comprar um milkshake porque eu já comi aqueles sandubas do Bob’s e eu achei decepcionante. Aqui onde eu moro em cada esquina tem uma barraquinha que vende sanduíche e em boa parte delas as refeições são deliciosas. Isso porque eles se preocupam em sabor enquanto o que eu comi no Bob’s foi um sanduba em um pão enorme com um monte de ingredientes gigantes... isso tudo banhado em molho de soja... (glutamato monossodico...). Eu além de não gostar do sabor, do aroma e da aparência (porque ele na foto é uma maravilha, mas ao vivo é um monte de ingredientes jogados de qualquer jeito por alguém que não tem sentimento pela culinária...) ele ainda por cima não cabe direito na boca, é muito caro e te lambuza todo com molho shoyo.

Continuando... Você resolve comprar o sanduíche (já que assim fica melhor para dar um bom exemplo do que passou pela minha cabeça naquela hora). Você é atendido por uma jovem simpática que fica no caixa e espera um tempo que pode ser longo ou muito curto dependendo do movimento da lanchonete e do estado de humor do chapeiro... e finalmente depois de uma eternidade chega a bendita comida, algumas pobres criaturas ainda precisam esperar em pé porque já não tem mais mesas e o Bob’s do shopping não fica perto da praça de alimentação, por motivos que até hoje eu desconheço e ignoro. Mas hoje você consegue uma mesa e se senta naqueles bancos fixos que ou te deixam longe demais da mesa onde você precisa entortar a sua coluna até os seus ossos comecem a doer e te ameaçarem de uma futura hérnia de disco ou te deixam tão próximos da mesa que você precisa comer com os braços colados ao corpo e você fica se sentindo como um pingüim com aqueles bracinhos curtos que não servem para fazer nada. E o pior acontece quando você cresce muito rapidamente e em uma hora você precisa se esticar para alcançar a comida e em menos de um ano você está se sentindo como um pingüim e ao mesmo tempo suas costas doem por causa da hérnia de disco.

Mas isso não é nada que vá tirar o seu bom humor (que já não está TÂO bom assim por causa da comida, da fila, da espera e da mesa...). E lá está você no momento do juízo final diante do réu (comida) e você se sente poderoso sendo você o advogado, juiz e carrasco daquela presa que te fez esperar e sofrer nas mãos de uma multinacional (podendo ser também o restaurante da praça de alimentação...). Você até que gostaria de que ela ainda estivesse viva para olhar nos seus olhos e ver os pedidos mudos de suplica que te estimulariam ainda mais a come-la e se deliciar com o seu sabor que foi temperado com a vingança!! HUHAHAUHUAHAUHAUHAUHAUA!!

Ah... a primeira mordida... você se prepara para o ato que consagrará o fim da existência daquela refeição que te custou tanto de sua saúde mental e física e ainda poderá de dar um belo de uma artéria entupida... você o agarra enfiando as unhas pelo plástico/papel e sentindo o pão ceder a pressão de seus dedos e sabe que não importa o quanto ele se debata em suas mãos ele não vai escapar. Você o levanta bem devagarzinho em direção a sua boca, bem devagarzinho para sentir toda a emoção que aquele momento lhe proporciona... você já está escancarando a sua boca sentindo a saliva fluir solta pelos seus dentes e se prestar bastante atenção poderá ouvir o rugido do seu estômago que já está ansioso pela sua próxima vitima... até que você tomada pelo êxtase olha para frente e presencia aquela cena... um cara mexendo e remexendo algo dentro da boca com a língua... aquela cena te atraí por algum motivo... talvez a curiosidade de saber o que é aquilo que ele está fazendo... por que alguém estaria parado na frente de uma lixeira ao lado de uma menina fazendo algo estranho com a boca... você já até esqueceu a sua comida e instintivamente está abaixando os braços e deixando que ela viva um pouco mais... mas parece que sua curiosidade já vai ser morta porque ele se inclinou em frente a lixeira e está abrindo a boca... o que é aquilo que ele vai fazer?! De repente você se depara com uma bola enoooorme de aspecto suspeito e VERDE!! Meus Deus do Céu!! Aquilo ali é catarro?!

NÂO!! DEFINITIVAMENTE NÃO!! Não serei eu a interromper um ritual de matança por ódio e vingança!! Se eu simplesmente jogasse o chiclete fora eu poderia ser o responsável por várias pessoas desistirem de comer por perder o apetite e isso definitivamente não é nada bom. Então eu pensei em outros métodos de se jogar o chiclete fora... eu pensei em pegar com a mão e joga-lo no lixo, mas para isso eu precisaria de um guardanapo... mas isso poderia piorar ainda mais a situação porque daria asas a imaginação das pessoas...

-O que era aquilo que ele tirou da boca?!

-Parecia que o guardanapo estava com sangue...

-Ele é tuberculoso!?

-Putz... perdi o apetite...

Talvez eu devesse... ou tentasse... não importava o quanto eu pensasse as idéias eram piores e piores... Então eu percebi que se eu vivesse pelo o que os outros pensassem sobre mim eu nunca iria comer pipoca...

Eu estufei o peito de ar e me aproximei do lixeiro... e já não era hora porque a minha irmã já estava ficando impaciente... eu inclinei a cabeça e deixei o chiclete rolar pela minha boca com um leve impulso da minha língua e grudar nos meus lábios... grudar nos meus lábios!? P!@)@&$(*&#)(*$&@)(*#$@&!

Lá estava eu com aquela bolota de chiclete grudada nos meus lábios... eu pensei rápido e percebi que deveria joga-la fora antes que o pior acontecesse. Eu comecei a usar a língua para tentar desgrudar ela dos lábios e eu já estava parecendo um ator pornô e não conseguia desgrudar aquele chiclete da boca. Tive que fazer a mesma coisa que o cara do filme pornô faria caso a língua não desse certo... eu tive que usar os dedos... (putz... ô comparação cretina...)

Eu tirei o chiclete dos lábios com a ponta dos dedos e como quem já me conhece de longa data já deve ter imaginado a p%$@ do chiclete grudou nas minhas mãos e eu já tinha até pensando em usar a mão esquerda para limpar a barra da mão direita, mas esses muitos anos de dores já tinham me ensinado que “sempre pode piorar” e eu já me imaginava como aqueles desenhos animados quando resolvem brincar com cola rápida e acabavam presos em um emaranhado de fios de cola. Eu teria que resolver isso somente com a mão direita e com menos dedos o possível.

A bolota ficou presa no indicador e eu estava usando o polegar para tira-la. E lá estava eu tirando o chiclete do indicador só para ver ele grudar no polegar... E eu já estava entretido naquela batalha épica quando eu dou uma olhadela para o lado e percebo que minha irmã já estava morrendo de rir e se afastando aos poucos... família é tudo igual mesmo... e eu juro que naquele momento me faltou forças para dar uma olhada no Bob’s e averiguar se alguém estava olhando... eu percebi que aquilo já estava durando muito e resolvi esfregar o dedo na beira do lixeiro para grudar o chiclete ali (no saco plástico do lixeiro...).

Vocês podem acreditar que a criatura ainda me deixou um fiozinho de chiclete de ligava descaradamente o meu dedo ao lixeiro me obrigando a passar o meu dedo uma segunda e terceira vez para me ver livre daquele chiclete?! Depois de tudo isso eu ainda fui ao Bob’s com a dignidade de um rei pegar um guardanapo para limpar a mão e fiz questão de jogar no mesmo lixeiro que ficou o chiclete... embora eu não tenha tido coragem de olhar na cara de ninguém que estava comendo com medo de que me mandassem aquele olhar fulminante dizendo “acabou com a minha alegria...”

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Dor

A dor

Existem diversas espécies de seres que habitam o mundo. Essas espécies são divididas de acordo com suas características, sendo que as espécies mais antigas acabam por serem (na maioria das vezes) as mais rústicas, sendo a cadeia evolutiva um ponto a ser discutida. As espécies ditas como menos evoluídas não possuem um sistema nervoso ou o possuem, mas ele está incompleto. O sistema nervoso é o responsável pelas sensações que o ser vivo pode sentir e experimentar. Uma dessas sensações é a dor.

Normalmente as pessoas não gostam de sentir nenhum tipo de dor, mas ainda assim existem aqueles que não só gostam de levar uma surra com um chicotinho como também são capazes de pagar por esse serviço. É interessante o quanto a opinião de alguém varia em relação à dor. Como eu disse existem pessoas que realmente amam a dor, o porquê eu não sei já que eu não gosto muito dela. Eu admito que seja interessante ser algemado em uma cama por uma linda mulher e ficar a disposição dela (sem o uso de chicote, porretes e unhas é claro!) ou (no caso das mulheres) ser abraçada por trás pelo seu namorado/marido/amante/vizinho/conhecido/velho amigo de escola/amigo/chefe/estagiário/cachorro (tem gosto para tudo) /cavalo (para quem acha o cachorro muito criancinha...) /vizinha/desconhecido/mendigo de rua e ele te envolver em seus braços e impedir que você se mecha (mas de um jeito carinhoso) e pousar o queixo dele em seu ombro e lhe sussurrar palavras bonitas em seu ouvido e depois lhe dar um beijo de leve em seu pescoço e perceber que você está usando um perfume novo e, aproveitando a oportunidade, transformar aquele beijo gostoso em um fungadinho gostoso que faz você se arrepiar vindo aquela sensação gostosa de calafrio que começa no seu pescoço e se estende por todo o seu corpo o deixando com uma sensação engraçada de estar na chuva, mas o bom mesmo é quando o calafrio vai para a cabeça e você se estremece toda, mas não pode fazer nada porque aqueles braços fortes e gentis ainda estão te envolvendo e você se sente segura por estar do lado dele (eita nóis, eu ainda faço um livro de romance...).

Existem por outro lado pessoas que gostam de uma boa briga, onde eles não reagem e gostam de levar porrada. Já ouvi diversos tipos de fetiches em relação ao masoquismo: chicote, chicotinho (é aquele que usa em cavalos [não me perguntem como eu sei essa diferença...]), porrete de policial, taco de beisebol, sandália havaiana (só as legitimas...), flanela de limpador de vidro de carro usado por aqueles frentistas da Petrobras (alguns disseram que preferiam o uniforme da Texaco...), esporas, botas de vaqueiro (eu não estou dizendo que eles usam a bota enquanto são flagelados e sim que a bota [com ou sem esporas] é um utensílio a mais para flagelar o individuo), sapato social de bico quadrado (aparentemente ninguém gosta do de bico redondo... embora eu sempre use os de bico redondo quando estou de paletó... mas como eu não sei nada sobre ser torturado eu preferi omitir a minha opinião...), chape de skate, patins, fio elétrico (isso me lembra de um ferro de passar roupas que tinha lá em casa que agente podia desconectar o fio elétrico dele. Eu sempre me perguntei para que alguém iria querer desconectar o fio elétrico do ferro se ele não funcionava a bateria?! Agora eu entendi o porquê...), fio elétrico descascado e ligado na tomada (deve ser difícil pagar as contas elétricas se o povo não para de desperdiçar energia...), spray de pimenta, botas de soldado, soco inglês e por aí vai...

Obviamente que normalmente as pessoas tem aversão a dor (se bem que eu tenho aquela opinião que se você nunca provou você não pode dar opinião... [e eu gostaria de ressaltar que toda e qualquer menção ao masoquismo aqui citadas foram retiradas de comentários de amigos e pesquisas feitas na internet]) e é por isso que muitas pessoas não tem um kit “se espanque” em casa... se eu fosse montar um kit assim o que eu colocaria nele?!... Mesmo os masoquistas não gostariam de certos tipos de dores, eu acredito que eles gostem de qualidade acima da quantidade, caso contrário todos os masoquistas iriam se jogar de cima de prédios, construir tobogã de navalhas com piscinas de álcool, iriam criar um esporte onde todos jogam nus e usam tacos de beisebol de metal e o objetivo é quebrar a maior quantidade de ossos do time adversário e quem sabe ao invés de criar casas onde você é chicoteado por belas moças vestidas de couro você seria sacaneado de todas as maneiras pagando um preço módico por presos do Carandiru. Até que não ia ser difícil, bastava você ser preso e dizer para todo mundo que você é estuprador de criancinhas que gosta de roubar velhinha, esfaquear pais de famílias honestas, matar policiais e dizer para quem quiser ouvir que todo mundo da torcida do flamengo torce por um time perdedor e que os corintianos são perdedores de um time de corruptos, tenho certeza que você passaria pelas piores atrocidades que um ser humano pode passar nessa cadeia...

Mas sempre existem aqueles que gostam de provocar a dor. Quem já não ouviu falar de um garoto que queima formigas com uma lupa? Ou o mesmo garoto acender uma vela e soterrar as pobres formiguinhas com cera quente? Alguém já levou uma pingada de cera de vela? Imagina agora o seu corpo ser totalmente emerso em um balde de cera quente capaz de provocar queimadura sérias. Imagine por alguns segundos a sensação de ter todas as partes do seu corpo entrando em contato com a cera e esta lhe queima e incinera a sua pele para logo em seguida chegar aos músculos. Um pingo de vela é o suficiente para causar uma queimadura leve, se você aumentar essa quantidade para litros você poderá ter uma leve noção de como essas formigas se sentem. Deve ser horrível a sensação de ter os músculos corroídos por uma substância que ao mesmo tempo em que nos torra nos impede de movimentarmos pois ela seca muito rápido depois que deixa o calor da chama da vela. Pensando bem, eu acharia melhor morrer incinerado logo depois de ser atingido pela cera porque a outra alternativa é morrer asfixiado em um casulo feito de parafina... mesmo durante os primeiros momentos enquanto a cera está líquida o individuo se sentirá impelido a respirar e acabar inalando aquele material para dentro dos pulmões os quais iriam também sofrer de queimaduras graves e o pior seria quando a parafina secar. Os pulmões ficariam paralisados e talvez eles não tivessem forças para quebrar a parede de parafina e se tivessem seria pior, imagine você tentar respirar e os seus pulmões estarem cheios de pedras de parafina rasgando o seu peito de dentro para fora e o sangue que jorraria para dentro dos pulmões não ajudariam em nada a sua tarefa de conseguir oxigênio onde o mesmo simplesmente não existe...

Imagino até hoje se essas crianças já se imaginaram no lugar das formigas...

Assim como o “gosto” existe também a “resistência” quanto à intensidade. Enquanto muitas mulheres suportam a dor do parto alguns tem pesadelos com injeções. Na verdade algumas dores são relativamente pequenas em relação ao medo que muitas pessoas atribuem a elas. Vejam por exemplo o grande medo de injeções. Várias criancinhas têm esse medo, mas essas mesmas criancinhas não se importam em arriscar a própria vida em jogos mortais como futebol onde qualquer jogador pode levar um carrinho e ter uma fratura exposta (já ouvi vários casos similares...). Agora me digam como é possível ter mais medo de agulhas do que de futebol? Outro medo muito comum é o da broca de dentista. Eu já fui vitima dessa broca e devo falar que ela faz cócegas... isso mesmo! Ela faz cócegas! Agora me digam se é racional ter medo de algo que faz cócegas!? Resistentes mesmo são todas as mulheres que fazem um trabalho de parto natural e sem anestesia, ou todas as pessoas que tem os ossos quebrados, ou todas as pessoas que tem um tendão partido ou mesmo aqueles que acordam a noite com câimbras na batata da perna e ainda conseguem dormir, mesmo que os pés estejam doendo.

Mas afinal de contas, para que serve a dor? Será que o criador criou esse sofrimento somente para se distrair e rir um pouco daqueles pobres desafortunados que levam uma porrada em partes sensíveis (todos os homens sabem como dói)!? Ou melhor (ou pior, depende de como você interpreta...) talvez tenha sido o diabo que colocou as dores no mundo. Em minha opinião a dor foi uma das maiores bênçãos que foram colocadas no mundo!!

Vejam bem, alguém uma vez me disse que “a dor é sinal de vida” e eu realmente acredito nisso. Quando ocorre um acidente de trânsito você é aconselhado a tratar primeiro do paciente que não sente dor nenhuma para depois ver o estado daquele que está em agonia (obviamente que ambos aparentam estar gravemente feridos...). Isso porque quem não sente nada não poderá afirmar quais são os problemas que o seu corpo está passando: ossos quebrados, tendões partidos, músculos rompidos e outros. Você (que está ajudando com os primeiros socorros) deverá procurar por todo o corpo do paciente pelas suas feridas. Como vocês podem ver a dor é responsável por nos informar o que há de errado em nosso corpo.

Sempre existe aqueles que dizem que isso é bobagem e que vissem um corte no braço eles rapidamente tratariam o corte sem precisar sentir dor nenhuma. Mas o porém é que existem lugares onde normalmente não olhamos e é nesse lugares que o problema está. Quem já não passou por uma situação em que alguém lhe informa que você está sangrando e você nem percebeu que tinha se cortado em algum lugar em que você não se lembra?! Eu vi em um programa que uma câmera de segurança flagrou uma senhora de uns 60 anos de idade entrando em uma loja com uma faca de açougueiro enfiada nas costas! Depois que encontraram a velhinha os policiais souberam que ela foi assaltada e recebeu um golpe nas costas, mas não pensou que era uma facada. Ela entrou na loja, fez as suas compras e saiu. Ninguém percebeu que ela estava ferida!!

Além da inegável função de nos alertar sobre o perigo a dor também serve para nos deixar mais maduros. O medo de agulhas por exemplo, se você já quebrou um osso e teve que ficar meses com aquele gesso você provavelmente vai rir quando lembrar que antigamente você tinha medo de agulhas, isso porque a dor de quebrar um osso é infinitamente menor do que a dor de uma vacina. Quando experimentamos dores ficamos mais espertos, se alguma vez já caímos de bicicleta e nos ralamos todos no asfalto então na próxima vez em que andarmos de bicicleta seremos mais astutos e cuidadosos para não cairmos de novo. A dor é um dos maiores mecanismos de defesa que o nosso corpo possui.

O mesmo acontece com os nossos sentimentos. Quando somos traídos ou enganados acabamos por sofrer muito e é exatamente por isso que acabamos por nos tornar mais fortes e mais espertos. Adquirimos experiência quando sofremos e aprendemos a não mais cometer os mesmo erros para não passar pelas mesmas dores. Porém como todos sabem, as vezes isso não funciona tão bem... quando somos enganados acabamos por sofrer, porém em certos casos as pessoas não conseguem superar a dor e acabam virando escrava da mesma. Quantas pessoas você não conhece que caiu em depressão séria e que deixaram até de querer viver se tornando apenas um boneco sem vida que não quer mais abrir os olhos e ver como a vida é bonita?! O mesmo acontece com a dor física, alguém que quase morre afogada por exemplo pode não querer mais chegar perto de um rio ou lago, esse medo pode cresce a tal ponto de a pessoa não querer sequer cogitar a idéia de viajar de navio ou viver em uma ilha.

Esses casos sempre são muito tristes e acabam entristecendo as pessoas que querem bem aqueles que estão sofrendo. Essas pessoas se sentem responsáveis e tentam ajudar a pessoa que sofre para que a mesma tente sentir novamente a alegria de viver ou nadar (seguindo o nosso exemplo...), mas o pior é que na maioria dos casos essas pessoas não querem a ajuda de ninguém porque no fundo elas se sentem um peso morto e/ou acreditam que não são dignos de tanta atenção... dependendo do caso elas ficam mais tristes ainda por achar que estão atrapalhando a vida de outras pessoas e acabam até cogitando a idéia de acabar com suas próprias vidas por acharem que assim estão fazendo um favor para alguém e/ou que ninguém irá sentir a sua falta...

É preciso ter muita paciência, compreensão e força de espírito para ajudar alguém assim. As vezes é necessária a ajuda de alguém que já superou essa mesma dor para somente assim ajudar aquela que sofre.

Apesar de tudo a dor é algo benéfico porque ela nos transforma em pessoas melhores e nos obriga a pensar sobre o que nos magoam.